Quem sou eu?

Publicado: 20 de agosto de 2015 em Sem categoria

Deixe-me apresentar a vocês:

Sou Maurício Montagnero, pastor da Igreja Batista da Liberdade em Descalvado. Sou graduado em Teologia, bacharel, e em Filosofia, licenciatura. Sou pós-graduado em Teologia Contemporânea e Pós-Graduando em Aconselhamento Filosófico.

Amo assuntos relacionados ao reino de Deus e a pessoa dEle, e sou um apaixonado pelo Pai.

Amo o que eu faço e o que eu sou!!

Espero ser agradável a todos vocês que lerão ou acompanharão esse blog.

Forte abraço e que o Deus de paz esteja com todos!!

2014 - 2015 188

“Só o evangelho resolve o problema da morte”

(John Piper)

“Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó inferno, a tua vitória? Ora, o aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei. Mas graças a Deus, que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo”.

(Paulo, o apóstolo)

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Nesta semana, última de novembro e primeira de dezembro de 2016, houve a tragédia do ano. Impactou o mundo e cada vida existencialmente. O avião que transportava jornalistas e o time da Chapecoense, que estava em ascendência com seu futebol, caiu e com isso várias vidas foram ceifadas.

Há pergunta existencial que há para todos nós neste momento a fim de buscarmos uma resposta apologética  partindo do pressuposto da fé cristã revelada nas Escrituras é: Quais lições tal tragédia nos ensina?

Bem, tentarei apontar algumas:

 

FRAGILIDADE DA VIDA:

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A vida é um sopro… A juventude não é eterna… Somos seres frágeis… Diante de Eclesiastes (um livro que tem ar de desespero, mostrando o vazio da vida), capítulo 11, versículos 9 – 11, podemos afirmar que nossa vida é curta para a vivermos irresponsavelmente e três princípios precisam ser observados diante disso. Primeiro, precisamos renunciar os almejos de nosso coração (verso 9ab), pois Deus pedirá contas (9c, 11 e 14), logo, fujamos dos desejos pecaminosos que o coração traz (10), porque a juventude é vaidade – do hebraico “hebhe,” tem o significado de “vapor” ou “sopro”, portanto, a juventude é como vapor e o sopro, vêm e passam igual à vida de vaidades (10c).

Segundo, precisamos de estimulo e firmeza (capítulo 12.11). O Aguilhão era um objeto formado de couro cru e composto de ruelas de aço, sua medida era de 1,80m, servia para fazer os animais andarem. Ele serve como analogia de estimulo para nossa vida cristã. Os pregos naquele tempo eram grandes para firmarem fortemente as coisas, e serviam para mantêm os animais amarrados. Ele serve como analogia de firmeza para nossa vida cristã. Juntando os dois podemos concluir que devemos nos estimular e nos firmar na palavra, na fé cristã revelada nela, cada vez mais.

Terceiro (capítulo 12.13) aprendamos a temer a Deus e guardar os mandamentos dEle (Sl 119.9 – 11), pois são a fonte da sabedoria. Portanto, em suma, devemos reconhecer que nossa vida é um passar rápido neste mundo, e passará como ele, mas a nossa vida de integridade diante Deus e sua palavra será permanecida eternamente e cada um terá a recompensa conforme a buscou. Sugiro ainda, para complementar este tópico, a leitura de Sl 90.9 e 10: Pois todos os nossos dias vão passando na tua indignação; acabam-se os nossos anos como um conto ligeiro. A duração da nossa vida é de setenta anos, e se alguns, pela sua robustez, chegam a oitenta anos, o melhor deles é canseira e enfado, pois passa rapidamente, e nós voamos.

 

DOUTRINA E NATUREZA DA MORTE:

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Existem duas doutrinas filosóficas que precisamos levar em consideração, a saber: 1) Fatalismo, a qual ensina que tudo acontece no universo é por forças externas onde a escolha e o esforço do ser-humano não faz diferença. 2) Determinismo, a qual ensina que todos os acontecimentos do universo obedecem às leis naturais de tipo causal.

O acidente com o avião e, consequentemente, as mortes que houve lá são consideradas um fatalismo, pois elas foram realizadas por uma força externa e o ser-humano nada pode fazer para mudar tal; como também um determinismo, pois obedecem às leis naturais (ciclo natural da vida), neste último podemos compreender melhor com tal ilustração:

Há muitos e muitos anos atrás, num dos vilarejos que sempre existiram nos arredores de Bagdá, um homem mandou seu escravo ir à feira livre.
Quase uma hora depois, o serviçal entra correndo pela porta da frente, em pânico, gritando:
– Meu senhor, meu senhor… por favor, empreste-me um camelo… eu preciso fugir.
– O quê está havendo, homem, perguntou-lhe o senhor.
– Eu estava na feira, como o senhor me mandou, e tive a infelicidade de dar de cara com a “dona” Morte, e ela olhou para mim com um olhar ameaçador. Por favor, meu senhor, empreste-me um camelo. Tenho parentes em Bagdá e lá ela não vai me encontrar. Sei onde me esconder… a cidade é grande.
O homem emprestou o camelo ao seu escravo, vestiu sua vestimenta e foi à feira. Encontrou-se com a “dona” Morte e foi logo lhe perguntando:
– “Dona” Morte, por quê a senhora olhou para o meu escravo com um olhar ameaçador?
– Em absoluto, respondeu a Morte, não olhei para o seu escravo com um olhar ameaçador. Olhei para ele com um olhar de espanto, pois tenho um encontro com ele daqui há pouco em Bagdá e não entendi como ele ainda está aqui.

Por conseguinte, a tragédia que gerou a morte deles faz que urja a necessidade de refletirmos que todos nós morreremos (fatalismo) e não sabemos quando tal foi determinada para acontecer (determinismo). Com isso em mente eu te pergunto: Qual é a sua esperança além-mundo? Qual é a sua consolação? Talvez um envolvimento bíblico-doutrinário do que é a morte nos leve a uma consolação e conforto sobre tal tema neste tempo de tragédia como para um apontamento futuro. Para isso responderemos três perguntas:

  • O que é morte? Ela é a consequência do pecado (Gn 2.16 e 17; Rm 6.23) e a perca da benção do homem de ter a vida eterna aqui na terra, como, também, a extinção da vida física, onde o corpo volta ao pó da terra (Gn 3.19; Ec 12.7).
  • Quais são as mortes existentes? 1) Espiritual, a separação do indivíduo de Deus (Rm 3.23). Nossa alma está com uma barreira entre ela e Deus, e a solução de tal está na história da paixão de Cristo e nossa vida voltada a isso. 2) Física, é a separação entre a alma, o espírito e o corpo (Gn 2.17; 3.19; Ec 12.7; Rm 5.12; 6.23); sobre essa que estamos refletindo. 3) Eterna, é a segunda morte, é a separação eterna do indivíduo com Deus onde será condenado e sofrerá para sempre (Mt 13.49 – 50; 25.41; Lc 16.19 – 31; 2 Ts 1.7 – 9; Ap 2.11; 20. 6 e 14; 21.8). Aqui a alma será para sempre distanciada e separada de Deus e sobre tal é que deve está nossa maior preocupação, se a herdaremos ou não. Para não herdá-la é preciso haver a entrega voluntária de nossas vidas a Cristo Jesus.
  • O que ocorre com os cristãos pós-morte? A alma não adormece, portanto, não está certa a doutrina do sono da alma (Ec 12.7; Lc 16.22 – 25; 23.43; At 7.59 e 60; Hb 12.23; Ap 6.9 – 11); não vai ao purgatório, portanto, não está certa tal doutrina (1 Co 3.15); não voltará viver em outro corpo, portanto, a doutrina da reencarnação cai por terra (Hb 9.27; falta de textos para basear essa doutrina). Para os salvos, a morte é a passagem para a vida eterna com Cristo (Lc 16.20 – 24; 23.46; 2 Co 5.1, 6 – 8 ; Fp 1.23), em estado de consciência.

Diante de toda essa exposição gosto de fazer um insight entre o que o filósofo Kant falou certa vez, “se vale a pena viver e se a morte faz parte da vida, então, morrer vale a pena”, com as palavras do apóstolo Paulo em 2Co 5.6 – 8 e Fl 1.21.23: Pelo que estamos sempre de bom ânimo, sabendo que, enquanto estamos no corpo, vivemos ausentes do Senhor (Porque andamos por fé e não por vista.). Mas temos confiança e desejamos, antes, deixar este corpo, para habitar com o Senhor… Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho. Mas de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de partir e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor.

 

CONCLUSÃO:

Lamentavelmente a nossa cultura ocidental nos ensina a fugir da reflexão sobre este tema e conceito, todavia, em contraponto o salmista nos instrui em oração ao Senhor: Ensina-nos a contar os nossos dias, de tal maneira que alcancemos coração sábio (Sl 90.12). Por fim, para complementar, deixo esta reflexão de três minutos de John Piper:

Filósofo Clóvis de Barro X Jesus de Nazaré

Publicado: 23 de novembro de 2016 em Sem categoria

Herman Dooyeweerd certa disse que “toda verdade é verdade de Deus, mesmo pronunciada pela boca de um ímpio”.

Não afirmo, e não posso fazer isso, que o professor Clovis é um pio ou um ímpio. Porém, o que quero deixar notório aqui é a afirmação singular de que este professor de filosofia corporativa da USP faz e converge com a fé cristã.

É simplesmente fascinante, maravilhoso!!

Este foi o tema redacional do ENEM deste ano, 2016, exame realizado neste final de semana que passou. Quero aproveitar, portanto, a atualidade e particularidade do assunto e tecer (não fazer uma redação de 30 linhas, rs!) um breve texto sobre ele.

