Quem sou eu?

Publicado: 20 de agosto de 2015 em Sem categoria

Deixe-me apresentar a vocês:

Sou Maurício Montagnero, pastor da Igreja Batista da Liberdade em Descalvado. Sou graduado em Teologia, bacharel, e em Filosofia, licenciatura. Sou pós-graduado em Teologia Contemporânea e Pós-Graduando em Aconselhamento Filosófico.

Amo assuntos relacionados ao reino de Deus e a pessoa dEle, e sou um apaixonado pelo Pai.

Amo o que eu faço e o que eu sou!!

Espero ser agradável a todos vocês que lerão ou acompanharão esse blog.

Forte abraço e que o Deus de paz esteja com todos!!

2014 - 2015 188

CONVERGINDO

Publicado: 26 de maio de 2017 em Sem categoria

Toda verdade é verdade de Deus mesmo que pronunciada pela boca de um ímpio”.

No ano passado, 2016, eu tive uma experiência interessante com os adeptos da Torre de Vigia (Testemunhas de Jeová). Para quem não sabe, são aqueles que batem na porta das casas, geralmente aos domingos e durante a manhã, a fim de “evangelizarem” novos adeptos para seita. Vendem ou doam aquela revista de sofá (SentiNela!).

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Em um dia de evangelismo que a nossa igreja realizava cruzamos com eles, onde houve um evangelismo mútuo. Nesta oportunidade eu pedi para que viessem a minha casa para conceder o discipulado, e assim foi por quase um ano – por deveres novos que apareceram, paramos com tais estudos.

Durante este tempo desenvolvemos uma boa amizade, conversas proveitosas e tempos gostosos. Contudo, a estratégia a qual eu adotei foi outra, não a de ficar confrontando ou divergindo de suas doutrinas, ou ainda indo direto para a “briga” ou “debate”. Busquei em tal tempo achar os pontos de contato, o que tínhamos em comum, e a partir dai, de forma discreta, mostrar a superioridade das doutrinas da fé cristã revelada nas Escrituras Sagradas em relação às heresias deles (jamais usando esse termo). Fui compartilhando as experiências de trabalho, transformações de vidas, missões, mensagens e etc., e sempre nesse compartilhar havia junto, como fundamento, alguma instrução daquilo que cremos. Logicamente, que no momento que eles começavam a expor suas doutrinas erradas, especialmente sobre Cristo e o Espírito Santo, eu buscava de uma maneira muito amigável e educada mostrar o “outro lado da moeda”, onde se tornava perceptível à dúvida que aparecia no olhar de um deles.

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Cornelius Van Til, grande apologista reformado do século passado, nos ensinou que entre um cristão e o não cristão existe um ponto de contato. Um ponto de referência final entre os sistemas de ambos que pode tornar ou facilitar os fatos e as leis entendidas. O diálogo deve partir de tal e conforme vai se desenvolvendo, naturalmente, mostrará a superioridade das respostas que a fé cristã revelada nas Escrituras Sagradas tem. Gordon H. Clark, outro apologista reformado, argumentou que há entre os cristãos e os não-cristãos um campo comum. Na teologia reformada existe algo conhecido como graça comum, isto implica que Deus providenciou algumas bênçãos naturais, como também, posturas íntegras e morais, como também, opiniões corretas para todos os homens. Devido a tal graça comum entra nosso dever de enxergar qual é o ponto de referência, contato, ou campo comum que há entre nós a fim de iniciarmos o diálogo. Por isso que o nome deste artigo é: CONVERGINDO. A convergência, grosso modo, é quando existe uma direção a um ponto comum.

Nosso problema é que já adotamos naturalmente uma apologética divergente, adialógica, em constante desacordo da maneira de crer, ver, pensar e viver. Não critico a funcionalidade de tal apologética, é um bom sistema. O que questiono é o uso pleno dela!

O apóstolo Paulo quando esteve no Areópago em Atenas (At 17.15 – 34) usou o método convergir. Ao chegar observou o altar ao “DEUS DESCONHECIDO” e partir de lá começou o seu discurso, não falando do Deus de Abraão, Isaque e Jacó, nem citando textos veterotestamentários, mas, sim, citando uma poesia grega e dela levando os ouvintes compreenderem a verdade do evangelho. O tal altar e a tal poesia foi o ponto de contato, referência, campo em comum, a fim de apresentar a mensagem da fé cristã.

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O que fica de desafio para nós? João Paulo II no CVII trouxe um termo chamado de aggionarmento que significa atualização, ou seja, a devida contextualização da mensagem para os nossos dias. Quando apresentou tal termo ele também incentivou para que os católicos (podemos aprender com tal verdade) conheçam seus Novos Areópagos, especialmente uma referência às mídias. Este é, portanto, o nosso desafio! Observemos esses Novos Areópagos que vivemos em nosso contexto pessoal e nele achemos um ponto comum, que nos leve a convergir com quem nos ouvirá ou dialogará, e partir de então mostremos a superioridade e relevância da fé cristã revelada na Bíblia. Façamos tal ponte!

Pastores façam isso em seu púlpito! Pais de família façam isso em sua casa! Jovens façam isso em sua escola! Universitários façam isso em sua universidade/faculdade! Homens e mulheres façam isso em seu trabalho! Todos nós façamos isso nas redes sociais!  Descubramos os Novos Areópagos, achemos neles o ponto de convergência, e por fim apresentemos a fé cristã que a bíblia revela como sua “prosa”!

“Nos meus próprios livros sobre apologética tentei sistematicamente basear-me em algum ponto útil de contato entre o evangelho e a cultura”!

(John Edward Carnell)

O objetivo deste ensaio é apontar para a existência de um determinado ponto de conexão nos fundamentos epistemológicos dos pensadores Agostinho, Calvino e H. Dooyeweerd. Procura-se apontar a crença como o princípio epistemológico comum a todo o conhecimento da Verdade (hoje, considerado apenas como científico ou, simplesmente, conhecimento). Para tal, o trabalho se limitará às seguintes obras: Solilóquio e a Vida feliz de Agostinho; as Institutas de João Calvino, I, e a obra de H. Dooyeweerd, No crepúsculo do pensamento ocidental.

Introdução
O Cristianismo não é Filosofia, tampouco ciência. Cristianismo é a mensagem da criação, ser e finalidade do homem em que, nalgum ponto na existência deste, toda a realidade significativa ontológica do homem fora infusa por dúvidas. A crença básica, natural e necessária para interação homem-realidade fora rompida pela inversão Eu (Sujeito/Realidade) e tu para o tu (objeto carente de referência externa) e Eu (sujeito cognoscente). A questão é oriunda da passagem do Édem, conforme Gênesis.1

A implicação de uma epistemologia biblicamente orientada é que os princípios básicos para a justificação de uma crença se dá, antes de tudo, teo-ontologicamente.2  Agostinho mesmo, uniu ambas as esferas do conhecimento, quando em sua leitura de Gênesis, aplicou à condição pós-queda o próprio esmaecimento que o eu pode ter de si mesmo quando a sua referência primária é perdida, i.é; Deus. Assim,

A questão do esquecimento e da memória traduz, no campo do conhecimento, a condição pós-queda. Agostinho considera mediante divisão entre o que a alma sabe e o que ela não conhece de si, pormenorizada por ele ao explorar a diferença de dois verbos latinos: nosse e cogitare. A notitia […] concerne ao saber originário da alma – um saber implícito, indestrutível, inamissível e proveniente da visão da luz divina. A cogitatio […] versa do conhecimento reflexivo adquirido pela alma que, devido à concupiscência, busca a si mesma na exterioridade, sobrecarregando-se de impressões daquilo que ela não é. […] Assim mesmo, quando o homem busca saber em que sentido é imagem divina, não obstante se apresentem cogitações erradas, ele sabe que busca se conhecer, e isso é uma consequência do que é saber que é: conhece que busca e quer conhecer. […] Para Agostinho, o conhecimento de si não é a aquisição de algo não possuído, mas o processo de despojamento de tudo que encobre o saber de si mesmo.3

Agostinho, Calvino e Dooyewwerd pressupõem que o problema de Deus (conhecimento) é intrínseco ao homem. Uma reflexão do homem sobre si já o remeterá à sua raiz ontológica, ou seja, Deus. Então, antes de se tratar de um conhecimento propriamente considerado epistemológico, trata-se de uma busca por Deus. Deste modo, a filosofia está relacionada à fé.

1. Agostinho

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Agostinho situa Deus como o próprio ponto de partida para se fazer a verdadeira filosofia. Nos Solilóquios Agostinho responde à pergunta da Razão: “o que desejas conhecer”? “Deus, a alma e nada mais”, responde Agostinho.4 Ora, para o filósofo, a busca de si mesmo, do homem e da alma não se distingue da busca por Deus. É na alma do homem que Deus pode ser encontrado. Gilson nos lembra de que quando o homem volta para dentro de si mesmo encontra os acenos de Deus que eleva a razão humana para além de si mesma, convidando-a a regressar para Deus. Não se trata, então, de emanações divinas as quais participam os homens, mas de semelhanças e dissemelhanças entre os dois sujeitos que percebem as suas realidades. Para Agostinho,

Há em nós um “homem interior” e um “homem superior”. O homem exterior constitui-se de tudo aquilo que temos em comum com os animais, e o interior, do que temos de propriamente humano. A vida, as sensações, as imagens e as recordações fazem parte do homem exterior. Mas o espírito humano também julga as sensações e mede os corpos e as figuras, para o que dispõe de “razões eternas”. É aqui que deparamos a forma pensante propriamente dita, a “mens”, o homem interior […]. Em sua espiritualidade pura, portanto, o homem se abre para as Ideias; simultaneamente, porém, tem de voltar a atenção para as coisas externas, a fim de apreendê-las e servir-se delas. Num e noutro caso é a mesma razão que atua. […] o pensar puro necessita de uma ajuda que atenda às necessidades temporais, para que ele possa dedicar-se inteiramente à contemplação. Este auxílio só pode vir dele mesmo, só pode ser alma e pensamento, embora se destine a funções de outra ordem. […] A razão superior e a razão inferior são, pois, dois “ofícios” diferentes de uma mesma alma. […] estes dois ofícios da alam exigem uma escolha. A alma que optar pela razão superior transcende-se a si mesma e tende para aquilo a que está sujeita e a cujo julgamento deve submeter-se; numa palavra, ela tende para aquilo que independe de sua própria individualidade: o universal. Renunciando-se atinge sua própria perfeição. A que se volta para as coisas sensíveis, ao contrário, escolhe o que é inferior […]. Como se vê, toda opção pelas coisas orienta-a para o criado e o universal. Se esse movimento para o criado não se sujeitar ao eterno, e persistir em buscar egoisticamente os próprios interesses, ele acabará por divorciar-se da razão superior. […] Esse movimento é cobiça porque se antepõe aos outros e recusa tomar o lugar que Deus lhe destinou.5

O itinerário epistemológico de Agostinho segue a tradição filosófica. Parte-se do exterior para o interior, e deste para o superior.6  O itinerário, por si só, pressupõe o interesse do sujeito pela busca do conhecimento. Conhecimento este que transcende à própria estrutura ontológica da própria alma que intelige pela ordem de sua existência. O itinerário agostiniano implícita, pois, que o sujeito e o cogito não dão conta de todo o conhecimento fora de si.7  Por isto, diz o filósofo: “Não creio. Porém, procuro o que conhecer, não o que crer. Mas, tudo o que sabemos, dizemos, talvez corretamente, também que cremos; entretanto, nem tudo o que cremos sabemos.”   Antes,  recorre-se à fé como o elemento essencial no embasamento de todo o conhecimento que se possa adquirir, quer sensitiva, quer teoricamente. Solilóquios mesmo aponta para a tendência natural do homem sair e voltar para este princípio. O itinerário de Agostinho em Solilóquios é de uma “dialética de gradativa ascensão” mantida sob a doutrina da Iluminação divina.

Como o sol físico que ilumina o mundo, assim também o universo dos espíritos criados tem o seu sol inteligível que ilumina tudo. Mas não uma iluminação como pura passividade da mente no ato intelectivo, como se a iluminação consistisse numa total apresentação dos conceitos por Deus. Mas subsiste a atividade intelectiva própria, porque a iluminação de Deus não destrói a ação própria da vontade humana, nem exclui o exercício de sua atividade de causa segunda. A visão imediata da essência divina reserva-se para a vida futura; aqui o ser dialético e discursivo sobe do criado ao Criador.9

Assim, o homem tem o seu estatuto de ser, identidade, preservado numa escala epistemológica que se apresenta do inferior ao superior, i.é; do sensível ao inteligível. Por isso, é a alma a parte mais elevada no homem, capaz de, em ascensão dialética, conhecer a Deus da mesma forma em que conhece os inteligíveis (muito embora as proposições das ciências e de Deus diferem-se muito). Portanto, Razão e Deus não se excluem; pelo contrário, a fé ampara o conhecimento de ambos.10

Todavia, é do conhecimento estritamente sensível que a dúvida e o erro mais se arvoram. Pois, se a razão é aquilo que o homem tem de mais elevado e próximo da verdade, é certo que, deverá ser a fé aquela a convidar a razão a conhecer aquilo que é o seu desejo e fim derradeiro – a Verdade. A busca pela verdade é o resultado da própria estrutura do homem; i.e, imago Dei.  Se o conhecimento dos sensíveis da ascensão à Verdade é incerto, se infere que, por “ausência”, a razão do homem não é capaz de criar uma noção de Verdade que se sustente Perfeita e Pura. Mas tal noção existe e, de onde pode proceder? A referência a Deus torna-se necessária, uma vez que o homem (sob o poder de sua razão solitária) perde o seu ponto de referência epistemológica. Ele já não serve como certeza para si mesmo, necessitando buscar fora de si a validade de seu conhecimento.

É assim que a Felicidade ganha valor em Solilóquios e na Vida feliz. Pois, se o que o homem busca é o pleno conhecimento da Verdade e, se esta, diferentemente de qualquer conhecimento dado por meio dos sensíveis, é duradoura e eterna, não é a estes que o homem busca. Ele almeja encontrar Aquilo que lhe dá a posse de um Bem Imutável, isto é, Deus.11  A partir de então, Deus e Verdade são mais do que sujeito e objeto. O verdadeiro não pode existir sem a Verdade, posto que esta é a essência daquele. A Verdade apreendida pela alma dá ao sujeito a percepção dos sentidos internos, ou luz interior (a alma), ao passo que o que é verdadeiro faz parte de seu mundo externo, ou seja, os sentidos.12  Conforme Agostinho,

a verdade permanece mesmo quando perecem coisas verdadeiras. Por isto a verdade não está nas coisas que perecem. Mas a verdade existe e não está em nenhum lugar. Portanto, existem coisas imortais. Mas nada há de verdadeiro que não esteja na verdade. Conclui-se, pois, que não há coisas verdadeiras senão as que são imortais.13

Ora, não pode haver verdadeira felicidade em qualquer criatura, senão, naquilo que é eterno – Deus e a alma. “Esta vida feliz não se vê com os olhos carnais, porque não é corporal.” Não é uma lembrança, posto que nunca a conhecemos (razão de a procurarmos). Temos da felicidade uma noção que nos leva a desejá-la e amá-la, a fim de possuí-la plenamente. A noção deixa no homem o paradoxo do finito/infinito, onde todo o gozo que sinto é finito, limitado sempre pela eterna cobiça de ser mais feliz. Este paradoxo se apresenta sob espectros do pecado na natureza humana.
Portanto, trata-se de um retorno à fonte primeva, onde o pecado original deturpa, mas não apaga a luz divina no homem.14  Por um lado, a Verdade aponta para a imanência do homem, pois incapaz de pensar-se para além de si; doutro lado, a luz interior aponta ao sujeito a sua transcendência, pois, incapaz de superar-se percebe o seu “telos estrutural” a partir da ideia da Verdade Perfeita.15

Trata-se, a bem da verdade, de um certo impulso interior que nos convida a lembrar-nos de Deus, a buscá-lo, a sentir sede dele, sem nenhum fastio, jorra em nós dessa mesma fonte da Verdade. É luz que esse misterioso sol irradia em nossos olhos interiores. E é dele que procede tudo o que proferimos de verdade, ainda que temamos volver para ele os nossos olhos ainda doentios e recém-abertos, e de o fixarmos face a face. Esse sol revela-se a nós como o próprio Deus, ser perfeito sem nenhuma imperfeição a diminuí-lo.[…] Entretanto, enquanto estivermos em sua busca, somos forçados a reconhecer que ainda não nos saciamos da água dessa fonte. […] ainda não possuímos a plenitude. Porque […] ainda não atingimos a Sabedoria, nem, por conseguinte, a felicidade. […] Pois, a perfeita plenitude das almas, a qual torna a vida feliz, consiste em conhecer piedosa e perfeitamente.16

2. Calvino

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Quanto a João Calvino, a sua obra, Institutas, transparece claramente a presença da epistemologia de Agostinho, contudo, não se utiliza dos silogismos ou formulações metafísicas típicas dos pensadores medievais. Mas isto não significa que em sua obra a epistemologia não tivesse importância central em seus pensamentos. Pois, não é ao acaso que inicia as Institutas revelando-se alguém que não tem pouco conhecimento de Agostinho. Conhecimento capaz de servi-lo a propósito inteiramente bíblico. A sua compreensão das leituras de Agostinho constitui, numa síntese frutífera, naquilo que se poderia considerar uma ‘epistemologia da religião’. Se, em Solilóquios e nas Confissões, Agostinho expõe que a verdadeira e plena Felicidade implica na posse da Sabedoria, Verdade, Deus, tendo como ponto de partida a própria interioridade da Alma e o conhecimento de si mesmo como Imagem de Deus; se Agostinho faz com que a máxima socrática ganhe sentido de introversão como um salto para a transcendência em Deus que é Sabedoria e Verdade, Calvino toma este ponto para a sua epistemologia religiosa.

Como alguém capaz de, não só, sintetizar Agostinho, mas ainda criar sobre este, nas Institutas, o reformador “estrutura o conteúdo da fé cristã por meio de uma ordem temática que seria a do duplex cognitio Dei ou Domini”, ou uma segunda leitura, o duplex contemplando cognitio Dei e autoconhecimento.17  Seja como for, fica claro que para o reformador, o conhecimento de Deus e de nós mesmo são realidades inseparáveis. Assim como em Agostinho, Deus nos fez para Ele e a nossa alma não terá descanso enquanto para Ele não retornar.18  Isto é percebido quando Calvino afirma que,

Quase toda a suma de nossa sabedoria, que deve ser considerada a sabedoria verdadeira e sólida, compõem-se de duas partes: o conhecimento de Deus e o conhecimento de si mesmos. Como são unidas entre si por muitos laços, não é fácil discernir qual precede e gera a outra. Pois, em primeiro lugar, ninguém pode olhar para si sem que volte os seus sentidos para Deus, no qual vive e se move, porque não há muita dúvida de que não provenham de nós as qualidades pelas quais nos sobressaímos. Pelo contrário, é certo que não sejamos senão a subsistência no Deus uno. Ademais, por esses bens, que gota a gota caem do céu sobre nós, somos conduzidos como que de um regato para a fonte.19

Calvino entende que o conhecimento que o homem pode apreender acerca da existência do criador é oriundo tanto da criação como das Escrituras sagradas. E não poderia ser diferente, pois, se o autoconhecimento não precede, necessariamente, aquele conhecimento que o homem tem de Deus, qualquer referência primeira do sujeito poderá levar ao outro. Todavia, o conhecimento que se pode obter de si mesmo não é puro ao ponto de levar o sujeito à contemplação verdadeira do Criador. Parece-nos, então, que embora o duplex seja sem predecessor, a segunda via carece de poder efetivo caso seja uma busca de si e para si mesmo. Calvino afirma que “o homem jamais chega a um conhecimento puro de si mesmo sem que, antes, contemple a face de Deus, e, dessa visão, desça para a inspeção de si mesmo.”20

Ora, este conhecimento natural é claramente visto como ineficaz quanto ao redirecionamento verdadeiro do homem a Deus. Calvino salienta que o pecado teve efeito noético no homem. Aquela estrutura do primeiro homem no Édem, embora existente, fora afetada e agora verte a sua carência da verdadeira realidade. Trata-se, pois, de um conhecimento natural sobre Deus que todos os homens têm. Seja como for, é, portanto, um conhecimento imediato e natural gravado na alma do homem.  Calvino considera tal conhecimento como ‘sensus divinitatis’, pois, se não é capaz de tornar Deus claramente conhecido, ao menos aponta à estrutura que permanece na mente e no coração do homem. Todavia, com o coração apóstata, o que da revelação natural se obtém é o suficiente para alcançar um deus semelhante às próprias limitações ontológicas percebidas na realidade de seu próprio eu.

Consequentemente, aquilo que a razão humana pode alcançar será apenas o reflexo de sua incapacidade de pensar/conhecer Deus. E não seria este movimento epistémico uma inversão  de semelhanças, já apontado por Agostinho? Não se inverte a ordem TU-eu para EU tu? Não seria esta inversão uma idolatria? Sim.  A razão humana cujo ponto de partida epistemológico é o seu ego recusar-se-á a conhecer a Deus. Este é conhecido se, primeiramente, for o próprio Sujeito do conhecimento (não parece haver para Calvino um conhecimento genuíno acerca de Deus sem a piedade).21

O sensus divinitatis é concebido pelo reformador como aquela semente religiosa nos seres humanos. Este impulso natural para o sagrado deve-se a uma determinada estrutura infusão na criação mantida mesmo depois da queda de Adão. Pois, se esteve em Adão primeiramente, significa que a sensus divinitatis é uma estrutura ordenada inerente ao homem como parte da criação. Conforme Calvino, trata-se de uma disposição natural na mente.22  É, portanto, a existência de Deus um pressuposto comum, ao ponto de se poder chamar (esta semente religiosa) de confissão tácita do coração.23

Contudo, afetado pelo pecado, o senso natural da divindade é redirigido para um caminho de oposição a Deus. Com os efeitos noéticos do pecado, aquilo que era óbvio é sobrepujado pelo desejo de satisfazer o ego.24  Como resultado, negar a existência de Deus, é uma decisão deliberadamente contra o Criador; ou, “certo sentimento daquilo que desejam ignorar” (Institutas, I.III.2). Esta ignorância propositada acerca de Deus constitui-se em idolatria.

A questão reside, então, no descomprometimento do coração do homem para com o Criador. Adversamente, o total estado de apostasia do homem para com  Deus não pode ser revertido a menos que o seu coração verdadeiramente O conheça. Mas, embora a semente da religião seja um impulso natural em direção ao sagrado, i.é; o sensus divinitatis seja a razão que direciona o homem a Deus, a mesma estrutura permanece funcional, mesmo quando em direção oposta.  É por isto que, a menos que a revelação divina ou a iluminação interior, através de seu Santo Espírito e de sua Palavra, alcance a natureza humana, esta jamais se voltará a Ele.

Calvino recorda Agostinho quando, no capítulo VI das Institutas revela a natureza de sua epistemologia, ou seja, daquilo que, segundo ele, era o verdadeiro conhecimento de Deus. Já demonstrara no capítulo II que o conhecimento de Deus não era possível ao coração apóstata devido o seu amor ao ego, substituto natural à ausência de Deus em sua estrutura ordenada, ou lei da criação. Todavia, é mediante a iluminação divina no coração do homem através da operação da Palavra e do Espírito Santo que o homem distinguirá acuradamente o conhecimento natural acerca de Deus do conhecimento redentivo. Há, pois, uma religião verdadeira cuja crença não se justifica no conhecimento natural de Deus (deísmo). Conforme observado, os efeitos noéticos do pecado obliteram a analogia do conhecimento do Criador.

E, à semelhança de Agostinho, Calvino infere que a luz que aos olhos de uns faz bem, aos outros, desperta o anseio pela sombra.27 Uma vez os olhos dos pecadores afetados pela Palavra de Deus, a natureza torna-se o Seu livro. Com as lentes da fé, a natureza não revela apenas um Deus Criador, mas Redentor, uma vez que o conhecimento natural não o pode revelar (I.VI.3).

Todavia, não se pense que o conhecimento que se obtém acerca de Deus seja especulativo ou puramente científico. Calvino exorta que o único conhecimento que se pode ter de Deus não o põe como objeto da Ciência. Não se trata de um conhecimento exaustivo, mas, esvaziamento da orgulhosa razão humana e confiante entrega a Deus. Pois,

[…] para que a verdadeira religião resplandeça em nós, é preciso que ela seja o ponto de partida da doutrina celeste, pois não pode provar sequer o mais leve gosto da reta e sã doutrina, senão aquele que se tornar discípulo da Escritura. Pois, o princípio do verdadeiro entendimento vem do fato de abraçarmos, reverentemente, o que Deus testifica de si mesmo na Escritura. Da obediência à Palavra de Deus nascem não somente a fé consumada e completa, em todos os seus aspectos, mas também todo o reto conhecimento de Deus. […] Importa irmos à palavra na qual, de modo vivo e real, Deus se apresenta a nós em função de suas obras, ao mesmo tempo em que essas obras são apreciadas, não segundo o nosso julgamento corrompido, mas de acordo com a norma da verdade eterna.28

Assim, o conhecimento de Deus é sempre um convite, nunca um caminho aberto pela especulação sagaz. Importa, porém, o coração como parte ímpar nesta relação. Destarte, se a natureza expressa o seu Criador, resulta lógico que não é por demonstrações lógicas que convencerá o homem acerca de Sua existência (I.V.8ss).

Ora, que tipo de conhecimento poderá o homem caído obter acerca de seu Criador? Calvino parece fazer um contraste entre o conhecimento que Adão tinha de Deus antes e depois da queda (I.XV; II.II, V).

Segundo Fabiano Almeida, o autoconhecimento consiste basicamente num procedimento de autorreflexão ou autoanálise que nos leve ao reconhecimento de nossa dignidade original ou “nobreza primeva”, como seres criados à imagem e semelhança de Deus, e também ao reconhecimento da miserabilidade da nossa condição pós-lapsária (II.I.1-2). Tal sondagem interna viabiliza pela “norma do juízo divino” (pela revelação), visa à manutenção do conhecimento e do senso de humildade em oposição a uma autoimagem equivocada fundada no orgulho e na presunção, bem como serve de estímulo a que se confie na graça (II.I.3). A consequência prática desse procedimento é levar o homem a uma avaliação, a mais próxima e honesta possível, de sua condição original e da sua condição atual, para que se possa reconhecer o fim para o qual foi criado […] suas “carências de capacidades”, com o objetivo de que se perceba, à luz dessa autoimagem, “qual seja seu dever e de que recursos dispõe para desempenhá-lo.29

A alienação de Deus foi uma das consequências imediatas do pós-queda. Uma vez demonstrado que o homem é um ser para Deus, a sua alienação não remete apenas uma de suas partes constitutivas, isto é, a alma (conforme Agostinho). O homem se projeta em dimensões que se eleva para além do dualismo escolástico, isto é, corpo-alma. O estatuto ontológico do homem é religioso. Adão fora criado para se relacionar com o Deus Criador por meio de tudo aquilo que lhe remeteria Glória. Portanto, tudo aquilo em que o homem se relaciona na criação é sempre relação EU-Tu; sempre religioso e resguardado a distinção entre o Criador e a criatura.

Uma vez que o homem caído é redirecionado para outra fonte de dependência (que não Deus), todas as faculdades de seu ser podem ser vistas como vontade e entendimento. A primeira é orientada pelo entendimento – guia discernidor da realidade humana (I.XV.7). Deste modo,

As faculdades da alma estão sediadas na mente e no coração, consideremos agora de que poder se reveste uma e outra dessas partes do ser. Na verdade os filósofos imaginam com avultado consenso que é na mente que se radica a Razão, a qual, à semelhança de uma lâmpada, ilumina a todas as decisões, e à maneira de uma rainha governa a vontade.30

Com “coração”, Calvino significa que o homem inteiro está comprometido com a sua incapacidade de apreender a relação com Deus, ou seja, conhecê-lo verdadeiramente, pois o seu coração está tão habitado pelo pecado que a sua inclinação religiosa natural se opõe a Deus. A partir deste ponto, Calvino infere que não pode haver conhecimento algum que não implique em uma crença apóstata da lei divina (II.II.5). Agostinho mesmo aludiu ao fato desta procura por Deus, quer consciente, quer inconsciente.31

Seja como for, todos os juízos emitidos pelo entendimento são dirigidos por uma vontade corrupta e, portanto, comprometida com o engano (II.II.5). Sobre o mesmo matiz de fé inicial habitada na realidade Adão-Deus, o homem pós-queda é redirecionado pela vontade que se opõe a Deus: Aquele que a vontade mesma realmente almeja alcançar. Assim, não se trata de um intelecto que domina a vontade; antes, é a vontade que exerce poder sobre o mundo que o entendimento relaciona consigo e com Deus. É por isso que somente pela iluminação interna no coração o homem poderá redirecionar a sua vontade ao conhecimento verdadeiro de Deus.