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Quando soube (via timeline do facebook) sobre o tema, automaticamente lembrei-me de um vídeo que vi do filósofo e educador Mario Sérgio Cortella, dias atrás. Neste vídeo ele falava, parafraseando-o, que religião não é coisa de gente tonta, mas coisa de gente, e que existe gente tonta dentro da religião, como também existe em outras esferas da sociedade. Particularmente, dou toda a razão para ele! Essas pessoas “tontas” que existem fazem que sua ideologia, comunidade, filosofia, crença, opinião e assim por diante, se tornem intolerantes. Uma vez que tais estão no meio religioso, fazem com que a religião se torne intolerante – com o real significado de quê essa palavra conota, de fundamentalismo ou extremismo que leva a atitudes contra outros que são perigosas, danosas, catastróficas e até criminosas; e não do uso trivial se tornou para os existencialistas ou marxistas que usam, incoerentemente, de forma intolerante para denunciar a possível “intolerância” daquilo que os questiona e os desmascara.

Quando há a manifestação dessas pessoas “tontas” que promovem a intolerância no meio religioso como é que podem ser combatidas? Quais caminhos a percorrer? Embora o tema proponha caminhos (plural) eu quero destacar um caminho (singular). O caminho o qual pode ser trilhado para combater a intolerância e os intolerantes é a própria religião. Como assim? Ilustrando, sabemos que muitos venenos que matam também são usados para tratar doenças cardiovasculares, alergias e etc., da mesma forma, mesmo sabendo que muitas religiões e a maneira que elas são expressas podem matar, existe uma ramificação dela que salva, liberta e quando corretamente aplicado, combate a própria intolerância religiosa.

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Essa ramificação, singular, a qual falo é a fé cristã revelada nas Escrituras Sagradas. Essa ramificação, singular, a qual eu falo é a manifestação da graça de Deus revelada em Cristo Jesus (o único caminho, verdade e vida). Sim, a fé e a graça revelada nas Escrituras combate a intolerância religiosa. De inúmeros exemplos que poderia citar vou me limitar em dois, vejamos:

Primeiro, nestes meses tenho pregado na comunidade a qual sou pastor acerca do livro de Gálatas, que coloquei como tema: Mergulhando na Graça. Este livro fora escrito por Paulo, o apóstolo, para as igrejas da Galácia que era uma província do Império Romano que ficava localizado onde hoje é a atual Turquia. Era composta de várias cidades e tinha várias igrejas. Depois que Paulo pregou e passou por lá (Atos 13 e 14) aconteceu que alguns intolerantes religiosos chamados Judaizantes foram ali a fim de fazer os gálatas começarem a seguir regras religiosas passadas (circuncidar, guardar dias especiais e tal) para serem “salvos”. Isso chegou ao ouvido de Paulo que ficou perplexo e logo escreveu uma carta ensinando-os que a salvação só viria através da graça, isto é, do amor que impulsionou o coração de Deus em enviar Cristo para morrer em nosso lugar assumindo papel de maldito e levando sobre Ele a nossa maldição. Assim, não há nenhum tipo de esforço humano que alguém possa fazer para ser salvo, pois é só através deste favor imerecido e impagável que Deus fez por nós, no dadivando tal. Se a graça é uma dádiva, presente, que vem de Deus, logo, não pode haver manipulação ou leis religiosas que forcem o homem a viver como “salvo”, pois ele nunca conseguirá, se não for naturalmente através da justificação pela fé (tema central do livro) e pela graça. Uma vez que a graça é entendida ela faz os homens compreenderem seu papel de imperfeição e esperar somente em Deus a devida transformação, portanto, não agindo com imposições e, por conseguinte, com intolerância aos outros.

Segundo, muitas vezes Jesus afrontou a intolerância religiosa dos mestres da lei (fariseus, saduceus e escribas) de sua época, mostrando que tal mostrava hipocrisia da parte deles e não priorizava e nem salvava o outro. Em uma dessas histórias cito o episódio do homem das mãos atrofiadas (Mc 3.1 – 5). Jesus o curou em um dia que era proibido pela religião judaica. Ele quebrou o sistema e priorizou o ser-humano, demonstrando assim a graça a qual ele veio demonstrar e implantar. Esta graça faz com que nos livremos do legalismo ou intolerância religiosa e estendemos nossas mãos para ajudar o outro, em sua real necessidade. Que abdiquemos de nossos direitos em favor do ser.

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Portanto, o caminho para combater a real intolerância religiosa no Brasil é o ensinar e o se envolver com um tema que é da “religião”, melhor, que é do evangelho, da fé e das Escrituras, e este tema é a graça de Deus demonstrada no seu Filho Jesus e visível na leitura de Gálatas. Essa levará o ser dispensar e receber, naturalmente, benevolência e o favor para com todos, como foi de Deus para os seus. Não imporá nada a ninguém e nem a si, pois por si mesmo sabe que não consegue viver algo. Deixa que Deus aja livremente na vida de cada um.

Esse foi um dos discursos que fez a reforma protestante brotar e se livrar da intolerância religiosa da época. Que fez também os batistas lutarem pela liberdade de consciência, sendo reconhecida tal atitude pelo filósofo John Locke.

Ultimando este texto eu deixo aqui meu desafio para você: Entenda dessa graça, se envolva com ela e deixe que a mesma naturalmente leve a você e a outros se aperfeiçoarem em tudo, até mesmo no tema proposto pelo ENEM.

“Maravilhosa graça, quão doce é o som que salvou um miserável como eu. Eu estive perdido, mas agora fui encontrado era cego, mas agora eu vejo”.

(John Newton – ex-traficante de escravos).

 

Cosmovisão Cristã

Publicado: 19 de agosto de 2016 em Sem categoria

Hoje compartilho com vocês um artigo que li e retirei do link: http://reformai.com/cosmovisao-crista/. Tal artigo tem haver com a apologética pressuposicionalista, visto que a mesma trabalha fortemente com a construção e aplicação de uma cosmovisão cristã para vidas e sociedades, embasada no NeoCalvinismo e na Filosofia Reformista. Boa leitura!

Como você se posiciona frente aos vários acontecimentos do mundo? Qual a sua opinião a respeito do aborto e da sexualidade? Como você vê o casamento? Qual deve ser o destino da educação e da política? Homossexualismo? Sobre o trabalho? Educação infantil?

A resposta para todas estas perguntas dependerá em qual cosmovisão você crê. E para todas estas perguntas o cristianismo oferece respostas adequadas. Está é a Cosmovisão Cristã!  O Cristianismo aborda vários temas sobre a vida, trabalho, sexualidade, educação, política, ética, família e sobre muitas outras coisas presentes na sociedade. Tudo isso faz parte de uma Cosmovisão Cristã.

Mas, o que é “cosmovisão”?

Cosmovisão é um conjunto de suposições e crenças que alguém usa para interpretar e formar opiniões acerca da sua humanidade, propósito de vida, deveres no mundo, responsabilidades para com a família, interpretação da verdade, questões sociais, etc. Todo ser humano possui uma cosmovisão, mesmo que ele não saiba.

Uma cosmovisão define o que a pessoa é, o que ela irá defender e até como irá viver.  É a maneira pela qual a pessoa vê ou interpreta a realidade. É uma visão que direcionará a maneira como você verá e interpretará o mundo.  Ela é como um óculos, para que a realidade faça sentido é preciso visualizá-la de acordo com uma cosmovisão coerente e verdadeira, ou seja, com as “lentes corretas”.

A cosmovisão é como um mapa mental que nos diz como navegar de modo eficaz no mundo. 

Porém, hoje, vamos focar em uma Cosmovisão Cristã. Para o cristão, ela vai colocar o entendimento do universo como criação de Deus, e em todas as esferas de conhecimento, possíveis de estarem presentes na humanidade, como procedentes do Deus único e verdadeiro, Senhor do universo, comunicadas a nós por Cristo “… no qual estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento” (Cl 2.3). b

Uma Cosmovisão Cristã é fundamental para ser um contraponto aos sistemas ideológicos vigentes na atualidade. O mundo diz que a moral é relativa, a Bíblia diz que ela é absoluta. O mundo secular exalta o homem, exalta governos, exaltam intelectos e pensamentos, a Bíblia exalta a Deus e sua Soberania.

Implantar uma cosmovisão cristã é uma necessidade, vide o fracasso das cosmovisões seculares. Ao observarmos a sociedade, fica evidente que ela vai muito mal. O relativismo e o politicamente correto têm tomado conta da televisão, das notícias, das pessoas. A sociedade se tornou um antro de pornografia, violência, de gratificação imediata dos prazeres. O culto ao homem tomou lugar do culto a Deus. Os preceitos morais estão a cada dia sendo “desconstruídos” e erradicados. A família se tornou descartável, perdeu sua importância, tornou-se apenas um mero arranjo entre pessoas.

Por tudo isso, há uma necessidade urgente de estabelecer uma Cosmovisão Cristã, há a necessidade de que ela seja ensinada aos cristãos e à sociedade. Por isso, a importância de escolas cristãs, de faculdades e centros acadêmicos que tenham a palavra como balizador de seus ensinos.  A fé cristã deixa de ser uma “questão religiosa” para o domingo, apenas para dentro das igrejas, e volta a assumir o seu posto original de guia moral e cultural para o mundo.

O Cristianismo vai além da fé que temos ou do culto que prestamos na igreja. Ele é uma estrutura para compreender e modificar a sociedade, a realidade. Vai muito além das questões religiosas, ele define a moral de um povo, de uma sociedade. Através dele podemos moldar a cultura de uma nação, podemos mudar o rumo de uma sociedade. Não nos deixemos moldar pelas visões vigentes nestes mundos, não andemos de braços dados com ideologias pagãs e satânicas, olhemos para a Palavra, e dela devemos extrair uma cosmovisão para nossas vidas e para toda uma sociedade.

Soli Deo Glória!

Todo Cristão Deve Ser Um Apologista

Publicado: 12 de julho de 2016 em Sem categoria

 

O meu professor de apologética no seminário contou histórias de reações estranhas que ele recebeu quando dizia às pessoas o que fazia da vida. A melhor história envolveu uma funcionária que lidava com empréstimos bancários. Quando ele disse à funcionária que ele era professor de apologética, ela replicou: “isso é maravilhoso”, e então acrescentou: “nesses dias, nós realmente precisamos ensinar às pessoas a como pedir desculpas”.

A funcionária estava tanto certa quanto errada. Nós realmente precisamos de professores de apologética, mas apologética não tem a ver com pedir desculpas. Ao invés disso, tem a ver com defender a fé. Na verdade, defender a fé é tão urgente hoje que nós precisamos de mais do que professores de apologética – nós precisamos que todos os cristãos percebam que são apologistas.