Ora, conceber uma vontade que precede o entendimento implica numa epistemologia que não permite a existência de qualquer razão que pretensamente se denomine autônoma. Isto se deve ao fato de Calvino eliminar qualquer distinção entre o conhecimento puro da razão acerca daquele conhecimento que se dá no coração (fica aqui certo grau de rompimento teórico entre Calvino e Agostinho).

A fé assume o lugar da Razão na função de levar o homem ao conhecimento, seja a área que for. Calvino estabelece que a crença básica das ciências e da fé é um mesmo instrumento para se chegar com o conhecimento de Deus, porém, seguem redirecionamentos opostos.  Somente a fé, fruto da Revelação de Deus, poderá chegar ao conhecimento genuíno do Criador.

O conhecimento, pois, se dá numa condição religiosamente orientada; por isso, ao homem cabe indo além da revelação da natureza, do senso da divindade e da semente da religião. O homem, assim, deve estar cônscio dos significados criacionais estabelecidos por Deus e pré-interpretados na revelação das Escrituras. Destarte, conhecer pressupõe piedosa submissão. A epistemologia de Calvino considera o instinto religioso profundo incapaz de ser erradicado do coração. Há uma orientação religiosa elementar que impossibilita qualquer reivindicação de neutralidade na atividade teórica.32

3. Herman Dooyeweerd

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Herman Dooyeweerd duvida que haja uma tal Razão que se erga absolutamente vazia de pressuposição acerca da realidade que envolve o sujeito pensante. Haja vista que, a possível existência desta autonomia consistiria em erro e perigo sistêmico em si mesmo. A presunçosa autonomia não pode garantir uma base comum a diferentes tipos de filosofia. Se todas as filosofias que pretendessem escolher seu ponto de partida exclusivamente no raciocínio teórico não tiver profundas pressuposições, seria possível assentar cada argumento filosófico entre si em um caminho teórico. Todavia, tem-se como exemplo a modernidade, a qual tem em Descartes o exemplo de um método que ocasiona a subjetividade e o ceticismo.

Em outra obra, Estado e Soberania, o filósofo explica que a concepção teórica da realidade, a partir da qual diferentes ramos da ciência tomam seus pontos de partida, nunca é neutra com relação à religião, sendo intrinsecamente dominada por motivos básicos religiosos por meio dos quais a atividade de pensamento científica adquire sua força motriz principal. Aqui reside o ponto de contato íntimo e necessário entre religião e ciência.33

O que Dooyeweerd procura demonstrar é que, no método crítico transcendental, a filosofia, bem como todas as ciências, estariam carregadas de pressuposições religiosas que determinariam tanto a direção como os resultados da Ciência. Ele admitia que tudo na vida e no mundo tem uma raiz religiosa; ou seja, está envolto por um campo de significado de natureza religiosa, inclusive o desenvolvimento da cultura em todas as suas manifestações, até mesmo no domínio pretensamente neutro das ciências naturais.34

Aliás, segundo o filósofo, a história da ciência e da filosofia se sustentou por mais de 2500 anos por meio de sínteses imanentistas, todavia, com atitudes tacitamente antitranscendental. Para ele, a forma de compreensão da complexidade da realidade fora reduzida à esferas individualizadas dogmatizando apenas a pretensa autonomia da Razão. O filósofo que fosse sincero perceberia que alegar a existência apenas no aspecto (imanente) contingencial implicaria em uma tentativa reducionista da realidade. Tal tentativa reducionista acaba por obliterar a própria estrutura da realidade. É neste ponto que Dooyeweerd vai além de Kant e Husserl, pois, segundo ele, a própria crítica transcendental deveria servir como ponto arquimediano para a própria atitude teórica.

A história do mundo ocidental fora claramente marcada pela síntese imanência- transcendência; desde os pré-socráticos aos contemporâneos. A começar pela matéria-forma, estendendo-se à natureza e graça entre os medievais, à modernidade com a doutrina natureza-liberdade. A síntese sempre foi uma necessidade de transcendência para a razão. Portanto, a realidade sempre exigiu pressupostos dos homens acerca de sua leitura na natureza. Trata-se de um comprometimento religioso, quer se queira ou não. Nem mesmo Kant, com a CRPr, pode se livrar de seu compromisso religioso quando deu a Religião um lugar nos fundamentos morais. A síntese feita pelo conhecimento a priori, o Eu transcendental que se evade ao sujeito transcendental acabam por exigir, por si mesmos, uma realidade que está para além deles. Se não for assim, a referência que o Eu Transcendental faz de si mesmo se torna vazia. Ernst Tugendhat critica a ‘autorreferência’ do sujeito transcendental em Kant.

Segundo Tugendaht, Kant pensou poder solucionar o problema […] ao propor fundamentar o juízo moral em uma premissa que simplesmente representa a própria ideia do estar fundamentado, a razão. Seria possível resumir sua ideia do seguinte modo, caso sejamos racionais de um modo geral, então devemos reconhecer a validade dos juízos morais, respectivamente, daqueles juízos morais que Kant considera corretos. Veremos que esta ideia, que também é representada atualmente e em uma forma modificada pela ética do discurso, é uma verdade genial, mas é um equívoco. Da ideia de estar fundamentado enquanto tal, caso se possa imaginar algo por isto, não pode derivar nada de conteúdo. Além disto, também veremos que é igualmente absurda não apenas a ideia de um fundamento “de cima”, não mais condicionado, mas também a ideia de que o dever ou o ter de moral possua um sentido não condicionado, que pesaria sobre nós de alguma forma absoluta, como um, a voz naturalizada de Deus- e a ideia de Kant de uma razão não relativa conduz aproximadamente a isto – não é possível.35

Embora Dooyeweerd não concorde com Tugendhat, antes aceite a iniciativa de Kant quanto a crítica transcendental, ele não deixa de perceber o mesmo vazio de significado existente na noção do ‘eu pensante’.36

Dooyeweerd considera que a direção concêntrica do pensamento teórico sobre o ego humano não pode se originar da própria razão teórica. No entanto, é necessária a autorreflexão, por meio da crítica transcendental, para revelar o ponto de partida real do pensamento filosófico. Kant não levantou o problema mencionado, uma vez que assumia o dogma da autonomia do pensamento teórico. Portanto, ele foi obrigado a buscar o ponto de referência central na síntese teórica no aspecto lógico do pensamento, que ele denomina entendimento. […] mas esse “eu penso” é, de acordo com ele, apenas aquele polo lógico subjetivo do pensamento o qual nunca pode ser objeto de meu pensamento, uma vez que este é o centro lógico a partir do qual todo o ato de pensamento tem que se originar. 37

Segundo a teoria Dooyeweerdiana, Kant precisa distinguir o eu lógico transcendental daquele que pode ser percebido pelos dados empíricos. Portanto, o eu transcendental não é contingencial, mas “um sujeito lógico- teórico ao qual toda a realidade poderia ser oposta como seu contrapolo objetivo […].”38

Ora, o “eu penso”39  não é um sujeito noumênico, mas apenas o sujeito transcendental. O que se tem, mais uma vez, é a distinção entre imanência -transcendência- o que pode sugerir que Kant faz uma síntese entre os dois sujeitos.40  Percebe-se que Kant pressuposicionou a existência do eu transcendental para que a autonomia do pensamento teórico (crítico) continuasse a funcionar.41

A antítese oriunda da irredutibilidade do eu a uma única modalidade das experiências empíricas continua a marcar a ausência de um ‘eu’ na relação sujeito-objeto.42  Na relação eu-tu, o sujeito é confrontado com aquele tipo de ego desconhecido por ele mesmo. O que se terá é uma relação vazia entre eu-tu.43

Conforme o filósofo, a relação ‘eu-tu’ só existe, portanto, porque se deriva da terceira relação que aponta para além do ego humano. Dooyeweerd não se preocupa em falar que a origem é divina. Pois, à semelhança de Agostinho e Calvino, Dooyeweerd acredita que o indivíduo só tem a correta percepção de seu eu na correta relação com o Criador. Tal relação é possível devido ao Imago Dei; isto é, há uma relação central entre o ego humano e Deus. A naturalidade com a qual o filósofo assume sair da esfera filosófica é devido as limitação da filosofia (já exposta na crítica ao transcendencialismo kantiano). É assumido que “apenas o eu pensante é capaz de uma autorreflexão crítica.”44  Se o eu pensante faz parte da realidade do ‘eu’ que se vê limitado ao horizonte temporal, resulta que: na absolutização de um dogma filosófico, ou na afirmação de que essa relação se dá mediante EU-eu-TU, ou seja, Deus-eu-Deus, absolutizar o eu será “nadificá-lo”. A fim de não o “nadificar”, restará encontrá-lo na imanência. Mas, se assim o fizer,

Tal reflexão abandonará a atitude crítica e fará do ego central um ídolo, absolutizando um dos aspectos modais de nossa consciência temporal. E aqui está a origem de ídolos tais como o ego psicológico, o lógico-transcendental, o histórico e o moral.45

Ora, o ‘eu absolutizado’ aponta para a existência de uma estrutura religiosa fundada no eu humano. Dooyeweerd o chama de “impulso religioso inato do ego”. O impulso religioso se mantém ainda que negada a sua estrutura básica. Isto significa que o homem tem uma relação de profundo compromisso com aquela leitura da realidade que julga como verdadeira.

Há, portanto, um compromisso religioso do eu humano para com a sua realidade. Esta, porém, só tem significado suficiente se ligada ao Criador. É este que lhe dá caráter ontológico. O filósofo mantém, pois, a noção de significado da doutrina da iluminação interna de Agostinho, bem como, a doutrina da referência ontológica de Calvino. Deste modo, Dooyeweerd define a Religião como a natureza essencial da própria realidade na sua relação inseparável com aquele que a criou, pois tudo existiria “por causa de”, “em’ e “para” Deus.

Uma vez provado que o ponto de partida real do pensamento filosófico não pode ser o ego humano, a fé cristã pode assumir ‘pressupostos’ tão firmes quanto a pretensa Razão. Em termos teológicos, é possível dizer que no início de todas as coisas Deus estabeleceu um pacto envolvendo a humanidade e a criação na pessoa de seu representante, Adão; é justamente este caráter pactual que confere à criação esta condição coram Deo, e isso é religião. Por isso, tudo o que o homem faz, o faz para a glória de Deus ou para a sua desonra. De outro modo, as absolutizações do relativo não são nada mais do que a direção apóstata do impulso religioso do ego humano.46

O motivo básico religioso é sustentado por Dooyeweerd mediante a teoria da Ideia Cosmonômica.47  A teoria da Ideia perfaz a expectativa frustrada pela procura concêntrica pelo eu dentro de uma modalidade temporal.48  A Ideia de LEI corrobora que só existe o ‘eu’ verdadeiramente em referência a Deus. O sujeito é criado com tal estrutura contingencial que a própria noção de si mesmo não é para si, mas para Deus.

Nesse passo, Dooyeweerd deseja chegar à condição que possibilita a autorreflexão, e que é tão necessária à síntese teórica. Ele sustentará que o conhecimento do “eu” está intrinsecamente relacionado ao conhecimento de sua origem, pois o “eu” em si mesmo é completamente vazio e sem significado, exceto na relação com a sua origem. Este “eu” aponta para a sua origem e dela deriva o seu significado. De acordo com Dooyeweerd, existiria uma lei interna neste processo de conhecimento chamada de “Lei da concentração religiosa”, que seria a responsável em ligar o autoconhecimento humano ao conhecimento de sua origem. Isso quer dizer que o pensamento teórico é determinado pelo conhecimento do “eu”, que, por sua vez, é determinado pelo conhecimento da sua origem ou pseudo-origem, a quem permanece necessariamente conectado.49

O conhecimento a priori de Kant, neste ponto, ainda permanece verdadeiro. Todavia, o que tornaria possível toda a experiência humana neste mundo, incluindo o pensamento teórico, aquilo que Dooyeweerd chamou de Ordem de Lei ou Ordem divina da criação, se dá fora do sujeito e, não mais como uma condição do pensamento (eg. tempo e espaço). A estrutura da Lei responde à carência de significado sintético de transcendência e imanência do eu.50  Deus estruturou e sustenta a sua criação através de leis inalteráveis que manifestam a sua soberana vontade criacional.

Pode-se inferir que no tempo onde a realidade do significado ôntico se realiza não há distinção entre tempo-mundo; tudo é contingencial no tempo.51  Logo, para Dooyeweerd, o tempo e o espaço são uma realidade fora do eu, e não uma categoria da mente. O sujeito e o tempo fazem parte da estrutura cósmica do significado instituído por Deus. O sujeito percebe-se dentro de um relacionamento sobre estruturas modais onde a totalidade da criação de Deus se manifesta. Portanto, ao se dirigir ao homem como ‘eu contingencial’, carente de significado à parte de Deus, quer-se significar que o homem não é parte de uma realidade52  criacional onde é coisa, mas também, sujeito relacional: Eu-eu-TU.53

Portanto, o conhecimento que o eu pode ter de si mesmo dependerá de sua relação com Deus. Uma vez que a Lei estrutura toda a existência sob as esferas criadas e mantidas por Deus, todo o conhecimento que o homem tiver de si mesmo e do mundo será inteiramente comprometido com uma visão religiosa.54  Assim, exige-se do eu um ultrapassamento55  das condições temporais para a supratemporal. Este ultrapassamento é determinado, inerentemente, pelos motivos básicos religiosos.56

Foi a queda do homem que gerou uma antítese religiosa irreconciliável em todos os setores da cultura e da sociedade, a oposição entre o Reino de Deus no mundo, representado pela Igreja, e o império idolátrico das trevas. Este conflito se desenrola na criação; esta é a arena onde se dão os embates espirituais.

Portanto, o pensamento teórico, bem como toda a experiência na sua integralidade, tem uma raiz religiosa. Isto prontamente rejeita a absolutização da razão e desenvolve a crítica transcendental do pensamento teórico. Não existe, pois, a neutralidade e autonomia do pensamento teórico, mas, sim, pressuposições religiosas centrais. Tais pressuposições são, na verdade, oriundas do relacionamento do eu com a sua origem, uma vez que, em si mesmo, o ‘eu’ é completamente vazio.57

Conforme observado, a desarmonia do eu e sua referência imediata a Deus é, pois, resultado da queda do primeiro homem, Adão. O rompimento do homem com a sua Origem ontológica levou-o inevitavelmente a perda de sua identidade. Conforme Dooyeweerd,

A questão: quem é o homem? contém um mistério que não pode ser explicado pelo próprio homem. […] o que é o próprio homem na unidade central de sua existência, em seu ego? Essas ciências não têm uma resposta. A razão disso é que elas estão limitadas à ordem temporal da nossa experiência. Nesta ordem temporal, a existência humana apresenta uma grande diversidade de aspectos, assim como todo o mundo temporal no qual o homem se encontra. […] todos esses aspectos da experiência e existência na ordem do tempo relacionam-se à unidade central de nossa consciência, a qual denominamos eu, ou ego. […] O ego não deve ser determinado por nenhum aspecto de nossa experiência temporal, uma vez que é o ponto de referência central de todos eles. Se ao homem faltasse esse eu central ele não poderia, de fato, ter qualquer experiência.58

Portanto, uma autorreflexão filosófica, per si, não levará o eu ao autoconhecimento, posto que, a concepção de mundo está ligada ao conhecimento de seu Criador (como imagem e semelhança de Deus). Deus revela o homem ao próprio homem. Deus é, pois, o Eu mais íntimo no próprio princípio constitutivo de ser, tal como pensavam Agostinho e Calvino.
Fica claro, então, que não há um caminho entre a natureza e a graça capaz de guiar o homem ao seu autoconhecimento, senão, pelo conhecimento de Deus. Este conhecimento se mantém o mesmo, tal como no primeiro homem.  Mas, por que o homem perdeu a referência de si mesmo em Deus? Segundo Dooyeweerd,

A queda no pecado não pode ser resumida como uma ilusão surgida no coração humano, quando o eu humano creu possuir uma existência absoluta como o próprio Deus. […] o eu humano não é nada em si mesmo e pode apenas viver da palavra de Deus e na comunhão amorosa com seu Criador divino. Entretanto, o pecado original não poderia destruir o centro religioso da existência humana e o seu impulso religioso inato de buscar a sua origem absoluta. Ele poderia apenas conduzir esse impulso central para a direção falsa, apóstata, desviando-se em direção ao mundo temporal com sua rica diversidade de aspectos, os quais, entretanto, tem apenas um sentido relativo.

O autoconhecimento só é possível, portanto, numa autorreflexão teorreferente na busca pelo eu humano em toda a sua dimensão temporal. Porém, a questão do homem não pode ser respondida pelo próprio homem, mas depende da ‘palavra-revelação’ que mostra a raiz religiosa e o centro da natureza humana em sua criação, queda e redenção (impossível maior comprometimento com crença!).59

Conclusão
Portanto, a epistemologia reformada esposada por Dooyeweerd tem raízes na tradição agostiniana e calvinista,60  visto que concebe a centralidade, a imediação e a vitalidade do conhecimento de Deus na atividade teórica. Ele não apresentou a crença cristã como, meramente, uma decisão religiosa dogmática ou uma doutrina teológico-calvinista; antes, expôs o teísmo cristão como um tema teórico digno de apreciação acadêmica.

Laconicamente, Agostinho, Calvino e Dooyeweerd, nas devidas teorias/filosofias, carregam juntos a afirmação de que todo e qualquer conhecimento humano se dá precisamente pela garantia do conhecimento primeiramente de seu Criador.61  Agostinho diz em oração: “fizestes o homem a tua imagem e semelhança, fato este que é reconhecido por aquele que se conhece a si mesmo. É Deus quem sustenta toda a realidade cognoscente da autorreflexão do eu humano. A crença não pode, então, reduzir-se ao fideísmo teológico, mas pode apresentar-se como fundamento para qualquer pressuposto teórico crítica, assim como faz a razão soberba.