Um dos livros recentes do Dr. R.C. Sproul é intitulado Everyone’s a Theologian [Todo mundo é um teólogo]. Nós poderíamos dizer igualmente que “todo mundo é um apologista”. Aqueles que estão em Cristo e têm sido levados a ver a verdade e a beleza do evangelho têm tanto a obrigação quanto o privilégio de defendê-lo. Nós somos obrigados a “dar uma resposta”. Nós não podemos simplesmente depender dos filosoficamente dotados ou dos culturalmente adaptados para carregar esse o peso. Todos são apologistas.

O mandamento

A palavra grega apologia significa literalmente “falar a”. Através do tempo, veio a significar “fazer uma defesa”. Quando Atenas acusou Sócrates de ser nocivo à sociedade, ele teve que oferecer a sua defesa. Ele a intitulou Apologia. Ele se colocou diante dos “homens de Atenas”, oferecendo-lhes sua defesa racional. O Novo Testamento usa o termo 17 vezes. Muitos episódios dizem respeito a casos de tribunal, tais como a hora em que Paulo apareceu diante do Concílio Judaico em Atos 22 e diante de Festo em Atos 25. Paulo também fala do aprisionamento dele em Roma como uma apologia do Evangelho (Filipenses 1.7,16).

O texto clássico para a palavra grega apologia é 1Pedro 3.15-16. A primeira carta de Pedro foi escrita aos “exilados” que viviam na Ásia Menor, que se localizava na Turquia de hoje. Esses cristãos exilados sofreram perseguição e foram condenados ao ostracismo por causa da fé que possuíam. Eles foram insultados e caluniados. Alguns deles sofreram nas mãos dos membros de suas próprias famílias.

Pedro ordena a esses exilados que não vivam com medo ou covardia diante da oposição. Ao invés disso, ele ordena a esses cristãos exilados – e a nós – que estejam sempre prontos para fazer uma defesa. O verbo principal “fazer uma defesa”, a partir da palavra grega apologia, está no modo imperativo. O modo imperativo é usado para ordens. Não há processo de adiamento aqui. A ordem se estende a todos nós.

Mais adiante, Pedro nos diz como fazer nossa defesa. Ele observa que devemos “sempre estar preparados”. Esta é uma ordem difícil de cumprir. Questionamentos sobre a nossa fé tendem a vir em tempos inesperados. A fim de que estejamos sempre prontos, devemos conhecer nossa fé, o que significa que devemos conhecer nossa teologia. Nós também devemos conhecer nosso público. Vemos isso no exemplo de Paulo sobre ser apologista no Areópago em Atenas (Atos 17:16-34). Pedro também nos diz que devemos fazer nossa defesa “com mansidão e temor” (1Pedro 3.15). Essa é uma ordem mais difícil ainda de cumprir. A palavra traduzida como “temor” poderia igualmente ser traduzida como “reverência”. É a mesma palavra usada para dizer como devemos nos aproximar de Deus. Então, nós, os exilados, temos que tratar os que nos interrogam com mansidão e reverência.

Então, aí está o versículo 16. Pedro nos lembra que o que nós somos é pedacinho por pedacinho tão importante quanto o que dizemos. Que o testemunho de nossas vidas não leve o testemunho das nossas palavras à vergonha. Ao invés disso, que “o bom procedimento em Cristo” também seja nossa apologética.

O momento

Antes de Paulo se levantar e fazer sua defesa em Atenas, Atos 17.16 nos lembra que o Espírito de Paulo “se revoltava”.

Se alguém tiver entrado em coma em 2011 e acordado 5 anos depois, em 2016, provavelmente perguntaria: “o que aconteceu ao meu país?”. A mudança cultural recente tem sido cataclísmica e exige uma resposta. Que a nossa resposta não seja covardia ou intransigência. Senão, nós violaríamos a ordem de 1Pedro 3.15-16. Nós deixaríamos de ser a igreja.

Ao invés disso, que nossos corações sejam agitados dentro de nós. Que nós sejamos apologistas, confiantes no evangelho e com compaixão por nossos perseguidores. Que sempre estejamos pronto para dar a razão da esperança que está em nós – a única esperança em um mundo com necessidade desesperada do evangelho.

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O Dr. Stephen J. Nichols é professor na Lancaster Bible College and Graduate School, e conquistou seu Ph.D. no Westminster Theological Seminary. Ele é membro da Evangelical Theological Society e, dentro da sociedade, é presidente do Grupo de Estudo Jonathan Edwards.

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Retirado do link: http://voltemosaoevangelho.com/blog/2016/07/todo-cristao-deve-ser-um-apologista/

Entrevista com Luiz Felipe Pondé

Publicado: 24 de junho de 2016 em Sem categoria
Muito boa tal entrevista em que fala sobre temas de superioridade da fé acerca do ateísmo pensante (existencialismo filosófico) e o ateísmo prática (marxismo). Tal entrevista de torna convergente pelo motivo de ser articulada por um ser pensante não cristão, contudo, entendendo a máxima do cristianismo e sua relevância.
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A revista Veja de 13/7 publicou entrevista interessante com o filósofo Luiz Felipe Pondé, de 52 anos. Responsável por uma coluna semanal na Folha de S. Paulo e autor de livros, Pondé costuma criticar certezas e lugares-comuns bem estabelecidos entre seus pares. Professor da Faap e da PUC, em São Paulo, o filósofo também é estudioso de teologia e considera o ateísmo filosoficamente raso, mas não é seguidor de nenhuma religião em particular. Pondé diz que “a esquerda é menos completa como ferramenta cultural para produzir uma visão de si mesma. A espiritualidade de esquerda é rasa. Aloca toda a responsabilidade do mal fora de você: o mal está na classe social, no capital, no estado, na elite. Isso infantiliza o ser humano. Ninguém sai de um jantar inteligente para se olhar no espelho e ver um demônio. Não: todos se veem como heróis que estão salvando o mundo por andar de bicicleta”. Sobre sexo, ele diz: “Eu considero a revolução sexual um dos maiores engodos da história recente. Criou uma dimensão de indústria, no sentido da quantidade, das relações sexuais – mas na maioria elas são muito ruins, porque as pessoas são complicadas.”
Por que a política não pode ser redentora?
O cristianismo, que é uma religião hegemônica no Ocidente, fala do pecador, de sua busca e de seu conflito interior. É uma espiritualidade riquíssima, pouco conhecida por causa do estrago feito pelo secularismo extremado. Ao lado de sua vocação repressora institucional, o cristianismo reconhece que o homem é fraco, é frágil. As redenções políticas não têm isso. Esse é um aspecto do pensamento de esquerda que eu acho brega. Essa visão do homem sem responsabilidade moral. O mal está sempre na classe social, na relação econômica, na opressão do poder. Na visão medieval, é a graça de Deus que redime o mundo. É um conceito complexo e fugidio. Não se sabe se alguém é capaz de ganhar a graça por seus próprios méritos, ou se é Deus na sua perfeição que concede a graça. Em qualquer hipótese, a graça não depende de um movimento positivo de um grupo. Na redenção política, é sempre o coletivo, o grupo, que assume o papel de redentor. O grupo, como a história do século 20 nos mostrou, é sempre opressivo.
Em que o cristianismo é superior ao pensamento de esquerda?
Pegue a ideia de santidade. Ninguém, em nenhuma teologia da tradição cristã – nem da judaica ou islâmica –, pode dizer-se santo. Nunca. Isso na verdade vem desde Aristóteles: ninguém pode enunciar a própria virtude. A virtude de um homem é anunciada pelos outros homens. Na tradição católica – o protestantismo não tem santos –, o santo é sempre alguém que, o tempo todo, reconhece o mal em si mesmo. O clero da esquerda, ao contrário, é movido por um sentimento de pureza. Considera sempre o outro como o porco capitalista, o burguês. Ele próprio não. Ele está salvo, porque reclica lixo, porque vota no PT, ou em algum partido que se acha mais puro ainda, como o PSOL, até porque o PT já está meio melado. Não há contradição interior na moral esquerdista. As pessoas se autointitulam santas e ficam indignadas com o mal do outro.
Quando o cristianismo cruza o pensamento de esquerda, como no caso da Teologia da Libertação, a humildade se perde?
Sim. Eu vejo isso empiricamente em colegas da Teologia da Libertação. Eles se acham puros. Tecnicamente, a Teologia da Libertação é, por um lado, uma fiel herdeira da tradição cristã. Ela vem da crítica social que está nos profetas de Israel, no Antigo Testamento. Esses profetas falam mal do rei, mas em idealizar o povo. O cristianismo é descendente principalmente desse viés do judaísmo.
Também o cristianismo nasceu questionando a estrutura social. Até aqui, isso não me parece um erro teológico. Só que a Teologia da Libertação toma como ferramenta o marxismo, e isso sim é um erro. Um cristão que recorre a Marx, ou a Nietzsche – a quem admiro –, é como uma criança que entra na jaula do leão e faz bilu-bilu na cara dele. É natural que a Teologia da Libertação, no Brasil, tenha evoluído para Leonardo Boff, que já não tem nada de cristão. Boff evoluiu para um certo paganismo Nova Era – e já nem é marxista tampouco. A Teologia da Libertação é ruim de marketing. É como já se disse: enquanto a Teologia da Libertação fez a opção pelo pobre, o pobre fez a opção pelo pentecostalismo.
O senhor acredita em Deus?
Sim. Mas já fui ateu por muito tempo. Quando digo que acredito em Deus, é porque acho essa uma das hipóteses mais elegantes em relação, por exemplo, à origem do universo. Não é que eu rejeite o acaso ou a violência implícitos no darwinismo – pelo contrário. Mas considero que o conceito de Deus na tradição ocidental é, em termos filosóficos, muito sofisticado. Lembro-me sempre de algo que o escritor inglês Chesterton dizia: não há problema em não acreditar em Deus; o problema é que quem deixa de acreditar em Deus começa a acreditar em qualquer outra bobagem, seja na história, na ciência ou sem si mesmo, que é a coisa mais brega de todas. Só alguém muito alienado pode acreditar em si mesmo. Minha posição teológica não é óbvia e confunde muito as pessoas. Opero no debate público assumindo os riscos do niilista. Quase nunca lanço a hipótese de Deus no debate moral, filosófico ou político. Do ponto de vista político, a importância que vejo na religião é outra. Para mim, ela é uma fonte de hábitos morais, e historicamente oferece resistência à tendência do Estado moderno de querer fazer a cura das almas, como se dizia na Idade Média – querer se meter na vida moral das pessoas.
Por que o senhor deixou de ser ateu?
Comecei a achar o ateísmo aborrecido, do ponto de vista filosófico. A hipótese de Deus bíblico, na qual estamos ligados a um enredo e um drama morais muito maiores do que o átomo, me atraiu. Sou basicamente pessimista, cético, descrente, quase na fronteira da melancolia. Mas tenho sorte sem merecê-la. Percebo uma certa beleza, uma certa misericórdia no mundo, que não consigo deduzir a partir dos seres humanos, tampouco de mim mesmo. Tenho a clara sensação de que às vezes acontecem milagres. Só encontro isso na tradição teológica.
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Retirado do link: https://sintesecristablog.wordpress.com/2016/01/22/filosofo-luiz-felipe-ponde-explica-por-que-deixou-de-ser-ateu/

Frases notáveis a respeito da Bíblia

Publicado: 3 de junho de 2016 em Sem categoria

Frase notáveis a respeito da bíblia feitas por cristãos ou não, salientando assim uma convergência acerca de sua autoridade impar independentemente do credo.