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1AYUD, Cristiane N. Abbud, Iluminação Trinitária em Santo Agostinho. São Paulo: Paulus, 2011.p. 146-148: “Agostinho descreve a situação do pecado como fratura íntima da vontade, traduzida em uma rixa entre duas vontades humanas e antagônicas, combatendo e fragmentando a mesma força e adesão a Deus- atinente à finalidade transcendente constitutiva de sua natureza por isso também imanente)- e o peso do afastamento do Criador, manifesto no esquecimento de sua natureza.  Ademais, na narração bíblica, a cisão é referida pela abertura dos olhos de Adão e Eva como consequência do pecado. Inaugura-se, então, a visão dirigida pela concupiscência resultantes da morte da carne. Visão voltada para fora, visão da vergonha […] que faz o homem se sentir desapropriado ao olhar divino e querer se esconder de quem é onipresente. movido por essa “contra vontade” que permeia e rege as sensações , sob o julgo da lei dos membros que repugnam a lei da mente […], exteriorizado e exilado da íntima fonte de Sabedoria, cada homem será nocivo  si mesmo. Desse modo, a vontade ímpia e perversa do homem corrompido não dispõe de recursos  próprios para se voltar  para Deus. […]. Os homens serão “renovados  no conhecimento de Deus segundo a imagem deste que o criou. Esse aspecto da trajetória humana define o modo da relação entre Deus e o homem, como reconhecimento não apenas da transcendência e imanência de Deus, mas da necessidade se conceder maior importância à força contribuinte ao completamento do ideal da vida humana em detrimento do peso mortal da soberba.”
2Idem, pp.65-100.
3AYUD, Cristiane N. Abbud, Iluminação Trinitária em Santo Agostinho. São Paulo: Paulus, 2011. pp.148,149.
4AGOSTINHO, Soliloquios e a vida feliz, São Paulo: Paulus, 1998. p.21.
5GILSON, E., BOEHNER, P., História da filosofia cristã: Desde as origens até Nicolau de Cusa. Petrópolis: vozes, 1988, pp. 167,169.
6AGOSTINHO, Confissões, XL,10.
7GILSON, E. BOEHNER P. A história da filosofia cristã: Desde as origens até Nicolau de Cusa, Petrópolis: vozes, 1988, pp.186: “Simples sinais ou acenos de Deus, todas as criaturas apontam para além de si mesmos, e nos convidam a regressar a Deus. Agostinho não cessa de insistir no caráter obrigatório deste retorno. Não deve o homem deter-se nas criaturas, nem repousar nelas. Não quer isto dizer que não nos possamos regozijar nas coisas criadas. Agostinho guardou-se de cair no extremo oposto do seu materialismo e sensualismo de outrora, e está longe de condenar como impuro todo contato com as coisas criadas. Pois as criaturas são vestígios de Deus; nelas resplandece a sabedoria e a bondade do Criador, para grande regozijo dos espectadores. Não há criatura que não nos fale de Deus: Quoquo enim te verteris, vestigiis quibusdam quae operibus suis impressit, loquitur  tibi. Por isso Deus não proíbe o amor às criaturas, suposto que não nos amemos em detrimento de nosso fim último.”
8AGOSTINHO, Soliloquios e A vida feliz, São Paulo: Paulus,1998, p. 23.
9AGOSTINHO, Soliloquios e A vida feliz, I,2 . São Paulo: Paulus,1998, p. 16.
10Idem, p.158ss.
11Ibidem, pp.155,157.
12Ibidem, I, 3: “Por isso, a falsidade não está nas coisas, mas no sentido, pois não se engana aquele que não assente às coisas falsas. Conclui-se que uma coisa somos nós, outra coisa o sentido, pois, quando ele se engana, nós podemos não nos enganar.”
13AGOSTINHO, Soliloquios e A vida feliz, São Paulo: Paulus,1998, p.29.
14AGOSTINHO, Confissões, I, 1: “Tu o incitas para que sinta prazer em louvar-te; fizeste-nos para ti, e inquieto está o nosso coração, enquanto em ti não repousar.”
15ZILLES U. Teoria do conhecimento, Porto Alegre: EDIPUCRS, 2006, p.106: “[…] a verdade existe independente de nós, e nos ilumina, de forma que já sempre a atingimos por mais íntimo que seja esse conhecimento. […] Por serem ideias absolutas, necessárias e imutáveis, não podem existir algo superior a elas, de que elas por sua vez dependessem. Logo, elas provam a existência necessária duma realidade absoluta e eterna, imutável, cuja essência elas constituem. Ora, essa realidade é só Deus. Ao lado de Deus não podem existir realidades absolutas, i.é, que dele não dependam. Desse modo, as ideias absolutas só podem em Deus e com ele identificar-se. Isto significa que o último fundamento da verdade humana é afinal Deus mesmo. Como Deus com a criação transmite o ser às outras coisas, assim enquanto é Verdade, transmite às mentes a capacidade de conhecer a verdade. Deus ilumina-nos como verdade, nos atrai e nos dá paz e amor.”
16Idem, 154.
17OLIVEIRA, F. A. Apontamentos introdutórios sobre a epistemologia religiosa de João Calvino nas Institutas da religião cristã. IN Calvino e a influência de seu pensamento. São Paulo: Mackenzie, 2012, pp.157-195.
18AGOSTINHO, Confissões, São Paulo: Paulus, 1984, I.1
19CALVINO, J. A Instituição da Religião Cristã, I, L. I e II. São Paulo: UNESP, 2008, p.37.
20Idem, p. 38.
21Ibidem, I.2, p. 40: “Entendo por conhecimento de Deus não só conceber que algo seja Deus, mas também compreender o que, no conhecimento acerca dele , nos convém saber, o que é útil para a sua glória, e por fim, o que é necessário. […] falo tão somente daquele conhecimento primeiro e simples, para o qual nos conduziria a genuína ordem da natureza se Adão se tivesse mantido íntegro.
22CALVINO, J. A Instituição da Religião Cristã, São Paulo: UNESP, 2008, Tomo I, L. I.III.1p.43.
23Idem.
24Ibidem, IV.1: “Quanto ao que foi dito, que pelo erro alguns caíram na superstição, não considero que sua ignorância os exima do pecado, porque a cegueira que possuem, quase sempre está acompanhada pela vaidade da soberba e pela contumácia. a vaidade unida à soberba mostra-se nisto: os homens miseráveis, na busca de Deus não se elevam acima de si, como seria esperado, mas querem medi-lo segundo a dimensão de seu entorpecimento carnal. Negligenciada a verdadeira procura, passam por alto […]. Assim, não apreende a Deus tal como ele se oferece, mas o imaginam tal como o fabricam em sua temeridade.
25AGOSTINHO, Confissões, X. 27: “Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova” Tarde demais te amei! Eis que habitavas dentro de mim e eu te procurava do lado de fora! Eu, disforme, lançava-me sobre as belas formas das tuas criaturas. Estavas comigo, mas eu não estava contigo. Retinham-me longe de ti as tuas criaturas, que não existiriam se em ti não existissem.”
26Ibidem, I.V,VI.
27AGOSTINHO, Soliloquios e A vida feliz, II. 13. São Paulo: Paulus,1998, p.45.
CALVINO, J. A Instituição da Religião Cristã, São Paulo: UNESP, 2008, Tomo I, L. I.VI.1;II, 19, pp.64ss.
28CALVINO, J. A Instituição da Religião Cristã, São Paulo: UNESP, 2008, Tomo I, L. I.VI.3, pp.68.
OLIVEIRA, F. A. Apontamentos introdutórios sobre a epistemologia religiosa de João Calvino nas Institutas da religião cristã. IN Calvino e a influência de seu pensamento. São Paulo: Mackenzie, 2012, pp.157-195.
29OLIVEIRA, F. A. Apontamentos introdutórios sobre a epistemologia religiosa de João Calvino nas Institutas da religião cristã. IN Calvino e a influência de seu pensamento. São Paulo: Mackenzie, 2012, pp.157-195.
30CALVINO, J. A Instituição da Religião Cristã, São Paulo: UNESP, 2008, Tomo I, L.II;II, 2, p.41.
31AGOSTINHO, Solilóquios e a vida feliz, II.2.p.16.
32JUNIOR, J.C. Piacente. A Herança epistêmica Agostiniana- Calvinista em Alvin Plantinga, Fides Reformata xv, nº 2, 2010, pp. 21-42.
33DOOYEWEERD, H. Estado e Soberania: ensaios sobre cristianismo e política. São Paulo: Vida Nova, 2014, p.127.
34DOOYEWEERD, H. INN: http://www.academia.edu/5177171/Os_Conceitos_Analógicos_1, acesso em 02/03/2015: “[…] o filósofo holandês Herman Dooyeweerd, fundador da escola de “filosofia cosmonômica” (wijsbegertee der wetsidee) expõe uma das ideias centrais de seu sistema de filosofia crítica. A sua crítica constrói-se sobre a análise do significado atribuído aos conceitos básicos das ciências. O filósofo observou que a experiência temporal do homem apresenta uma diversidade coerente de modalidades ou aspectos, e que a intuição original desses aspectos encontra eco em certos conceitos fundamentais que permanecem inelutavelmente ambíguos até que sejam qualificados a partir dessas modalidades. Esses seriam os conceitos analógicos, utilizados em todas as ciências, mas com sentidos distintos conforme a modalidade experiencial em consideração. Segundo Dooyeweerd, diversos desvios fundamentais são cometidos no universo do pensamento teórico pelo emprego acrítico desses conceitos analógicos, do que ele oferece uma variedade de exemplos de diversos campos de investigação. Na última parte do artigo Dooyeweerd trata especificamente da ideia metafísica de Ser, e do conceito de “analogia entis” que ele responsabiliza em parte pelo obscurecimento da questão dos conceitos analógicos na tradição filosófica. O filósofo traça as origens da idéia de Ser ao dualismo religioso grego de matéria e forma, e demonstra como o mecanismo da “analogia entis” foi criado para superar (sem sucesso) esse dualismo. A ideia de Ser não somente é incapaz de representar a unidade radical do sentido, implícita nos conceitos analógicos, como também tenta ilegitimamente incorporar Deus e a criatura em um único campo de sentido.”
35TUGENDHAT, Ernst. Lições sobre ética, Vozes: Petrópolis, 2003, p.24: Tugendhat estaria sugerindo que Kant substituiu Deus pela Razão?
36DOOYWEERD, H. No crepúsculo do pensamento ocidental: estudos sobre a pretensa autonomia do pensamento filosófico, São Paulo: Hagnos, 2010, p.23:“Originalmente, estive sobre forte influência, primeiramente da filosofia neokantiana e, depois, da fenomenologia de Husserl. A grande virada em meu pensamento foi marcada pela descoberta da raiz religiosa do próprio pensamento, quando também uma nova luz foi lançada sobre a derrocada de todas as tentativas, incluindo a minha própria, de estabelecer uma síntese interna entre a fé cristã e uma filosofia que é radicada na fé e na autossuficiência da razão humana. Vim a compreender o significado central do “coração”, repetidamente proclamado nas santas Escrituras, como raiz religiosa da existência humana.”
37Idem,pp.72,72.
38Ibidem. p73.
39COLOMER,E. El pensamento alemán de Kant a Heidegger: A filosofia Transcendental: Kant,Barcelona: Ed. Herder, 1986, v.I, p..121: “Por isso, Kant chama o “eu penso” ou a ‹‹ unidade sintética da apercepção›› o princípio mais alto em todo o conhecimento humano. Com efeito, a sua luz, o entendimento se converte na faculdade de enlaçar a priori e reduzir o múltiplo de suas representações dadas, sob a unidade da apercepção.
40Ibidem.pp .127,128: “Kant, […] depreciou a imagem científica da natureza, restringindo-a ao mundo do fenômeno sensível. […] liberdade e autonomia não pertencem ao mundo da natureza, mas, sim, ao reino suprassensível da ética […]. A liberdade humana […] é uma ideia da razão prática que não pode ser provada nem refutada pelo pensamento científico, uma vez que o último é restrito ao mundo sensório da natureza. O Deus kantiano não é mais o divino geômetra. ele se tornou, agora, a imagem deificada da personalidade humana livre a autônoma em seu aspecto ético. a ideia de Deus é […] um requisito para a razão humana prática, ou seja, de uma ética autônoma. […] Assim, o conflito interno entre motivo  da natureza e liberdade no ponto de partida religioso do humanismo levou Kant a uma visão de mundo fortemente dualista. […] E essa separação correspondeu à separação kantiana entre fé e ciência, que por sua vez, tinha o pano de fundo religioso.
41Ibidem. pp.75,77.
42Ibidem. pp.77: Conforme Dooyeweerd: “o caráter enigmático do eu”.
43DOOYWEERD, H. No crepúsculo do pensamento ocidental: estudos sobre a pretensa autonomia do pensamento filosófico, São Paulo: Hagnos, 2010, p. 247.
44Idem. 81.
45Ibidem.
46DOOYWEERD, H. No crepúsculo do pensamento ocidental: estudos sobre a pretensa autonomia do pensamento filosófico, São Paulo: Hagnos, 2010, p94.
47Por motivos deobjetividade as escalas modais não serão aqui apresentadas em detalhes, mas apenas consideradas na Filosofia da Lei Cosmonômica. Em fim, estarão implícitos os aspectos modais na noção de Ordem de Lei.
48ALMEIDA. F. Philosophando Coram Deo: Herman Dooyeweerd, Fides Reformata xi, nº 2 (2006): 94,95: “Este passo demonstrará que o conhecimento teórico do mundo, que acontece através de uma síntese teórica intermodal, é dependente de um ponto de partida que ultrapasse ou transcenda os limites da coerência de significado da diversidade modal do tempo cósmico. Este ponto de partida só pode ser o eu” essencialmente religioso, o coração humano revelado pela Escritura, sendo, por isso, necessário conhecê-lo verdadeiramente para que se tenha um conhecimento satisfatório do mundo. Só deste ponto privilegiado é possível reunir, sinteticamente, os aspectos lógicos e não-lógicos da experiência, que foram abstratamente distinguidos e separados um do outro na antítese teórica. Em suma, o segundo passo da crítica levará àquela condição possibilitadora da síntese teórica, o “eu” humano que é o ponto de partida que transcende toda diversidade temporal e que, por isso mesmo, torna a síntese teórica possível. Isso quer dizer que sem  uma reflexão crítica sobre o “eu” não pode haver reflexão verdadeira sobre a  totalidade de significado do mundo ou, em outras palavras, não pode haver  verdadeira filosofia.”
49ALMEIDA. F. Philosophando Coram Deo: Herman Dooyeweerd, Fides Reformata xi, nº 2 (2006): 95
50DOOYWEERD, H. No crepúsculo do pensamento ocidental: estudos sobre a pretensa autonomia do pensamento filosófico, São Paulo: Hagnos, 2010, pp.245-256: Lembremos que esta síntese em Kieerkegaard foi superada pelo “salto da fé” e que, todavia, não parece ter solucionado o problema. Antes, a transição episteme- ontológica foi mais abrupta.
51KANT, I. Realidade e existência: lições de Metafísica: introdução e ontologia. São Paulo: Paulus, 2002, pp. 64,65:“A conformidade de um objeto com as condições da sua pensabilidade é o que o torna possível; a realidade, ao contrário, é posição absoluta, isto é, o objeto é posto em si e não em relação com o pensamento. A realidade, à medida que possa ser conhecida a priori, é a necessidade. Esta necessidade pode ser hipotética, quando a existência de uma coisa é conhecida a priori relativamente (secundum quid) ou absoluta, quando a existência de uma coisa é conhecida a priori absolutamente (simpliciter). Conhecer alguma coisa a priori relativamente significa conhecer alguma coisa a partir de conceitos, independentemente da própria experiência, mas conhecer a existência de uma coisa completamente a priori, a partir de simples conceitos, pois a experiência não pode derivar de simples conceitos, mas ela deriva-se originalmente pela experiência. É necessário que haja um princípio que seja também cognoscível pela experiência. De fato, se este fosse conhecido por meio de conceitos simples, teria a sua consistência mais na consequência do que no princípio, uma vez que um conceito indica somente a relação da coisa com o meu pensamento em geral. Mas a realidade é posição absoluta que requer que o objeto seja posto em si e não relativamente ao meu intelecto. Consequentemente, não posso deduzir a realidade da possibilidade, mas antes da realidade de uma coisa reconheço a possibilidade. Não posso, portanto, conhecer completamente a priori a existência de uma coisa; a necessidade absoluta é aquela que deve ser conhecida absolutamente (simpliciter) a priori. É necessário que fora do pensamento seja adicionada alguma coisa que é a intuição de algo de real, isto é, a percepção.”
52WOOD, Allen W. Kant. Porto Alegre: Artmed, 2008, pp.51,52, 53: “Que eu experimente somente a partir de minha perspectiva individual única derivada do fato de ser peculiar a mim o contato direto com itens individuais da experiência, ao passo que minha capacidade de formular juízos pretendendo ser verdade […] depende do fato de que eu penso sobre o que eu experiencio, de um modo que não é totalmente ligado à minha perspectiva. Esse mesmo contraste pode ser visto como uma peculiaridade do conceito de “eu”, o qual é o sujeito das experiências. “Eu” é sempre usado para se referir ao ocupante de uma perspectiva particular, em contraste a outro possível ocupante de outras perspectivas possíveis. Se eu não garantisse que essa outra perspectiva fosse ao menos possível, então, não haveria referência significativa a mim como sujeito de minhas experiências ou a essa perspectiva como “minha”. Ao mesmo tempo, o conceito de “eu” tem a peculiaridade contrastante de ser capaz de se referir ao sujeito de qualquer perspectiva enquanto tal- qualquer experienciador que seja […] conta como um “eu”, já que é somente do fato de que ele é um “eu” que se torna ocupante de uma perspectiva possível qualquer. Assim, “eu” é ao mesmo tempo o termo mais singular e mais universal, sendo inevitável o fato de que seja o individual particular que faça também o outro. Somente se o mesmo conceito pode, simultaneamente, desempenhar o papel de ocupante dessa perspectiva e o papel de ocupante de qualquer perspectiva possível, é possível que aí haja uma pluralidade de perspectivas possíveis em uma e mesma realidade sobre a qual juízos (possivelmente) verdadeiros possam ser feitos. Essa dualidade do “eu” […] é o fundamento kantiano de intuição e pensamento. […] Na Dedução Transcendental, Kant tenta argumentar que qualquer sujeito que se considere capaz até mesmo de rejeitar uma série temporal de suas próprias representações subjetivas […] deve ser capaz de conceber tais representações de maneira que elas se refiram a itens que contam como “objetos”, sobre os quais ele pode fazer juízos pretendendo validade para qualquer matéria possível de experiência.”
53Idem. pp. 200-204,251-257,264-265.
54GOUVÊA, R.Q. Calvinistas também pensam: Uma introdução à Filosofia Reformada. Fides Reformata, 1/1, 1996.p.56: “[…] O “ser” é a noção transcendental por excelência do pensamento não-cristão (de formas  inconsistentes do Cristianismo). Mas o “ser” e a “existência”, segundo a filosofia reformada, não podem se quer ser discutidos sem que seja considerada pressuposição ainda mais fundamental  da existência ou do “ser” de Deus. Todas as coisas são inexplicáveis se não for pressuposto o Deus da Bíblia.”
55DOOYWEERD, H. No crepúsculo do pensamento ocidental: estudos sobre a pretensa autonomia do pensamento filosófico, São Paulo: Hagnos, 2010, pp. 248,249: “Mas todos esses aspectos da nossa experiência e existência na ordem dos tempos relacionam-se à unidade central de nossa consciência, a qual denominamos eu, ou ego. Eu experimento, e eu existo, e esse eu ultrapassa a diversidade de aspectos que a vida humana apresenta na ordem temporal. O ego não deve ser determinado por nenhum aspecto de nossa experiência temporal, uma vez que é o ponto de referência central de todos eles. Se ao homem faltasse esse eu central  ele não poderia, de fato, ter qualquer existência.”
56Isto, porque, conforme F. Almeida, a realidade, por ser significado, não pode ser caótica, contingente ou sem sentido. Ela é composta de aspectos irredutíveis, cada qual significando e formando estruturas mais complexas, apresentando um funcionamento dinâmico caracterizado por uma coerência universal. Dooyeweerd chamará essas esferas de lei irredutíveis de aspectos modais, e a estas estruturas de lei que constituem a unidade e a identidade das coisas concretas, de estruturas de individualidade. O sujeito se identifica nos 15 aspectos modais numa mesma realidade, sem qualquer significado redutível a cada um desses aspectos. É por isto que, para Dooyeweerd, a religião (aspecto pístico) assume papel de predominância. Não porque seja o aspecto mais importante, mas porque, é por meio dela que se relacionam todos os outros níveis de relação com a realidade.
57DOOYWEERD, H. No crepúsculo do pensamento ocidental: estudos sobre a pretensa autonomia do pensamento filosófico, São Paulo: Hagnos, 2010, pp.83-90.
58DOOYWEERD, H. No crepúsculo do pensamento ocidental: estudos sobre a pretensa autonomia do pensamento filosófico, São Paulo: Hagnos, 2010, pp.248,249.
59Idem. p.260.
60DOOYWEERD, H. No crepúsculo do pensamento ocidental: estudos sobre a pretensa autonomia do pensamento filosófico, São Paulo: Hagnos, 2010, p.21: “[…] muitas ideias de Dooyeweerd envolveram uma crítica ao calvinismo escolástico e um retorno ao próprio Calvino, especialmente em suas ideias sobre a natureza do homem e sobre a relação entre o conhecimento de Deus e o autoconhecimento humano. E retrocedendo ainda mais, poderíamos classificar Dooyeweerd como um pensador agostiniano […].”
61AGOSTINHO, Soliloquios e A vida feliz, I,2 . São Paulo: Paulus,1998, p. 17.
62Idem. 19

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Retirado de: http://www.teologiabrasileira.com.br/teologiadet.asp?codigo=433

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Por:

Eliandro da Costa Cordeiro

É casado com Queila Loubach da S. Cordeiro e pai de Anna Clara Loubach Cordeiro. Pastor da Igreja Presbiteriana Renovada do Brasil. Reside e leciona no Seminário Presbiteriano de Cianorte-PR as disciplinas filosofia, teologia sistemática, teologia contemporânea, história da teologia, apologética, análise de Romanos e Hebreus. É Bacharel em Teologia pelo SPR-Cne, Linguística e Missiologia pela ALEM-DF, graduado e pós-graduado (Epistemologia) em Filosofia pela Universidade Estadual de Maringá-PR (UEM).

QUAL É A DIFICULDADE?

Vivemos uma discussão calorosa nesses últimos dias acerca da reforma trabalhista, especialmente sobre o ponto em que dá autonomia para o empregado e o empregador realizarem o acordo entre si, não dependendo plenamente mais da intermediação legislativa e, muito menos, sindical.

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Contudo, há a preocupação da classe trabalhadora, dos empregados, acerca do tratamento que receberão ou da dependência que ficaram de seus empregadores. Do outro lado há aqueles que acreditem que os empregados e empregadores se verão mais próximos e não como inimigos conforme, talvez, a lei e o sindicato façam que sejam.

Diante de tal discussão me lembrei de uma exposição bíblica que certa vez realizei na igreja a qual sou pastor (Batista da Liberdade em Descalvado), vendo em tal mais uma vez a contextualização das Escrituras para os dias atuais e, como a fé cristã pode se convergir/responder tal assunto que se encontra em pauta nesses últimos dias.

Antes de entrarmos na exposição bíblica em si deixo destacado que se de fato as pessoas seguissem tais atitudes que serão vistas, de fato não haveria necessidade de leis e sindicatos…

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EXPOSIÇÃO (CL 3.22 – 4.1)

TEMA: CONVÍVIO TRABALHISTA HARMONIOSO.

TEXTO COMPLEMENTARES: Lv 25.39 – 42; Dt 15.12 – 15; 23.15 – 16; Jr 22.13; Ef 6.5 – 9; Fm 1 – 25.

OBJETIVOS:

  • Entender como deve ser a relação entre o empregado e o empregador.
  • Motivar-se em ser alguém coerente com a fé cristã na sua função trabalhista.
  • Empenhar-se em ser um verdadeiro cristão em seu ambiente profissional.

 

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MENSAGEM:

“Servos, obedeçam em tudo a seus senhores terrenos, não somente para agradá-los quando eles estão observando, mas com sinceridade de coração, pelo fato de vocês temerem o Senhor. Tudo o que fizerem, façam de todo o coração, como para o Senhor, e não para os homens, sabendo que receberão do Senhor a recompensa da herança. É a Cristo, o Senhor, que vocês estão servindo. Quem cometer injustiça receberá de volta injustiça, e não haverá exceção para ninguém. Senhores, dêem aos seus servos  o que é justo e direito, sabendo que vocês também têm um Senhor nos céus”.

 

Neste texto Paulo instrui aos colossenses como deve ser a relação entre os escravos e os senhores. Destacando isso vemos uma letra muito interessante, objeto de reflexão, na parte de uma música de Tião Carreiro que leva o nome de Patrão e Empregado:

“Eu estava sem assunto à lei divina mandou, passei a mão na viola o meu e ela me ajudou, pra falar de duas classes que a tempo Deus criou. Empregado e patrão ainda ninguém falou. Empregado é abençoado patrão Deus abençoou. Empregado e patrão duas linhas paralelas para defender os dois eu estou de sentinela. No futebol do trabalho os dois juntos faz tabela, constrói a grande vitória que o país precisa dela. Pátria precisa dos dois e os dois lutam por ela. Empregado quando é bom o patrão é companheiro, empregado dá suor e o patrão dá o dinheiro “.

Diante disso afirmamos que é necessário haver as atitudes corretas para um convívio trabalhista harmonioso. Mas quais seriam? As veremos no texto bíblico para cada membro do trabalho:

  1. Empregados: Temor e Sinceridade (3.22 – 25): Os servos são orientados a obedecerem, isto é, sentido de ouvir e responder no original grego. A obediência não é só escutar, entrar por um ouvido e sair pelo outro, mas, também é estar disposto a responder conforme o que fora solicitado, uma vez que não quebre princípios morais e não traga prejuízos existências. Uma atitude dessas é de real temor, uma atitude de respeito que cumpra com amor que o patrão solicita que consequentemente conquistará cada vez mais a atenção e a boa disposição dele. Essa obediência deve ser feita com sinceridade (inteireza no coração), e não só para agradá-los, todavia, por temor a Deus, lembrando que é primeiramente feito para a glória dEle e dEle  receberão a recompensa, pois é a Cristo que servem. Aqui vale notar o que Max Weber desenvolve como tese em seu livro Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, em que os protestantes trabalhavam como se fosse para o Senhor, para a glória de Deus! É isso que fará a diferença em você para se tornar um excelente funcionário. Lembre-se sempre desta palavra: Coram Deo: Viver na presença/diante da face de Deus! Certa vez um fazedor de cadeira, que era cristão, foi identificado pelo seu serviço e comparado com outro que não. Qual era diferença entre ambos? O acabamento da parte debaixo do assento. O que não era cristão não fazia com a mesma perfeição e detalhes do que a cadeira inteira, pois a maioria das pessoas não examina tal parte para comprar. Mas o que era cristão fazia com o mesmo detalhe e perfeição, pois assim realizava para glorificar a Deus, pois ele vivia diante de Sua presença/face. Encerrando essa parte, o texto diz que aquele que cometer injustiça receberá a mesma, sem exceção, de Deus!

 

  1. Chefes: Justiça e Equidade (4.1): Aos senhores a recomendação é de serem justos, no original se encontra no caso dativo que traz a ideia de ação que deve ser desenvolvida, aprimorada e buscada. Além disso, também devem ser direitos, essa palavra vem de um sentido de regras de distribuição dos despojos da guerra, e essa também é uma ação que deve ser desenvolvida, aprimorada e buscada (caso dativo). E qual é o motivo disso? O motivo é por saber que há um Senhor nos céus! Esse Senhor sempre demonstrou sua preocupação e sua providência na vida de todos, inclusive dos trabalhadores. Vemos no Antigo Testamento leis que os favoreciam (Lv 25.39 – 42; Dt 15.12 – 15; 23.15 – 16; Jr 22.13; dentre outros textos). Assim o proceder do empregador/patrão deve ser semelhante ao do Senhor, com preocupação e providência, justiça e equidade aos seus subordinados. Empregadores lembrem-se que o período da escravidão passou! A Lei Áurea foi assinada! Não sejam como os senhores dos escravos do antigo Brasil! Sejam semelhantes ao Senhor, nosso Deus que está nos céus!

 

CONCLUSÃO:

Essa instrução aqui vista também é colocada em Ef 6.5 – 9:

“Escravos, obedeçam a seus senhores terrenos com respeito e temor, com sinceridade de coração, como a Cristo. Obedeçam-lhes, não apenas para agradá-los quando eles os observam, mas como escravos de Cristo, fazendo de coração a vontade de Deus. Sirvam aos seus senhores de boa vontade, como servindo ao Senhor, e não aos homens, porque vocês sabem que o Senhor recompensará cada um pelo bem que praticar, seja escravo, seja livre. Vocês, senhores, tratem seus escravos da mesma forma. Não os ameacem, uma vez que vocês sabem que o Senhor deles e de vocês está nos céus, e ele não faz diferença entre as pessoas”.

Ainda foi ditada pela experiência de Filemon, cristão de Colossos, com seu servo fugido, Onésimo. Recomendo a leitura.

Mas ultimando essa reflexão vale a pena nota que o texto exposto está em uma sessão prática do livro de colossenses (cap. 3 e 4), onde fala da união com Cristo como fundamento do viver cristão (3.1 – 4.6). O livro de colossenses busca centralizar Cristo! Portanto, em nosso viver profissional, seja de empregador ou empregado, busquemos mostrar nossa vida unida com Cristo. Tê-Lo como centro de nossas vidas, de tal maneira, que as pessoas O veja, também, em nosso ambiente de trabalho. Ore sobre isso e para isso acontecer em sua vida, seja de patrão ou de funcionário!

 

“Não há um único centímetro quadrado, em todos os domínios de nossa existência, sobre os quais Cristo, que é soberano sobre tudo, não clame: ‘É meu!’”

(Abraham Kuyper)

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ANEXO:

Nesse espaço deixo o banner de apresentação do meu TCC na pós-graduação de Aconselhamento Filosófico, que teve um tema que se enquadra e se aplica, também, para a questão em pauta, além de poder complementar algo, de um ponto de vista filosófico, do quê fora descrito nessa exposição:

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SUÍCIDIO!?

Publicado: 20 de abril de 2017 em Sem categoria

Apresentação1

UM VELHO-NOVO CAPÍTULO:

Nessa última semana eu assisti uma série no NetFlix chamada 13 Reasons Why. Não só eu, mas muitas pessoas a tem assistido, especialmente os adolescentes.  Essa série é uma espada de dois gumes, pois pode prevenir alguém do suicídio o mostrando o quão desnecessário é, ou pode incentivar a isso. Dependerá muito do estado existencial e de maturidade que o indivíduo, especialmente o adolescente, estará no momento ao assisti-la. Mas afinal, do que se trata? Segue a sinopse:

 

“A série gira em torno de Clay Jensen, um estudante tímido do ensino médio, que encontra uma caixa na porta de sua casa. Ao abri-la, ele descobre que a caixa contém sete fitas cassete gravadas pela falecida Hannah Baker, sua colega que cometeu suicídio recentemente. Inicialmente, as fitas foram enviadas para um colega, com instruções para passá-las de um estudante para outro. Nas fitas, Hannah explica para treze pessoas como eles desempenharam um papel na sua morte, apresentando treze motivos que explicam porque ela se matou. Hannah deu uma cópia das fitas para Tony, um de seus colegas da escola, que avisa para as pessoas que, se elas não passarem as fitas, as cópias vazarão para todo mundo, o que poderia levar ao constrangimento público e vergonha de algumas pessoas, enquanto outros poderiam ser ridicularizados ou presos”.

 

Para quem assisti esta série, especialmente aos adolescentes que sentem predisposição para o suicídio, é importantíssimo que veja o quarto trailer que está anexo com ela – além dos porquês –, onde há um bate-papo entre o elenco e profissionais da saúde falando sobre o tema e a série. Além de visitar o próprio site deles para buscar ajuda (tem os telefones para as regiões) e conhecer mais sobre: http://www.13reasonswhy.info/#bra.

Infelizmente, na mesma época em que a série está em alta, apareceu uma “brincadeira” ou “desafio” nas redes sociais, a saber: Baleia Azul. Essa brincadeira que começou na Rússia em 2015, já faz sucesso no Brasil em 2017. A mensagem deste jogo está baseada em 50 desafios, dentre eles há: o de desenhar uma baleia no papel e depois no braço, fazer cortes no corpo, ver filmes de terror e assim por diante; mas o último desafio (quinquagésimo) é o SUICÍDIO. E sim, já existem histórias de adolescentes que comentem tal barbárie. Sem vacilar eu creio que esses adolescentes passam por um perturbado momento existencial ou de maturidade, logo, são facilmente influenciados ou conquistados pela brincadeira. Em contraponto, há algumas manifestações nas redes sociais que ocorrem e dentre elas eu deixo como recomendação: Por favor, ao menos três dos meus amigos do Facebook, poderiam copiar e colar essa informação? Linha de prevenção ao suicídio: 0800-273-8255 #NaoABaleiaAzul. Ou ainda pesquisar e aplicar o desafio da baleia rosa que é uma resistência ao da baleia azul, propondo 50 desafios saudáveis para a pessoa.

PROBLEMA X SOLUÇÃO:

Com essas duas citações acima nós vemos de uma maneira inusitada um velho inimigo existencial, male da alma ou conflito da vida, voltar com tudo – se um dia deixou de ser tão ativo. Existem já várias estatísticas sobre o tema, várias conclusões em cima dele, vários motivos articulados do porque ocorre tal e assim por diante. O problema é visível, infelizmente. Porém, qual a solução para ele?

Já foram passadas três fontes que buscam ajudar a resolver o problema para que as pessoas não cometam o suicido. Vários estudos bíblicos já existem para tratar do tema. Contudo, aqui nesse espaço, quero destacar um principio que se completa em três partes que tenho por certeza que soluciona definitivamente este problema, ou os problemas que originam o tal. Esse princípio se encontra no verso, o qual eu tenho como meu favorito, que Paulo escreveu para uma igreja localizada na Europa, muitos séculos atrás, na cidade de Filipos: Quero conhecer Cristo, o poder da sua ressurreição e a participação em seus sofrimentos (Fl 3.10a).

Mas porque um princípio que se completa em três partes? Bem, o princípio eu vou chamá-lo de Intimidade com Cristo, é este que vemos no versículo. Em três partes, pois este verso só tem um artigo definido – no grego –, portanto, sugere que todas as ideias serão expressas em uma só. É uma completude! Exemplificando, podemos dizer que é um tipo de trilogia – termos usado em artes gerais que diz que uma arte quando é dividida em três obras e, só poderá ser compreendida quando essas três forem vistas. O princípio visto só pode ser compreendido quando as três partes forem conhecidas, compreendidas e vividas. Destarte, só conheço a Cristo se conhecer o poder de ressureição e a participação nos sofrimentos dEle. Vamos entender cada uma dessas partes:

  1. Quero conhecer a Cristo: Essa palavra conhecer que já se encontra no verso 8 como conhecimento é de uma raiz que não fala sobre conhecimento teórico ou racional, mas, sim, de um conhecimento adquirido pela experiência, de relacionamento. Neste caso o texto afirma um relacionamento pessoal com a pessoa de Cristo, de intimidade como dois amigos que se conhecem profundamente depois da amizade ter se firmado e permanecido. Augusto Cury, o escritor, era ateu e acabou crendo em Jesus depois que se dedicou aos estudos dos evangelhos para examinar quem era Jesus e escrever sobre Ele. Interessante que um ateu se converte quando conheceu Jesus de Nazaré, revelado nos evangelhos. Melhor forma de conhecer a Cristo é lendo sobre Ele, mas, também, O buscando em oração e na tentativa de ser semelhante a Ele no dia após dia. Mas o que isso tem haver com o tema? Paulo quando expressa esse desejo na carta que escreveu a igreja de Filipos, ele escreve em um tempo de “crise” na sua vida. Paulo estava preso, provavelmente em Roma, e com a grande possibilidade de ser condenado a morte. Contudo, nesse momento da sua vida de pressão e dificuldade o que ele quer é ser intimo da pessoa de Cristo. Da mesma maneira você, lendo esse artigo, talvez esteja passando por algum conflito interno ou externo, alguma tempestade em sua vida, saiba que não é a automutilação ou o suicídio que trará a solução, no entanto, será o se aproximar de Jesus, conhecê-lo, ser intimo dEle. Para isso é bom vermos as outras duas partes que completarão esse princípio.

Obs.: A bíblia fala de vários homens de Deus que desejaram a morte ou amaldiçoaram o momento que nasceram, porém Deus concedeu as providências que necessitavam e suas histórias foram transformadas (Moisés – Nm 11.10 – 15; Elias – 1Rs 19; Jó – Jó 3). Todos esses tiveram um principio igual, que foi: Conhecer intimamente ao Senhor!