Abraão Lincoln:Creio que a Bíblia é o melhor presente que Deus já deu ao homem. Todo o bem, da parte do Salvador do mundo, nos é transmitido mediante este livro”.

W. E. Gladstone:Dos grandes homens do mundo, meus contemporâneos, tenho conhecido noventa e cinco, e destes, oitenta e sete foram seguidores da Bíblia. A Bíblia assinala-se por uma peculiaridade de Origem. Uma distância imensurável separa-a de todos os outros livros”.

George Washington:Impossível é governar bem o mundo sem Deus e sem a Bíblia”.

Napoleão:A Bíblia não é um simples livro, senão uma Criatura Vivente, dotada de uma força que vence a quantos se lhe opõem”.

Rainha Vitória:Este livro dá a razão da supremacia da Inglaterra”.

Daniel Webster:Se existe algo nos meus pensamentos ou no meu estilo que se possa elogiar, devo-o aos meus pais que instilaram em mim, desde cedo, o amor pelas Escrituras. Se nos ativermos aos princípios ensinados na Bíblia, nosso País continuará prosperando sempre. Mas se nós e nossa posteridade negligenciarmos suas instruções e sua autoridade, ninguém poderá prever a catástrofe súbita que nos poderá sobrevir, para sepultar toda a nossa glória em profunda obscuridade”.

Thomas Carlyle:A Bíblia é a expressão mais verdadeira que, em letras do alfabeto, saiu da alma do homem, mediante a qual, como através de uma janela divinamente aberta, todos podem fitar a quietude da eternidade, e vislumbrar seu lar longínquo, há muito esquecido”.

John Ruskin:Qualquer que seja o mérito de alguma coisa escrita por mim, deve-se tão só ao fato de que, quando eu era menino, minha mãe lia todos os dias para mim um trecho da Bíblia, e cada dia fazia-me decorar uma parte dessa leitura”.

Charles A. Dana:O grandioso velho Livro ainda permanece; e este mundo velho, quanto mais tiver suas folhas volvidas e examinadas com atenção, tanto mais apoiará e ilustrará as páginas da Palavra Sagrada”.

Ferrar Fenton:Nas Escrituras hebraico-cristãs temos a única chave que abre para o homem o Mistério do Universo e, para esse mesmo homem, o Mistério do seu próprio eu”.

Thomas Huxley:A Bíblia tem sido a Carta Magna dos pobres e oprimidos. A raça humana não está em condições de dispensá-la”.

W. H. Seward:Toda a esperança de progresso humano depende da influência sempre crescente da Bíblia”.

Patrick Henry:A Bíblia vale a soma de todos os outros livros que já se imprimiram”.

U. S. Grant:A Bíblia é a âncora-mestra de nossas liberdades”.

Robert E. Lee:Em todas as minhas perplexidades e angústias a Bíblia nunca deixou de me fornecer luz e vigor”.

Lord Tennyson:A leitura da Bíblia já de si é uma educação”.

Horace Greeley:É impossível escravizar mental ou socialmente um povo que lê a Bíblia. Os princípios bíblicos são os fundamentos da liberdade humana”.

John Quincy Adams:Tão grande é a minha veneração pela Bíblia que, quanto mais cedo meus filhos começam a lê-la, tanto mais confiado espero que eles serão cidadãos úteis à pátria e membros respeitáveis da sociedade. Há muitos anos que adoto o costume de ler a Bíblia toda, uma vez por ano”.

Immanuel Kant:A existência da Bíblia, como livro para o povo, é o maior benefício que a raça humana já experimentou. Todo esforço por depreciá-la é um crime contra a humanidade”.

Charles Dickens:O Novo Testamento é mesmo o melhor livro que já se conheceu ou que se há de conhecer no mundo”.

Sir William Herschel:Todas as descobertas humanas parecem ter sido feitas com o propósito único de confirmar cada vez mais fortemente as verdades contidas nas Sagradas Escrituras”.

Sir Isaac Newton:Há mais indícios seguros de autenticidade na Bíblia do que em qualquer história profana”.

Goethe:Continue avançando a cultura intelectual; progridam as ciências naturais sempre mais em extensão e profundidade; expanda-se o espírito humano tanto quanto queira; além da elevação e da cultura moral do cristianismo, como ele resplandece nos Evangelhos, é que não irão”.

Henry Van Dyke:Nascida no Oriente e vestida de formas e de imagens orientais, a Bíblia percorre as estradas do mundo inteiro, familiarizada com os caminhos por onde vai; penetra nos países, um após outro, para em toda parte sentir-se bem, como em seu próprio ambiente. Aprendeu a falar ao coração do homem em centenas de línguas. As crianças ouvem suas histórias com admiração e prazer, e os sábios ponderam-nas como parábolas de vida. Os maus e os soberbos estremecem com os seus avisos, mas aos ouvidos dos que sofrem e dos penitentes sua voz tem timbre maternal. A Bíblia está entretecida nos nossos sonhos mais queridos, de sorte que o amor, a amizade, a simpatia, o devotamento, a saudade, a esperança, cingem-se com as belas vestimentas de sua linguagem preciosa. Tendo como seu esse tesouro, ninguém é pobre nem desolado. Quando a paisagem escurece, e o peregrino, trêmulo, chega ao Vale da Sombra, não teme nele entrar; empunha a vara e o cajado da Escritura; diz ao amigo e companheiro — ‘Adeus, até breve’. Munido desse apoio, avança pela passagem solitária como quem anda pelo meio de trevas em demanda da luz”. (Do “Companionable Books”, de Henry Van Dyke, por gentileza dos seus editores, Charles Scribner’s Sons).

Fonte: Manual Bíblico de Halley.

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Retirado do link: http://www.estudantesdabiblia.com.br/biblia/frases-notaveis-a-respeito-da-biblia.html

Hoje oferecemos conforme a proposta deste blog a resposta bíblica para perguntas seculares de nossa atualidade: O feminismo é bíblico? O feminismo pode ser misturado com o cristianismo ou vice e versa? 

Essa é uma questão atual e relevante, porém precisamos saber qual é o teor bíblico para tal questionamento. Enfim, a convergência (proposta do blog) que há entre o feminismo e o cristianismo é a valorização da mulher, embora seja de perspectivas diferentes.

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]Vamos jogar um jogo rápido. Chama-se “O que vem à sua mente quando você ouve a palavra?” Aqui vamos nós.
Primeira palavra: Homens.
O que veio à mente? Seja honesta.
Próxima palavra. Casamento.
O que surgiu na sua cabeça?
Próxima palavra: Igualdade
Hmmm… essa vai te fazer ter uma variedade de pensamentos. O que você pensa?
Última palavra: Feminismo
Ah sim. Agora estamos chegando a um ponto controverso.

Qual foi a primeira coisa que veio à sua cabeça quando você leu essa palavra?
Bom trabalho! Você jogou com êxito o seu primeiro jogo “O que vem à mente quando você ouve a palavra?”
Se eu jogasse esse jogo em um grande auditório com 50.000 mulheres de todas as esferas da vida, as respostas seriam surpreendentemente diversificadas. Especialmente quando se trata da palavra feminismo. Esta palavra é, no mínimo, controversa.
O feminismo é um tema interessante, porque ninguém consegue fixar sua definição.
Você sabe por quê? Porque têm dezenas e dezenas de definições.
 
Uma mulher que afirma ser uma feminista pode ser afiliada a um ou mais dos seguintes campos:

 

  1. • Feminismo Liberal
  2. • Feminismo Radical
  3. • Feminismo marxista e socialista
  4. • Feminismo Moderado
  5. • Feminismo Pós-moderno
  6. • Feminismo separatista
  7. • Feminismo Cultural
  8. • Eco –Feminismo

 

E muitos, muitos outros. Eles continuam a evoluir conforme o tempo passa. Cada um desses títulos significa algo um pouco diferente também. É difícil permanecer informado.

Há um campo comum que eu ainda não mencionei. É o campo mais amplamente anunciado e parece ser o que mulheres cristãs tendem a juntar-se.
Chama-se feminismo igualitário.
Após postar um tópico sobre o feminismo, nós (GirlDefined) normalmente recebemos um ou dois e-mails de meninas dizendo coisas como: “O feminismo é uma coisa ótima! Ele luta pela igualdade entre homens e mulheres.” Ou: ” Você está prejudicando as mulheres ao se opor ao feminismo!”
Na verdade, uma menina nos escreveu recentemente um longo comentário explicando por que o feminismo é tão bom. Ela disse:“O feminismo é, essencialmente, sobre a criação de mais oportunidades para as mulheres do que as gerações anteriores tinham”.
Ela, obviamente, se alinha com o campo do “feminismo igualitário.” E eu posso ver o porquê. Feminismo igualitário parece bom. Muito bom.
Então, há algo de errado em ser uma mulher cristã e rotular a si mesma como uma feminista?
Bem, vamos verificar a definição do feminismo igualitário. Leia devagar. “Feminismo igualitário centra-se na obtenção de igualdade entre homens e mulheres em todas as áreas (trabalho, casa, sexualidade, lei)”.
Parece bom.
Mas você entendeu? Feminismo igualitário centra-se na obtenção de igualdade em todas as áreas. Em poucas palavras, significa isto: igualdade para as mulheres não vai acontecer até que todos os papéis tradicionais de gênero em todas as áreas sejam iguais… tipo as mesmas. Nós não somos iguais aos homens até que as mulheres possam trocar livremente os estilos de vida e os papéis com eles.
Aos olhos da maioria das feministas, a igualdade significa que as mulheres devem ter os mesmos trabalhos que os homens. Mesmos planos de vida que os homens. Mesmos papéis no casamento que os homens. Mesmos papéis na criação dos filhos que os homens.
Estou errada?
Pergunte a qualquer mulher que afirma ser uma feminista se ela é a favor de uma esposa submeter-se a seu marido no casamento. Ela raramente vai dizer sim. Por quê? Porque ela acredita que igualdade com os homens significa “não ter distinção”.
O feminismo igualitário se veste de uma forma encantadora com um sorriso e diz: “Nós somos mulheres inocentes… tudo o que realmente desejamos é ser vistas como igualmente valiosas quanto os homens”.
Se isso é realmente tudo o que o feminismo estava preocupado, este post poderia acabar no próximo parágrafo. Mas não é. Nem de perto. O feminismo sempre coloca a “igualdade” na frente da câmera porque é o lado mais atraente.
E é exatamente por isso que recebemos e-mails de meninas cristãs perguntando por que somos contra o feminismo.
Elas veem a encantadora ponta do iceberg feminista e se perguntam, “por que um site cristão como GirlDefined é contra as mulheres terem o mesmo valor que os homens?”
Se essas meninas mergulhassem suas cabeças debaixo d’água, elas rapidamente veriam a gigantesca massa escondida.
O fato é, GirlDefined [1] é 100% a favor da igualdade entre homens e mulheres. Isso deveria ser óbvio. Nós até mesmo escrevemos um artigo sobre isso. E sabe de uma coisa? Nós não pensamos nisso antes e nem o feminismo.
Deus pensou.
Desde o início dos tempos, Deus claramente definiu que “Deus criou o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou” (Gênesis 1:27).
Seres humanos igualmente valiosos.
MAS… Não termina aí.
O homem e a mulher foram criados por Deus para serem iguais em valor, mas diferentes em papéis. Deus não nos projetou para sermos idênticos. Ele não nos projetou para fazermos as mesmas coisas. Ele criou um homem e uma mulher com diferentes funções e trabalhos.
Ele criou dois gêneros diferentes de propósito e com um propósito.
A maioria das feministas não gostam muito do desígnio de Deus para os gêneros.
Elas não gostam da ideia de o homem ser apelidado como o principal líder, iniciador, e provedor. Elas não gostam da ideia de Eva ter sido criada como uma auxiliadora de Adão. Elas simplesmente não gostam dessas coisas.
O feminismo tem rejeitado a Deus como a autoridade final para a vida, e tomou o seu trono. O deus do feminismo orgulhosamente diz: “Eu sei melhor do que Deus e vou viver a minha feminilidade como eu acho que é o melhor”.
Além de não gostar do projeto de Deus para os gêneros, o feminismo igualitário significa muito mais do que o seu nome amigável sugere. Se você fizer um pouco o dever de casa você vai descobrir rapidamente quantas outras questões de “direitos das mulheres” o feminismo igualitário promove.
Vamos mergulhar abaixo da superfície para ver o quão grande e insano este iceberg realmente é.
 
Agora (hoje) quase todos os grupos feministas estão fortemente seguindo:


  1. • O direito da mulher de abortar (homicídio) seu bebê.
  2. • O lesbianismo e o direito de as mulheres se casarem com mulheres.
  3. • Libertação completa de limites sexuais e morais.
  4. • Liberdade de papéis tradicionais de gênero no casamento.
  5. • Rejeição de Deus como a autoridade final na vida.


A maioria dos americanos concordaria que a maioria das feministas estão seguindo fortemente as causas acima. Eu não sei você, mas esses são alguns direitos gravemente anti-bíblicos. Certo?
Se você atualmente afirma ser uma feminista, eu espero que você considere cuidadosamente o que essa palavra significa e a que está em grande parte associada.
Aqui está a verdade difícil de engolir: como uma mulher cristã, você não pode concordar 100% com a Palavra de Deus e concordar 100% com o feminismo ao mesmo tempo. Eles simplesmente não se misturam na maioria das áreas. Na verdade, se nós jogarmos todas as ideologias feministas na mesma panela, a Bíblia seria fortemente oposta a 99% dela.
Em sua raiz, o feminismo é construído sobre uma fundação completamente desprovida de Deus. O movimento feminista é tecido com o mesmo pecado cometido por Satanás no início dos tempos. Um coração rebelde que orgulhosamente diz: “Eu não preciso de você, Deus. Obrigado, mas eu vou fazer as coisas do meu jeito”.
Quando rejeitamos ordens e propósitos criados por Deus para nossas vidas como mulheres, não vamos encontrar a felicidade duradoura.
Nós não vamos encontrar satisfação duradoura. Nós não vamos encontrar paz duradoura. Por quê? Porque, como diz C. S. Lewis, “Deus não pode nos dar uma felicidade e paz para além de si mesmo, porque não há. Não existe.”.
Um estudo secular publicado no UK Daily Mail confirmou este fato, “As mulheres são menos felizes hoje em dia, apesar de 40 anos de feminismo, afirma um novo estudo. Apesar de ter mais oportunidades do que nunca, elas têm um sentido menor de bem-estar e satisfação com a vida.”.
Nós não precisamos de feminismo para nos informar sobre o nosso valor.
Deus já disse que somos igualmente valiosas. Nós não precisamos nos tornar feministas para promover esta área de ensino bíblico. O que nós precisamos é mostrar amorosamente a todas as mulheres quão valiosas e preciosas elas são para Deus. Precisamos voltar a abraçar o desígnio de Deus para o casamento, família, dignidade da vida e sexualidade. Precisamos nos arrepender do nosso orgulho e aceitar a Palavra de Deus como a autoridade em nossas vidas.
O feminismo nunca ofereceu uma solução que a Bíblia já não tenha dado.
A Palavra de Deus tem todas as respostas que precisamos. Em Cristo, nós (homens e mulheres) vamos encontrar toda a realização, valor e propósito que esta vida tem para oferecer.
E quanto a você? O que você segue?
• De que forma a ideologia do feminismo se infiltrou em sua visão de mundo? Você precisa se arrepender de ter um coração orgulhoso diante de Deus?
• Você olha para o feminismo para responder às suas perguntas sobre a feminilidade? Se assim for, as suas respostas têm satisfeito você?
• Que mudanças de mentalidade você precisa para fazer com que a Palavra de Deus se torne a autoridade em sua vida?
• Você vai dar um passo de obediência confiando no projeto do seu Criador para a sua feminilidade?
Eu adoraria conversar sobre esse assunto com você abaixo! Sinta-se livre para compartilhar o que está em sua mente.
Este post é uma tradução de um artigo de Kristen Clark, publicado originalmente no blog GirlDefined, traduzido e publicado com permissão da autora. O artigo original pode ser encontrado no link: Why Feminism and Christianity Can’t  Mix
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Traduzido por Aline Brandão no Inconformados
[1] O Inconformados compactua da mesma opinião que o blog GirlDefined.

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Retirado do link: http://www.pulpitocristao.com/2016/04/porque-feminismo-e-cristianismo-nao.html

Por uma Apologética Relevante

Publicado: 19 de abril de 2016 em Sem categoria

alistermcgrath

A seguinte transcrição do Apologetic 315 é da entrevista com o Alister McGrath.

O texto original em inglês pode ser visto aqui.

Áudio original aqui. Índice de transcrição aqui. Se você gostar das transcrições, por favor considere apoiar, que faz isto possível.

BA: Olá. Eu sou o Brian Auten do Apologetics 315. A entrevista de hoje será com o Professor Alister McGrath, professor de teologia, ministério, e educação e diretor do Centro de Teologia, Religião & Cultura no King’s College, Londres. Seus estudos variam desde um Ph.D. em biofísica molecular a Doutor em Divindade na [Universidade] Oxford. Ele é conhecido por seu trabalho em teologia história, sistemática e científica. Ele também é autor de vários textos-livros, artigos científicos, textos-livros acadêmicos, bem como muitas obras populares. Seus livros variam desde teologia sistemática e científica a obras lidando com o novo ateísmo, apologética e o intelecto cristão.

Muito obrigado por estar aqui hoje comigo para esta entrevista, Professor McGrath.

AM: Bem. É um grande prazer. Aguardo com expectativa a nossa discussão.

BA: Bem, como você sabe, muitas pessoas tem ouvido falar de um professor ateu de Oxford que cresceu em um lar cristão, mas tornou-se uma voz ardente para o ateísmo. Mas outros talvez queiram ouvir falar deste ateu de Oxford que tornou-se um cristão. Obviamente, estou falando de você. Você se importaria de falar-me um pouco mais de sua história e esta jornada?

AM: Bem, seria um prazer. Richard Dawkins e eu, eu penso, temos viajados precisamente em direções opostas, que eu acho que nos mostra que as coisas não são tão simples como ele pensava que fossem. De qualquer forma, comecei a estudar as ciências naturais no segundo grau na Irlanda do Norte no final da década de 1960. E me parecia óbvio que, você sabe, a ciência erodiu qualquer espaço para Deus…que a ciência provava o que esta acreditava. Não havia espaço para qualquer fé ou algo deste tipo e, portanto, eu cheguei a assumir o ponto de vista que basicamente as pessoas religiosas desligavam seus cérebros, em que os cientistas estava completamente sintonizados à necessidade de ter raciocínio baseado em evidência. E eu concordaria com o Richard Dawkins em muitos pontos… você sabe, que por exemplo, a fé significa correr da evidência, mas a ciência significa enfrentá-la.