  1. O poder da Sua ressurreição: Aqui Paulo, no original grego, coloca um pronome pessoal genitivo que se refere a Cristo – o da sua ressurreição –, transmitindo o sentido acerca dos efeitos que essa ressurreição traz, e, também, a qualifica e a defini. A ressurreição de Cristo é causa de sermos cotidianamente regenerados e salvos, além de nos produzir esperança (Jo 16.7 – 9; Rm 4.25; 1Co 15.13 – 17; 42 – 44; Hb 4.14 – 16); 1Jo 2.1). Os textos citados nos indicam que pela ressurreição o Espírito Santo foi enviado para nos convencer e conduzir a obra da salvação e do livramento; que fomos justificados; que a nossa fé seria útil e levaria a esperança; que temos um Sumo Sacerdote e Advogado que intercede por nós para sermos restaurados sempre – alguns entendem que o poder da ressurreição seria o fato da própria ressurreição final, mas não é, a ressurreição final se refere o verso 11, logo, a ressurreição deste versículo (com o conhecer a Cristo e a participação dos seus sofrimentos) serve para nos levar a ressurreição final. Então, o de fato é de se tornar nova criatura (Rm 6.4; Ef 2.5; Cl 2.12), porém não se limita a tal, mas, também, ao renovar constantes da vida da pessoa (Rm 8.11; Cl 3.1), pois Paulo que já era salvo nEle ainda desejava o prosseguimento deste conhecimento. Tal definição é admitida conforme segue um dos sentidos de ressurreição (anastaseos) no original – ser sarado e ter seu altar. Então, amado leitor, se a situação está difícil e a desesperança se faz presente em sua vida o levando a desejar a morte, eu digo a você: conheça o poder da ressurreição, pois essa lhe possibilitará dia após dia ser renascido, começar de novo, dar novo sentido em cada amanhecer – RENOVAR! Como Leonardo Gonçalves canta em sua música (Ele Vive): E hoje sou livre, pois Ele vive… E eu sou livre, eu sou livre enfim, de mim… Da água renasci e faz sentido servir Alguém melhor que eu… Todo dia de manhã quero renascer…
  1. A participação em Seus sofrimentos: Interessante destacar essa palavra sofrimento. Os jovens que se cortam/se mutilam têm buscado evidenciar um sofrimento interno, um tipo de comunicação que não é verbal. E assim, consequentemente, participa de algum sofrimento proposto (pela baleia azul). Em contraste com isso podemos participar dos sofrimentos de Cristo. Isso não se refere a mutilação, a penitências físicas ou a estigmas. Refere-se à renúncia diária, as aflições externas constantes por causa do evangelho (que traz a paz interna), como também a possível perseguição. Isso é visível quando o apóstolo escreve, pois estava preso, além da verdade que ele deixa no capítulo 4.11 e 12, como também outros textos: 1Co 9.1 – 15; 2Co 11.25 – 27. Aqui vale deixar para a reflexão: Bem-aventurados serão vocês quando, por minha causa, os insultarem, os perseguirem e levantarem todo tipo de calúnia contra vocês (Mt 5.11). Essa palavra participação refere-se e se unir, associar-se com os sofrimentos de Cristo, de renúncia e consequências de tais, já que uma vez estamos unidos ao seu corpo. Acompanha a essa palavra o artigo tw/n/ton” que é um dativo que transmite o sentido de proveito/dano recaído, ou seja, tal participação é um dano, a principio, que recai sobre quem deseja isso, porém é um proveito para quem vive tal. Contudo, vale constar, que a participação deste sofrimento traz paz e satisfação ao coração de quem participa. Não é cruel! Não gera desesperança! É maravilhoso! Traz paz! Jesus certa vez disse: Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso. Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve – (Mt 11.28 – 30).

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 FINALIZANDO

Existe um vazio em nosso coração que só pode ser preenchido pela cruz de Cristo, através da compreensão dela. Há uma falta de sentido em nossa vida que só pode ser satisfeita quando Ele se torna o centro de nossas vidas. É como um jogo de quebra cabeça que só terá sentido quando todas as peças estiveram definidamente em seus devidos lugares. Para muitos, Jesus é a peça que falta para trazer sentido a esse jogo chamado vida!

“Dá-me Jesus, Ele é tudo que preciso para continuar!”

(Gregório Mcnutt).

“Não há um único centímetro quadrado, em todos os domínios de nossa existência, sobre os quais Cristo, que é soberano sobre tudo, não clame: ‘É meu!’”

(Abraham Kuyper)

Aqui neste vídeo vemos um resumo do livro de Max Weber acerca do tema, e apologeticamente vemos a influência e mudança que a fé cristã, na ótica calvinista, realizou no mundo ocidental e em vidas, as levando a uma crescente de qualidade de vida. Por que apologeticamente? Porque a apologética não é só defender as doutrinas e a fé cristã, mas é responder com as doutrinas e a fé cristã perguntas que podem trazer transformações sociais, pessoais, econômicas, culturais, educacionais, profissionais e assim por diante.

Assistam:

“Só o evangelho resolve o problema da morte”

(John Piper)

“Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó inferno, a tua vitória? Ora, o aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei. Mas graças a Deus, que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo”.

(Paulo, o apóstolo)

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Nesta semana, última de novembro e primeira de dezembro de 2016, houve a tragédia do ano. Impactou o mundo e cada vida existencialmente. O avião que transportava jornalistas e o time da Chapecoense, que estava em ascendência com seu futebol, caiu e com isso várias vidas foram ceifadas.

Há pergunta existencial que há para todos nós neste momento a fim de buscarmos uma resposta apologética  partindo do pressuposto da fé cristã revelada nas Escrituras é: Quais lições tal tragédia nos ensina?

Bem, tentarei apontar algumas:

 

FRAGILIDADE DA VIDA:

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A vida é um sopro… A juventude não é eterna… Somos seres frágeis… Diante de Eclesiastes (um livro que tem ar de desespero, mostrando o vazio da vida), capítulo 11, versículos 9 – 11, podemos afirmar que nossa vida é curta para a vivermos irresponsavelmente e três princípios precisam ser observados diante disso. Primeiro, precisamos renunciar os almejos de nosso coração (verso 9ab), pois Deus pedirá contas (9c, 11 e 14), logo, fujamos dos desejos pecaminosos que o coração traz (10), porque a juventude é vaidade – do hebraico “hebhe,” tem o significado de “vapor” ou “sopro”, portanto, a juventude é como vapor e o sopro, vêm e passam igual à vida de vaidades (10c).

Segundo, precisamos de estimulo e firmeza (capítulo 12.11). O Aguilhão era um objeto formado de couro cru e composto de ruelas de aço, sua medida era de 1,80m, servia para fazer os animais andarem. Ele serve como analogia de estimulo para nossa vida cristã. Os pregos naquele tempo eram grandes para firmarem fortemente as coisas, e serviam para mantêm os animais amarrados. Ele serve como analogia de firmeza para nossa vida cristã. Juntando os dois podemos concluir que devemos nos estimular e nos firmar na palavra, na fé cristã revelada nela, cada vez mais.

Terceiro (capítulo 12.13) aprendamos a temer a Deus e guardar os mandamentos dEle (Sl 119.9 – 11), pois são a fonte da sabedoria. Portanto, em suma, devemos reconhecer que nossa vida é um passar rápido neste mundo, e passará como ele, mas a nossa vida de integridade diante Deus e sua palavra será permanecida eternamente e cada um terá a recompensa conforme a buscou. Sugiro ainda, para complementar este tópico, a leitura de Sl 90.9 e 10: Pois todos os nossos dias vão passando na tua indignação; acabam-se os nossos anos como um conto ligeiro. A duração da nossa vida é de setenta anos, e se alguns, pela sua robustez, chegam a oitenta anos, o melhor deles é canseira e enfado, pois passa rapidamente, e nós voamos.

 

DOUTRINA E NATUREZA DA MORTE:

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Existem duas doutrinas filosóficas que precisamos levar em consideração, a saber: 1) Fatalismo, a qual ensina que tudo acontece no universo é por forças externas onde a escolha e o esforço do ser-humano não faz diferença. 2) Determinismo, a qual ensina que todos os acontecimentos do universo obedecem às leis naturais de tipo causal.

O acidente com o avião e, consequentemente, as mortes que houve lá são consideradas um fatalismo, pois elas foram realizadas por uma força externa e o ser-humano nada pode fazer para mudar tal; como também um determinismo, pois obedecem às leis naturais (ciclo natural da vida), neste último podemos compreender melhor com tal ilustração:

Há muitos e muitos anos atrás, num dos vilarejos que sempre existiram nos arredores de Bagdá, um homem mandou seu escravo ir à feira livre.
Quase uma hora depois, o serviçal entra correndo pela porta da frente, em pânico, gritando:
– Meu senhor, meu senhor… por favor, empreste-me um camelo… eu preciso fugir.
– O quê está havendo, homem, perguntou-lhe o senhor.
– Eu estava na feira, como o senhor me mandou, e tive a infelicidade de dar de cara com a “dona” Morte, e ela olhou para mim com um olhar ameaçador. Por favor, meu senhor, empreste-me um camelo. Tenho parentes em Bagdá e lá ela não vai me encontrar. Sei onde me esconder… a cidade é grande.
O homem emprestou o camelo ao seu escravo, vestiu sua vestimenta e foi à feira. Encontrou-se com a “dona” Morte e foi logo lhe perguntando:
– “Dona” Morte, por quê a senhora olhou para o meu escravo com um olhar ameaçador?
– Em absoluto, respondeu a Morte, não olhei para o seu escravo com um olhar ameaçador. Olhei para ele com um olhar de espanto, pois tenho um encontro com ele daqui há pouco em Bagdá e não entendi como ele ainda está aqui.

Por conseguinte, a tragédia que gerou a morte deles faz que urja a necessidade de refletirmos que todos nós morreremos (fatalismo) e não sabemos quando tal foi determinada para acontecer (determinismo). Com isso em mente eu te pergunto: Qual é a sua esperança além-mundo? Qual é a sua consolação? Talvez um envolvimento bíblico-doutrinário do que é a morte nos leve a uma consolação e conforto sobre tal tema neste tempo de tragédia como para um apontamento futuro. Para isso responderemos três perguntas:

  • O que é morte? Ela é a consequência do pecado (Gn 2.16 e 17; Rm 6.23) e a perca da benção do homem de ter a vida eterna aqui na terra, como, também, a extinção da vida física, onde o corpo volta ao pó da terra (Gn 3.19; Ec 12.7).
  • Quais são as mortes existentes? 1) Espiritual, a separação do indivíduo de Deus (Rm 3.23). Nossa alma está com uma barreira entre ela e Deus, e a solução de tal está na história da paixão de Cristo e nossa vida voltada a isso. 2) Física, é a separação entre a alma, o espírito e o corpo (Gn 2.17; 3.19; Ec 12.7; Rm 5.12; 6.23); sobre essa que estamos refletindo. 3) Eterna, é a segunda morte, é a separação eterna do indivíduo com Deus onde será condenado e sofrerá para sempre (Mt 13.49 – 50; 25.41; Lc 16.19 – 31; 2 Ts 1.7 – 9; Ap 2.11; 20. 6 e 14; 21.8). Aqui a alma será para sempre distanciada e separada de Deus e sobre tal é que deve está nossa maior preocupação, se a herdaremos ou não. Para não herdá-la é preciso haver a entrega voluntária de nossas vidas a Cristo Jesus.
  • O que ocorre com os cristãos pós-morte? A alma não adormece, portanto, não está certa a doutrina do sono da alma (Ec 12.7; Lc 16.22 – 25; 23.43; At 7.59 e 60; Hb 12.23; Ap 6.9 – 11); não vai ao purgatório, portanto, não está certa tal doutrina (1 Co 3.15); não voltará viver em outro corpo, portanto, a doutrina da reencarnação cai por terra (Hb 9.27; falta de textos para basear essa doutrina). Para os salvos, a morte é a passagem para a vida eterna com Cristo (Lc 16.20 – 24; 23.46; 2 Co 5.1, 6 – 8 ; Fp 1.23), em estado de consciência.

Diante de toda essa exposição gosto de fazer um insight entre o que o filósofo Kant falou certa vez, “se vale a pena viver e se a morte faz parte da vida, então, morrer vale a pena”, com as palavras do apóstolo Paulo em 2Co 5.6 – 8 e Fl 1.21.23: Pelo que estamos sempre de bom ânimo, sabendo que, enquanto estamos no corpo, vivemos ausentes do Senhor (Porque andamos por fé e não por vista.). Mas temos confiança e desejamos, antes, deixar este corpo, para habitar com o Senhor… Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho. Mas de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de partir e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor.

 

CONCLUSÃO:

Lamentavelmente a nossa cultura ocidental nos ensina a fugir da reflexão sobre este tema e conceito, todavia, em contraponto o salmista nos instrui em oração ao Senhor: Ensina-nos a contar os nossos dias, de tal maneira que alcancemos coração sábio (Sl 90.12). Por fim, para complementar, deixo esta reflexão de três minutos de John Piper:

Filósofo Clóvis de Barro X Jesus de Nazaré

Publicado: 23 de novembro de 2016 em Sem categoria

Herman Dooyeweerd certa disse que “toda verdade é verdade de Deus, mesmo pronunciada pela boca de um ímpio”.

Não afirmo, e não posso fazer isso, que o professor Clovis é um pio ou um ímpio. Porém, o que quero deixar notório aqui é a afirmação singular de que este professor de filosofia corporativa da USP faz e converge com a fé cristã.

É simplesmente fascinante, maravilhoso!!

Este foi o tema redacional do ENEM deste ano, 2016, exame realizado neste final de semana que passou. Quero aproveitar, portanto, a atualidade e particularidade do assunto e tecer (não fazer uma redação de 30 linhas, rs!) um breve texto sobre ele.

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Quando soube (via timeline do facebook) sobre o tema, automaticamente lembrei-me de um vídeo que vi do filósofo e educador Mario Sérgio Cortella, dias atrás. Neste vídeo ele falava, parafraseando-o, que religião não é coisa de gente tonta, mas coisa de gente, e que existe gente tonta dentro da religião, como também existe em outras esferas da sociedade. Particularmente, dou toda a razão para ele! Essas pessoas “tontas” que existem fazem que sua ideologia, comunidade, filosofia, crença, opinião e assim por diante, se tornem intolerantes. Uma vez que tais estão no meio religioso, fazem com que a religião se torne intolerante – com o real significado de quê essa palavra conota, de fundamentalismo ou extremismo que leva a atitudes contra outros que são perigosas, danosas, catastróficas e até criminosas; e não do uso trivial se tornou para os existencialistas ou marxistas que usam, incoerentemente, de forma intolerante para denunciar a possível “intolerância” daquilo que os questiona e os desmascara.