Então, até que eu fui para Oxford para realmente estudar as ciências naturais, penso que, na verdade, eu teria parecido muito com o Richard Dawkins. Eu era muito agressivo, eu tinha muita confiança em meu ateísmo, e geralmente assumia a posição de que as pessoas religiosas simplesmente não havia ligados o botão “on” em seus cérebros. Em seguida, eu comecei a pensar sobre coisas em muito mais detalhe. Comecei a estudar sobre a história e filosofia da ciência. Comecei a ler livros cristãos. Comecei a conversar com ateus e cristãos, e comecei a reconhecer que as coisas não eram tão simples como eu pensava. Eu pensava que o ateísmo era intelectualmente muito robusto e que o cristianismo era simplesmente fraco, com falta de qualquer fundamento rigoroso. E para reduzir uma história muito longa, comecei a reconhecer que o ateísmo não era tão intelectualmente forte quanto eu havia pensado que era. Enquanto que, o cristianismo me parecia ser muito atrativo e muito robusto e acabei então, naquela época, me tornando um cristão durante o meu primeiro ano na Universidade de Oxford.

BA: Bem, falando do Professor Dawkins, como um colega em Oxford você teve a oportunidade rara de debatê-lo, e você também debateu ou teve um diálogo com algumas das outras personalidades do Novo Ateísmo como o Daniel Dennett e Christopher Hitchens. Mas, qual é a sua posição sobre o tom geral e o conteúdo do ateísmo, digamos, como um movimento hoje? Onde você acha que está o desafio principal para os cristãos para responderem o Novo Ateísmo

AM: Creio que o Novo Ateísmo é distinguido por duas coisas. Em primeiro lugar, este repete velhos argumentos. Chamamos este de “novo” ateísmo mas, na verdade, é muito velho. Este recicla velhos e argumentos muito frequentemente descreditados desde gerações anteriores. Mas, eu acho que o que é novo é a sua agressividade e seu – como que eu poderia dizer isso – desdém total. Este não leva a sério as pessoas religiosas. Este ridiculariza ao invés de engajar: “Somente um tolo acreditaria nisto”. A retórica é muito, muito forte – talvez encobrindo um argumento probatório óbvio como uma fraqueza. E então para mim, o Novo Ateísmo é muito, muito forte em sua retórica – sua desdém de ambas a crença religiosa e pessoas religiosas. Na verdade, seus argumentos são surpreendentemente fracos. E então para mim, os cristãos realmente devem, penso eu, se acostumarem com a retórica e dizerem: “Não permitirei que isto me afete”. E dizer: “Olhe, você pode me chamar de qualquer nome que você quiser, mas você se importa se dermos uma analisada nos argumentos e na evidência porque acho que há problema aqui para você”. Então não deveremos sentir-nos desencorajados. Não deveremos sentir-nos – como que eu poderia dizer isto – estarrecidos pela retórica. Simplesmente dizemos: “Olhe, há bons argumentos aqui que acho que deveríamos analisar. Você pode me chamar de tolo, mas eu tenho que dizer que os seus argumentos não são bons o suficiente”.

BA: Estou pensando sobre alguns livros que você escreveu neste assunto como The Twilight of Atheism [O Crepúsculo do Ateísmo] e The Future of Atheism [O Futuro do Ateísmo], que é um diálogo entre você e o Daniel Dennett. Mas, no Crepúsculo em particular, você menciona que embora as ideias do ateísmo não são nada novas, o futuro (em certo sentido) é grandemente dependente sobre as atitudes e ações de cristãos e outras pessoas religiosas na sociedade. Então você poderia desdobrar isto um pouco? Como que o futuro do ateísmo está determinado na sua opinião?

AM: No livro O Crepúsculo do Ateísmo, levanto o ponto de que os argumentos do ateísmo são muito conhecido, muito bem ensaiados, e não há nada muito novo sobre estes. Então eu pergunto, “Bem, onde este irá no futuro?”. E o ponto que faço é que o ateísmo é reativo. Não é um corpo de crenças positivas; embora, os ateus muito frequentemente dizem que são. A característica definidora é realmente uma rejeição da religião. E se a religião for fraca, bem – não há muita motivação em ser um ateu. Mas se a religião for muito forte e muito agressiva, então, na verdade, o ateísmo pode facilmente se levantar como uma reação a força religiosa. E uma das razões que nós vemos no Novo Ateísmo é, paradoxalmente, por causa da força da religião no mundo e especialmente o cristianismo na América do Norte, e isto realmente tem irritado os ateus que o cristianismo deveria ter morrido muitos anos atrás. Em muitas maneiras, acho que o Novo Ateísmo é o “último hurrah”…a grande tentativa de tentar reverter o fluir, e isto, creio eu, é responsável por sua agressividade. Se olharmos para a história disto, de muitas formas o evento que despertou o Novo Ateísmo foi o 11 de setembro, que foi visto por todos os principais Novos Ateus como demonstrando que a religião era perigosa, mas também uma presença muito real no mundo hoje. Acho que uma das coisas que eu gostaria de dizer é que os cristãos que querem engajar [contra] o Novo Ateísmo precisam estar cientes de que isto não é simplesmente uma batalha de ideias. Também é sobre a forma de cristianismo que nós representamos. E, em muitas formas, devemos ser um modelo de uma forma graciosa do cristianismo, pois sair por ai “metendo bala”, representando uma forma muito agressiva do cristianismo, simplesmente aumenta as chances. Isto faz ainda mais difícil de ter um diálogo sensível. É muito, muito difícil para os Novos Ateus dizerem: “A religião é arrogante, perigosa, e diluída” quando eles estão falando a parceiros de diálogo muito graciosos e inteligentes. Penso que precisamos estar cientes da melhor maneira que possamos subverter a retórica do Novo Ateísmo que é sermos corteses, graciosos e, sobretudo, sermos capazes de mostrar as fraquezas em seus argumentos.

BA: Quero te perguntar como que você se sente sobre o “velho ateísmo”, por assim dizer, e o Novo Ateísmo. Em particular, como que estes possam se definir. Acreditava-se que o ateísmo era a crença que “Não há deus” e agora é um pouco mais escorregadio. Agora é: “Eu simplesmente tenho a ausência da crença em deuses”. É isso um desculpa, ou semântica, ou qual é a sua opinião sobre esta mudança na definição que tem acontecido?

AM: Bem, penso que temos que reconhecer que a palavra ‘ateísmo’ designa um espectro de possibilidades. Este pode se referir a alguém que diz: “Bem, sabe, eu não acredito em Deus” significando: “Eu não acredito em Deus, mas eu não tenho pensado muito sobre isto. Na verdade, em algum momento no futuro eu poderei mudar de pensamento”. Os Novos Ateus consideram este tipo de pessoa como um ateu; eu diria que eles são agnósticos. Eles não sabem a resposta. Eles não são crentes religiosos, então em um certo sentido suponho que eles são ateus, mas eles não são ateus de princípio. Eles são o que alguns acadêmicos chamariam de ateu apático. E, há aqueles que pensaram bastante sobre este assunto e realmente acreditam que não há deus. Veja atentamente, isto é uma posição de fé: “Creio que não há Deus”. Na verdade, muitos destes são muito, muito razoáveis; pessoas muito, muito graciosas que dizem: “Olhe, tenho pensado sobre isto. Eu não creio que há um Deus. Eu sei que você pensou sobre isto e acredita que há um Deus, e nós respeitamos esta posição. Na verdade, nós entendemos como que você chegou a esta posição, mas não é uma que nós compartilharmos”. E estas pessoas são geralmente muito boas em conversas e debates. [Estas são] muito honestas sobre a fraqueza de suas próprias posições. Penso também que um ponto muito importante é que eles são absolutamente claros que é racional ser um cristão. Eles só tomam a posição de que é mais racional ser um ateu. Então, nós chegamos ao Novo Ateísmo, e este está em um parque diferente. Este ridiculariza ao invés de argumentar. Objetiva representar os religiosos como idiotas. Este reivindica o monopólio da racionalidade. É uma forma muito agressiva e muito arrogante de ateísmo. Acho que interessante saber que muitos dos críticos principais deste não são cristãos como eu, mas são outros ateus que se encontram envergonhados e humilhados pela arrogância e superficialidade intelectual daqueles [os Novos Ateus].

BA: Isto é útil. Prosseguindo mais um pouco, quero explorar a importância da teologia na obra da apologética cristã. Um de seus livros mais novos é The Passionate Intellect: Christian Faith and the Discipleship of the Mind [O Intelecto Apaixonado: Fé Cristã e o Discipulado da Mente] – este é o título dos EUA. O título da Grã-Bretanha é Mere Theology[Mera Teologia] (N.E. muitos livros de Alister McGrath estão traduzidos ao público brasileiro por diversas editoras; em especial conheça as obras “Teologia Pura e Simples” e “Apologética Pura e Simples”); neste livro você dá uma visão geral sobre o propósito e o lugar e a relevância da teologia. Então qual é o seu objetivo neste livro?

AM: Meu objetivo, eu creio, é fazer os crentes em pensadores e pensadores em crentes. Tudo que estou fazendo aqui é que estou utilizando uma das coisas que Cristo diz muito, muito sério. Ele diz: “Você deve amar o Senhor, seu Deus, com todo o seu coração, com toda a sua alma, com todo o seu pensamento, e com toda a sua força”. De muitas maneiras estou dizendo aos meus leitores, como disse agora ao meus ouvintes: “Olhe, parte do nosso discipulado é para suprir um discipulado do coração e um discipulado das mãos com um discipulado da mente”. Precisamos de aprofundar na nossa fé para apreciá-la, para entende-la, para realmente se deleitar em suas ideias e como estas fazem sentido da vida. Isto é bom para nós. Isto realmente traz uma nova profundeza e qualidade para a nossa própria fé, mas isto também nos faz capazes de engajar a nossa cultura e capazes de explicar às o porquê o cristianismo faz sentido, para ajuda-los entender o porquê é tão importante e realístico.  Em sumo, isto realmente lhe permite praticar boa apologética informada.

BA: Excelente. Algumas pessoas veem uma dicotomia entre ter uma fé espiritual vibrante e ser teologicamente engajadas com o seu intelecto ou utilizando uma abordagem intelectual a fé de alguém. Você acha que está tentando dissipar esta falsa dicotomia e encorajar que uma abordagem rigorosa e intelectual à fé possa realmente fazer com que a sua caminhada espiritual seja mais viva e mais vibrante?

AM: Certamente sim. Mas, consigo entender o porquê algumas pessoas possam ser um pouco ansiosas. Como eles diriam, e penso eu que corretamente: “Olhe, a fé é relacional. É sobre um relacionamento mais profundo com Deus…com o Cristo ressurreto”. E eu concordo completamente. Não estou dizendo que nós desenvolvemos um discipulado da mente para deslocar ou substituir este relacionamento muito importante, vivo e amoroso com Deus. Estou dizendo ao passo que você se apaixona por alguém, você quer conhecer mais sobre esta pessoa. Você fala com ela, você a conhece, você começa a ecoar o que ela pensa. E, de muitas maneiras, estou simplesmente dizendo que isto é uma camada extra da fé cristã. É uma camada que, penso eu, tem se tornado mais importante nos últimos anos. Por exemplo, a ascensão do Novo Ateísmo tem realmente feito mais importante que nós possamos dar narrativas informadas intelectualmente boas sobre o que os cristão creem e o porquê, na esfera pública. Tenho grande prazer em observar que isto está acontecendo. Estou surpreso por alguns livros que eu tenho visto recentemente e pela qualidade de alguns palestrantes cristãos que tenho ouvido falar. Então, penso que o que estou dizendo é, olhe, isto não é uma tentativa de quebrar nenhum pensamento tradicional sobre a fé ao diminuir a importância da oração, ou de leitura Bíblica meditativa, ou de gastar tempo de qualidade com Deus. Estou simplesmente dizendo que, talvez nos nossos dias, isto tem se tornado importante. Vamos recuperar esta velha forma de pensar, não para deslocar a relação com Deus, mas para supri-la e ser capaz de enfrentar o desafio desta era.

BA: Uma das coisas que você faz no livro é que você oferece (depois) a crítica das ideias de alguns dos Novos Ateus. Como que você vê uma ênfase teologicamente forte com os crentes ajudando a causa do cristianismo, visto que esta contraria este Novo Ateísmo ou apresenta um frente intelectual mais forte, por assim dizer?

AM: Um dos meus apologistas preferidos é o C.S. Lewis, e Lewis, penso eu, nos ajuda a entender que a fé cristã projeta uma moral muito poderosa racional ou intelectual, e uma visão estética muito poderosa. Em outras palavras, esta lhe cativa em todos os níveis por sua visão maravilhosa da realidade. E, penso que precisamos recuperar isto…para realmente sermos contentes e desafiados pela visão de que a fé cristã nos oferece. Mas, penso que há uma questão aqui tem se tornado particularmente importante à luz das circunstâncias você acabou de mencionar, e é isso: no momento em que o Novo Ateísmo desafie as crenças religiosas. Em outras palavras, este está operando no nível das ideias. Agora, você e eu e todos que estão escutando isto sabe perfeitamente bem que há muito mais do cristianismo do que as ideias deste [do cristianismo]. É tudo sobre emoções, o relacionamento com Deus e assim por diante, mas neste presente momento, são as ideias que parecem ser o ponto de debate. Pode ser que daqui a vinte anos será algo diferente, mas no momentos são as ideias. E, portanto, penso que precisamos tentar recuperar o sentido de mostrar o porquê o cristianismo faz sentido, criticando a ideia do ateísmo, e realmente redescobrir a racionalidade da fé cristã. Penso que há uma real necessidade de praticar a teologia corretamente para nos ajudar a praticar boa apologética.

Deixe-me dar-lhe alguns exemplos das formar em que isto ajuda. Acho que é muito fácil formar o julgamento incorreto de que a apologética basicamente é um conjunto de técnicas. “Aqui está como você responde esta pergunta. Aqui estão seis razões muito boas para crer em Deus e assim por diante”. Uma estrutura teológica boa deixa claro que a apologética é uma obra da graça em que nós não estamos simplesmente desenvolvendo técnicas o estamos sendo formados por Deus; estamos sendo equipados por Deus. Esta realmente enfatiza que há uma dimensão da apologética “Em direção a Deus” [orig. “Godward”]. E isto é tão útil como um corretivo À ideia que a apologética é unicamente sobre aprender técnicas. Mas, mais do que isto, penso eu, boa teologia nos ajuda a aprofundar a nossa visão do que é a fé cristã. Esta nos faz capazes, se posso por assim dizer, de olhar para cada elemento da fé cristã e apreciá-la em seu próprio direito. E, em seguida, perguntar: “Qual possa ser a sua significância apologética?”. E isto nos ajuda saber quanto que há na fé cristã que é capaz de capturar a imaginação, ou as emoções, ou a mente de nossa audiência. E é por isto que eu penso que a teologia é tão importante. É bom para cada um de nós porque esta aprofunda ambos o nosso entendimento e a nossa apreciação por nossa fé, mas também nos ajuda a aprender a nos ligar com a nossa cultura e a explicar para eles a vitalidade e relevância da fé.

BA: Bem, em um nível prático, que tipo de conselho você teria para aqueles que são defensores da fé, para que eles possam ter uma fundação teológica mais forte? Que tipo de coisas práticas eles deveriam estar focando?

AM: Bem, deixe-me fazer duas sugestões bem rapidamente. Eles deveriam ler. Eles deveriam ler [livros de] pessoas que sabemos que são bons apologistas. Mencionei C.S. Lewis, e tenho certeza que podemos facilmente adicionar outros na lista. E você precisa lê-los com uma agenda, e a agenda é: “Quais perguntas eles estão fazendo? Como que eles engajam com as pessoas? O que eu posso aprender com isto?”. Em outras palavras, veja-os como mestres – o que podemos aprender deles? Mas, em segundo lugar, acho que isto é muito importante: precisamos ouvir a nossa cultura. Ouça as perguntas que nossos amigos nos fazem, às ansiedades que vemos quando lemos os jornais ou assistimos TV, e precisamos perguntar: “Como que posso enfrentar isto? Como posso, por exemplo, utilizar o C.S. Lewis e engajar esta questão? Como posso providenciar uma boa resposta cristã às perguntas sendo feitas?”. Apologética é realmente sobre certificar-se que a fé cristã liga-se bem com as questões que a nossa cultura está levantando. Precisamos conhecer a nossa fé. Precisamos conhecer a nossa cultura e, sobretudo, precisamos fechar a lacuna entre estes.

BA: Isto é bom. Quanto ao corpo da igreja…a igreja local, como que você vê este engajamento com a teologia e apologética exercendo um papel mais dominante? Como que você acha que podemos praticamente encorajar isto na igreja amplamente?

AM: Bem, creio que o pastor exerce um papel muito crítico nisto. E a apologética não é somente sobre alcançar [pessoas] fora da igreja. Está ajudando as pessoas a entenderem o porquê o cristianismo faz tanto sentido. Há muitas pessoas dentro de congregações de igreja que estão tendo dificuldades com questões apologéticas. Eles vieram a fé, mas não tiveram todas as suas perguntas respondidas. Acho que o pastor ou o pregador precisa reconhecer que se estes querem que seu povo seja bons ministros na fé, apologistas e evangelistas, aqueles precisam estar equipados. Eles precisam ser reassegurados acerca da fé deles. Eles devem ser ajudados para poderem explica-la e defende-la no mercado secular. Muitos, muitos pastores e pregadores dizem: “Eu não conseguiria fazer isto”. Neste caso você tem que trazer alguém que consegue. Mas há uma real necessidade para a igreja local ver este tipo de ministério como uma prioridade na nossa situação cultural presente.

BA: Você teria algum conselho que gostaria de dar a apologistas leigos, que os ajudaria a suceder em fazer suas congregações mais interessadas em defender a fé? Você mencionou em trazer pessoas que são bons equipadores [ou professores que equipam], mas que tipo de iniciativas você vê, ou que você recomendaria?

AM: Bem, deixe-me recomendar duas coisas óbvias que podemos fazer, e usamos ambas coisas no Oxford Center for Christian Apologetics [Centro de Oxford para Apologética Cristã] onde equipamos pessoas para fazer este tipo de coisa. Número um: você lê algumas passagens dos principais apologistas cristãos. Pode ser o Ravi Zacharias, pode ser o C.S. Lewis, ou pode ser outra pessoa. E, novamente, você está gostando de ler, mas você está perguntando: “Como podemos usar isto para responder as perguntas que nos estão sendo feitas?”. E, em segundo lugar, você reúne um grupo de pessoas e você diz: “Olhe, iremos falar sobre uma questão hoje. (Por exemplo, porquê Deus permite o sofrimento?) E o que iremos fazer é trabalhar para chegar a uma boa resposta que podemos dar aos nossos amigos”. E, enquanto você falar disto, você verá que o seu entendimento das respostas que você pode dar torna-se muito, muito maior porque você está escutando outras pessoas e refletindo em como que estas responderia. Apologética é sobre a colaboração. É sobre compartilhar ideias, compartilhar percepções, e começar a reconhecer que há boas respostas que podem ser dadas à perguntas que as pessoas estão fazendo.

BA: Gostaria de tocar num ponto que você mencionou aqui sobre a apologética ser colaborativa; e isto me lembra de algo que escutei Gary Habermas dizer sobre a apologética ser algo que fazemos em uma comunidade. Você poderia elaborar este pensamento um pouco mais, e como que você isto se desdobrando enquanto que prosseguimos neste campo?

AM: Acho que há pessoas que são – como que eu poderia dizer isto – guardas-florestais solitários. Eles tornam-se ótimos apologistas, e isto é maravilhoso. Mas se você considerar alguém como o C.S. Lewis, Lewis trabalhou com um grupo de pessoas. Sobre tudo, as pessoas que consideramos Inklings[1] ajudaram ele a desenvolver as suas respostas. Eles diriam: “Isto não estar bom o suficiente. Você tem que melhorar. Que tal isso?”. E, com a interação com pessoas como estes, ele desenvolveu melhores respostas. Eles desafiavam ele dizendo: “Você precisa melhorar”, e eles ajudaram-no a fazer melhores respostas. E é por isto que penso que a apologética é melhor praticada colaborativamente em que compartilhamos as nossas ideias e abordagens, utilizamo-las, afinamo-las e, no final do dia, todos nós emergimos disto tendo melhores respostas para dar a nossa cultura.