Quando há a manifestação dessas pessoas “tontas” que promovem a intolerância no meio religioso como é que podem ser combatidas? Quais caminhos a percorrer? Embora o tema proponha caminhos (plural) eu quero destacar um caminho (singular). O caminho o qual pode ser trilhado para combater a intolerância e os intolerantes é a própria religião. Como assim? Ilustrando, sabemos que muitos venenos que matam também são usados para tratar doenças cardiovasculares, alergias e etc., da mesma forma, mesmo sabendo que muitas religiões e a maneira que elas são expressas podem matar, existe uma ramificação dela que salva, liberta e quando corretamente aplicado, combate a própria intolerância religiosa.

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Essa ramificação, singular, a qual falo é a fé cristã revelada nas Escrituras Sagradas. Essa ramificação, singular, a qual eu falo é a manifestação da graça de Deus revelada em Cristo Jesus (o único caminho, verdade e vida). Sim, a fé e a graça revelada nas Escrituras combate a intolerância religiosa. De inúmeros exemplos que poderia citar vou me limitar em dois, vejamos:

Primeiro, nestes meses tenho pregado na comunidade a qual sou pastor acerca do livro de Gálatas, que coloquei como tema: Mergulhando na Graça. Este livro fora escrito por Paulo, o apóstolo, para as igrejas da Galácia que era uma província do Império Romano que ficava localizado onde hoje é a atual Turquia. Era composta de várias cidades e tinha várias igrejas. Depois que Paulo pregou e passou por lá (Atos 13 e 14) aconteceu que alguns intolerantes religiosos chamados Judaizantes foram ali a fim de fazer os gálatas começarem a seguir regras religiosas passadas (circuncidar, guardar dias especiais e tal) para serem “salvos”. Isso chegou ao ouvido de Paulo que ficou perplexo e logo escreveu uma carta ensinando-os que a salvação só viria através da graça, isto é, do amor que impulsionou o coração de Deus em enviar Cristo para morrer em nosso lugar assumindo papel de maldito e levando sobre Ele a nossa maldição. Assim, não há nenhum tipo de esforço humano que alguém possa fazer para ser salvo, pois é só através deste favor imerecido e impagável que Deus fez por nós, no dadivando tal. Se a graça é uma dádiva, presente, que vem de Deus, logo, não pode haver manipulação ou leis religiosas que forcem o homem a viver como “salvo”, pois ele nunca conseguirá, se não for naturalmente através da justificação pela fé (tema central do livro) e pela graça. Uma vez que a graça é entendida ela faz os homens compreenderem seu papel de imperfeição e esperar somente em Deus a devida transformação, portanto, não agindo com imposições e, por conseguinte, com intolerância aos outros.

Segundo, muitas vezes Jesus afrontou a intolerância religiosa dos mestres da lei (fariseus, saduceus e escribas) de sua época, mostrando que tal mostrava hipocrisia da parte deles e não priorizava e nem salvava o outro. Em uma dessas histórias cito o episódio do homem das mãos atrofiadas (Mc 3.1 – 5). Jesus o curou em um dia que era proibido pela religião judaica. Ele quebrou o sistema e priorizou o ser-humano, demonstrando assim a graça a qual ele veio demonstrar e implantar. Esta graça faz com que nos livremos do legalismo ou intolerância religiosa e estendemos nossas mãos para ajudar o outro, em sua real necessidade. Que abdiquemos de nossos direitos em favor do ser.

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Portanto, o caminho para combater a real intolerância religiosa no Brasil é o ensinar e o se envolver com um tema que é da “religião”, melhor, que é do evangelho, da fé e das Escrituras, e este tema é a graça de Deus demonstrada no seu Filho Jesus e visível na leitura de Gálatas. Essa levará o ser dispensar e receber, naturalmente, benevolência e o favor para com todos, como foi de Deus para os seus. Não imporá nada a ninguém e nem a si, pois por si mesmo sabe que não consegue viver algo. Deixa que Deus aja livremente na vida de cada um.

Esse foi um dos discursos que fez a reforma protestante brotar e se livrar da intolerância religiosa da época. Que fez também os batistas lutarem pela liberdade de consciência, sendo reconhecida tal atitude pelo filósofo John Locke.

Ultimando este texto eu deixo aqui meu desafio para você: Entenda dessa graça, se envolva com ela e deixe que a mesma naturalmente leve a você e a outros se aperfeiçoarem em tudo, até mesmo no tema proposto pelo ENEM.

“Maravilhosa graça, quão doce é o som que salvou um miserável como eu. Eu estive perdido, mas agora fui encontrado era cego, mas agora eu vejo”.

(John Newton – ex-traficante de escravos).

 

Cosmovisão Cristã

Publicado: 19 de agosto de 2016 em Sem categoria

Hoje compartilho com vocês um artigo que li e retirei do link: http://reformai.com/cosmovisao-crista/. Tal artigo tem haver com a apologética pressuposicionalista, visto que a mesma trabalha fortemente com a construção e aplicação de uma cosmovisão cristã para vidas e sociedades, embasada no NeoCalvinismo e na Filosofia Reformista. Boa leitura!

Como você se posiciona frente aos vários acontecimentos do mundo? Qual a sua opinião a respeito do aborto e da sexualidade? Como você vê o casamento? Qual deve ser o destino da educação e da política? Homossexualismo? Sobre o trabalho? Educação infantil?

A resposta para todas estas perguntas dependerá em qual cosmovisão você crê. E para todas estas perguntas o cristianismo oferece respostas adequadas. Está é a Cosmovisão Cristã!  O Cristianismo aborda vários temas sobre a vida, trabalho, sexualidade, educação, política, ética, família e sobre muitas outras coisas presentes na sociedade. Tudo isso faz parte de uma Cosmovisão Cristã.

Mas, o que é “cosmovisão”?

Cosmovisão é um conjunto de suposições e crenças que alguém usa para interpretar e formar opiniões acerca da sua humanidade, propósito de vida, deveres no mundo, responsabilidades para com a família, interpretação da verdade, questões sociais, etc. Todo ser humano possui uma cosmovisão, mesmo que ele não saiba.

Uma cosmovisão define o que a pessoa é, o que ela irá defender e até como irá viver.  É a maneira pela qual a pessoa vê ou interpreta a realidade. É uma visão que direcionará a maneira como você verá e interpretará o mundo.  Ela é como um óculos, para que a realidade faça sentido é preciso visualizá-la de acordo com uma cosmovisão coerente e verdadeira, ou seja, com as “lentes corretas”.

A cosmovisão é como um mapa mental que nos diz como navegar de modo eficaz no mundo. 

Porém, hoje, vamos focar em uma Cosmovisão Cristã. Para o cristão, ela vai colocar o entendimento do universo como criação de Deus, e em todas as esferas de conhecimento, possíveis de estarem presentes na humanidade, como procedentes do Deus único e verdadeiro, Senhor do universo, comunicadas a nós por Cristo “… no qual estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento” (Cl 2.3). b

Uma Cosmovisão Cristã é fundamental para ser um contraponto aos sistemas ideológicos vigentes na atualidade. O mundo diz que a moral é relativa, a Bíblia diz que ela é absoluta. O mundo secular exalta o homem, exalta governos, exaltam intelectos e pensamentos, a Bíblia exalta a Deus e sua Soberania.

Implantar uma cosmovisão cristã é uma necessidade, vide o fracasso das cosmovisões seculares. Ao observarmos a sociedade, fica evidente que ela vai muito mal. O relativismo e o politicamente correto têm tomado conta da televisão, das notícias, das pessoas. A sociedade se tornou um antro de pornografia, violência, de gratificação imediata dos prazeres. O culto ao homem tomou lugar do culto a Deus. Os preceitos morais estão a cada dia sendo “desconstruídos” e erradicados. A família se tornou descartável, perdeu sua importância, tornou-se apenas um mero arranjo entre pessoas.

Por tudo isso, há uma necessidade urgente de estabelecer uma Cosmovisão Cristã, há a necessidade de que ela seja ensinada aos cristãos e à sociedade. Por isso, a importância de escolas cristãs, de faculdades e centros acadêmicos que tenham a palavra como balizador de seus ensinos.  A fé cristã deixa de ser uma “questão religiosa” para o domingo, apenas para dentro das igrejas, e volta a assumir o seu posto original de guia moral e cultural para o mundo.

O Cristianismo vai além da fé que temos ou do culto que prestamos na igreja. Ele é uma estrutura para compreender e modificar a sociedade, a realidade. Vai muito além das questões religiosas, ele define a moral de um povo, de uma sociedade. Através dele podemos moldar a cultura de uma nação, podemos mudar o rumo de uma sociedade. Não nos deixemos moldar pelas visões vigentes nestes mundos, não andemos de braços dados com ideologias pagãs e satânicas, olhemos para a Palavra, e dela devemos extrair uma cosmovisão para nossas vidas e para toda uma sociedade.

Soli Deo Glória!

Todo Cristão Deve Ser Um Apologista

Publicado: 12 de julho de 2016 em Sem categoria

 

O meu professor de apologética no seminário contou histórias de reações estranhas que ele recebeu quando dizia às pessoas o que fazia da vida. A melhor história envolveu uma funcionária que lidava com empréstimos bancários. Quando ele disse à funcionária que ele era professor de apologética, ela replicou: “isso é maravilhoso”, e então acrescentou: “nesses dias, nós realmente precisamos ensinar às pessoas a como pedir desculpas”.

A funcionária estava tanto certa quanto errada. Nós realmente precisamos de professores de apologética, mas apologética não tem a ver com pedir desculpas. Ao invés disso, tem a ver com defender a fé. Na verdade, defender a fé é tão urgente hoje que nós precisamos de mais do que professores de apologética – nós precisamos que todos os cristãos percebam que são apologistas.

Um dos livros recentes do Dr. R.C. Sproul é intitulado Everyone’s a Theologian [Todo mundo é um teólogo]. Nós poderíamos dizer igualmente que “todo mundo é um apologista”. Aqueles que estão em Cristo e têm sido levados a ver a verdade e a beleza do evangelho têm tanto a obrigação quanto o privilégio de defendê-lo. Nós somos obrigados a “dar uma resposta”. Nós não podemos simplesmente depender dos filosoficamente dotados ou dos culturalmente adaptados para carregar esse o peso. Todos são apologistas.

O mandamento

A palavra grega apologia significa literalmente “falar a”. Através do tempo, veio a significar “fazer uma defesa”. Quando Atenas acusou Sócrates de ser nocivo à sociedade, ele teve que oferecer a sua defesa. Ele a intitulou Apologia. Ele se colocou diante dos “homens de Atenas”, oferecendo-lhes sua defesa racional. O Novo Testamento usa o termo 17 vezes. Muitos episódios dizem respeito a casos de tribunal, tais como a hora em que Paulo apareceu diante do Concílio Judaico em Atos 22 e diante de Festo em Atos 25. Paulo também fala do aprisionamento dele em Roma como uma apologia do Evangelho (Filipenses 1.7,16).

O texto clássico para a palavra grega apologia é 1Pedro 3.15-16. A primeira carta de Pedro foi escrita aos “exilados” que viviam na Ásia Menor, que se localizava na Turquia de hoje. Esses cristãos exilados sofreram perseguição e foram condenados ao ostracismo por causa da fé que possuíam. Eles foram insultados e caluniados. Alguns deles sofreram nas mãos dos membros de suas próprias famílias.

Pedro ordena a esses exilados que não vivam com medo ou covardia diante da oposição. Ao invés disso, ele ordena a esses cristãos exilados – e a nós – que estejam sempre prontos para fazer uma defesa. O verbo principal “fazer uma defesa”, a partir da palavra grega apologia, está no modo imperativo. O modo imperativo é usado para ordens. Não há processo de adiamento aqui. A ordem se estende a todos nós.

Mais adiante, Pedro nos diz como fazer nossa defesa. Ele observa que devemos “sempre estar preparados”. Esta é uma ordem difícil de cumprir. Questionamentos sobre a nossa fé tendem a vir em tempos inesperados. A fim de que estejamos sempre prontos, devemos conhecer nossa fé, o que significa que devemos conhecer nossa teologia. Nós também devemos conhecer nosso público. Vemos isso no exemplo de Paulo sobre ser apologista no Areópago em Atenas (Atos 17:16-34). Pedro também nos diz que devemos fazer nossa defesa “com mansidão e temor” (1Pedro 3.15). Essa é uma ordem mais difícil ainda de cumprir. A palavra traduzida como “temor” poderia igualmente ser traduzida como “reverência”. É a mesma palavra usada para dizer como devemos nos aproximar de Deus. Então, nós, os exilados, temos que tratar os que nos interrogam com mansidão e reverência.

Então, aí está o versículo 16. Pedro nos lembra que o que nós somos é pedacinho por pedacinho tão importante quanto o que dizemos. Que o testemunho de nossas vidas não leve o testemunho das nossas palavras à vergonha. Ao invés disso, que “o bom procedimento em Cristo” também seja nossa apologética.

O momento

Antes de Paulo se levantar e fazer sua defesa em Atenas, Atos 17.16 nos lembra que o Espírito de Paulo “se revoltava”.

Se alguém tiver entrado em coma em 2011 e acordado 5 anos depois, em 2016, provavelmente perguntaria: “o que aconteceu ao meu país?”. A mudança cultural recente tem sido cataclísmica e exige uma resposta. Que a nossa resposta não seja covardia ou intransigência. Senão, nós violaríamos a ordem de 1Pedro 3.15-16. Nós deixaríamos de ser a igreja.

Ao invés disso, que nossos corações sejam agitados dentro de nós. Que nós sejamos apologistas, confiantes no evangelho e com compaixão por nossos perseguidores. Que sempre estejamos pronto para dar a razão da esperança que está em nós – a única esperança em um mundo com necessidade desesperada do evangelho.

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O Dr. Stephen J. Nichols é professor na Lancaster Bible College and Graduate School, e conquistou seu Ph.D. no Westminster Theological Seminary. Ele é membro da Evangelical Theological Society e, dentro da sociedade, é presidente do Grupo de Estudo Jonathan Edwards.

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Retirado do link: http://voltemosaoevangelho.com/blog/2016/07/todo-cristao-deve-ser-um-apologista/