BA: Isto é bom. Estivemos falando sobre teologia e as aplicações teológicas desta, mas deixe-me perguntar-lhe sobre outro assunto que é relacionado, e para o qual você investiu muita energia e, isto é, a teologia natural. Você se importaria em descrever isto brevemente, e em seguida explicar qual papel você crê que isto exerce para a apologética cristã hoje?

AM: Bem, a ideia da teologia natural pode tomar várias formas, mas todas elas têm haver com uma coisa em comum e, isto é, que de alguma forma podemos usar o mundo natural ao nosso redor como um tipo de canal navegável para ajudar pessoas encontrarem a Deus. Em outras palavras, você está argumentando da criação ao criador. De muitas maneiras, este está tomando o tema do Salmos 19 verso 1: “Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos”. “Você vê a glória dos céus? Bem, isto não aponta em direção a glória maior de Deus?”. E isto toma-se onde muitas pessoas estão em nossa cultura. Estas têm um senso muito real de respeito para a natureza, um amor pela natureza; estas apreciam a beleza da natureza. Um das coisas que podemos fazer é tentar dizer: “Olhe, o que você está fazendo é admirando ou amando algo que Deus fez. Não seria o próprio Deus melhor ainda?”. Então, este está usando a natureza como um ponto de partida. Este não está dizendo que a natureza é Deus, e certamente não está dizendo que a natureza nos diz tudo que precisamos saber sobre Deus. Ao invés, está dizendo que a natureza pode ser uma porta de entrada, ou um ponto de partida discussões muito importantes sobre Deus. Tudo isto precisa ser moldado e baseado pela testemunha Bíblica, mas até mesmo a testemunha Bíblica muito frequentemente sugere que podemos começar com os interesses das pessoas na ordem natural e, então, usar isto como uma forma de guiá-las para além disto para descobrirem o próprio Deus.

BA: Que outro tipo de antecedentes bíblicos ou apelos a teologia natural você vê e como que você encorajaria as pessoas a utilizarem argumentos da teologia natural?

AM: Bem, acho que se analisarmos Romanos capítulo um, ou, é claro, o discurso muito famoso de Paulo em Atenas – aquele conhecido como o discurso de Areópago de Atos 17… No caso do discurso de Atenas, Paulo, de muitas maneiras, está encarando o fato de que a sua audiência Grega não conhece nada do Velho Testamento; então, como que ele pode explicar quem é Cristo? De muitas formas, a sua resposta é para recorrer à doutrina da criação – a ideia que há que alguém que fez isto tudo e, de alguma forma, este Deus pode ser conhecido. E, o que ele acaba dizendo é: “O que vocês adoram como desconhecido, este proclamo a vocês”. Em outras palavras, “vocês têm um sentimento profundo que há algo a mais lá. Bem, lhe direi quem este é e como vocês podem encontrá-lo”. Acho que isto é muito útil porque, como você acertadamente diz, há muitas pessoas que têm este sentimento que a natureza está apontando em direção a algo maior, mas estas não sabem encontrá-lo. E acho que o nosso privilégio pode ser de ajudá-los a usar a natureza como uma porta de entrada para descobrir a realidade maior por de trás disto.

BA: Bem, vamos falar sobre o discipulado da mente por alguns minutos. Quando trata-se da disciplina do aprendizado, que tipo de conselho você gostaria de dar aos cristãos apologistas que estão buscando ser mais equipados para defender a fé deles?

AM: Acho que uma coisa que todos nós devemos reconhecer é que não conseguimos ser bons em tudo. E portanto, eu diria às pessoas que realmente ajuda ter bom conhecimento de sua fé e das questões que as pessoas estão levantando. E também ajuda ser capaz para dizer: “Dado o meu próprio histórico educacional ou a minha própria experiência profissional, posso ser útil nesta área”. Por exemplo, utilizando literatura na apologética, utilizando ciência na apologética ou, de fato, pensando sobre a psicologia da apologética. E então, eu digo a qualquer um escutando isto: tente descobrir o que é que você pode fazer. Direi – muito claramente – que quanto mais profundo você for, mais animado você tornar-se-á e você provavelmente ficará surpreso com a ideia do que você conseguirá fazer e como que você conseguirá levar as coisas mais adiante.

Mas, em muitas maneiras, acho que o conselho central que eu daria a você é isso: primeiro, tente ler alguns apologistas, e não somente os leia por diversão. Pergunte: “Como que eles entendem a apologética? Como que eles praticam-na? O que posso aprender disto?”. Em segundo lugar, preste atenção nas questões que você escuta as pessoas ao seu redor fazerem sobre a sua fé; e pergunte a si mesmo: “Há alguma forma que o meu histórico ou a minha própria experiência possa ser útil sobre isto?”. Porque, novamente, a apologética é colaborativa, e talvez você tem algo para contribuir para o restante de nós que possa ser muito animador e muito importante.

BA: Você mencionou o C.S. Lewis, e obviamente ele tem te influenciado bem como inúmeros outros. Mas, quais outros apologistas tem sido fortes influências em sua própria busca?

AM: O Lewis tem sido particularmente influente para mim porque o seu método apologético, na verdade, opera em vários níveis diferentes…a razão, a imaginação, as emoções. Então, acho que ele é particularmente interessante, mas é claro que há outros. Gosto de ler o Ravi Zacharias. Eu particularmente acho que ele tem um bom senso de onde muitos universitários se encontram. Gosto de ler o William Lane Craig. Eu realmente admiro a forma em que ele demonstra a coerência da fé cristã. E há outros também, mas estes são suficientes para o ponto de partida. Acho que a coisa importante que eu gostaria de dizer para qualquer um lendo isto é: “Olhe…talvez há um parceiro de diálogo que você possa encontrar”. Em outras palavras, você lê algo e diz: “Oh, nós estamos em concordância”, ou “Oh, ela é muito boa”. Se você encontrar esta pessoa, ela pode te ajudar a crescer. Então, uma das razões que você está lendo [livros de] apologistas é para tentar encontrar alguém que você acha que será uma pessoa em que vocês poderão aventurar-se e crescerem no entendimento.

BA: Há quaisquer áreas particulares que você acha que possa estar faltando no campo de apologética hoje que você gostaria de ver fortalecido ou desenvolvido a um grau maior?

AM: Creio que tenho sido grandemente encorajado pela forma que a apologética tem desenvolvido nos últimos vinte anos. Acho que as pessoas estão realmente encarando o desafio, e há algumas áreas óbvias. Por exemplo, precisamos de mais psicologistas. Precisamos de mais sociólogos para ajudar-nos aqui. E o que eu quero dizer é que se há alguém escutando isto que sente-se como: “Estou em um campo de estudo, e posso ver formas em que a minha disciplina pode ajudar”, então, comece a pensar em como fazer estas conexões. É assim que a apologética crescerá. Vá às conferências. Entre em contato com os apologistas e veja o que você pode fazer para levar as coisas adiante. Mas, acho que o que é mais importante é ter a certeza de que nós sempre devemos manter contato com onde a cultura encontra-se. E uma das coisas que a apologética sempre precisa fazer é desenvolver o que eu chamarei de “vigilância da cultura”. Em outras palavras, pessoas que deliberadamente observam a maneira que a nossa cultura procede; este leem jornais; estes leem as letras de músicas populares, e este tentam perguntar: “Quais são as ansiedades e preocupações do momento, e como que a fé Cristã liga-se com estas?”. Há muito que precisamos fazer; mas estou tão satisfeito com o quanto tem sido feito nas últimas duas décadas.

BA: Bem, mais uma pergunta, e esta é para os crentes escutando que diriam: “Deus tem me presenteado com uma mente que pensa; sou atraído ao mundo acadêmico, e quero servir a Cristo como um cristão acadêmico e defender a fé nesta área”. Você tem algum conselho de como estes podem abordar seus [próprios] estudos e pensar com uma perspectiva mais longa de tempo?

AM: Bem, sim. Acho que você deve fazer isto intencionalmente. Pode demorar muito tempo. Na Universidade de Oxford, temos um curso da mente cristã que tenta ajudar, especialmente, profissionais de carreira nova a meia carreia a descobrirem como integrar a fé e as competências profissionais deles. E o que quero dizer é que nós realmente precisamos de pessoas que podem fazer isto; e, isto não acontecerá da noite para o dia. Espero que quando as pessoas escutarem isto, elas dirão: “Olhe, estou na etapa de pesquisa. Estou em uma etapa inicial de minha carreira, mas sei que isto pode realmente ser importante”. E, quero dizer-lhe para aguentar ai. Tente fazer a relação de sua fé com o seu trabalho profissional uma prioridade porque precisamos de vozes cristãs nestas disciplinas, e precisamos de respostas cristãs às perguntas levantadas por estas disciplinas. Você poderia ser a pessoa que ajuda-nos a ir adiante nisto.

BA: Você mencionou o Centro de Oxford para a Apologética Cristã [Oxford Center for Christian Apologetics]. Para que tipo de pessoas isto está direcionado e que você encorajaria para envolver-se com isto?

AM: Bem, o Centro de Oxford para a Apologética Cristã [Oxford Center for Christian Apologetics] foi criada em 2004 em reconhecimento que precisávamos a ajudar intencionalmente os apologistas a desenvolverem suas técnicas e, sobretudo, a ajudar pessoas, que talvez pensavam que podiam tornar-se apologistas, a começarem. E temos estado surpresos pelo progresso deste. Temos crescido e crescido e crescido, e hoje estamos muito satisfeitos pela qualidade de pessoas que vem até nós para os nossos cursos e as pessoas que temos a capacidade de ajudar de tantas maneiras. Estamos situados em Oxford, e creio que fazemos três coisas principais: Temos um curso de nove meses em apologética Cristã tanto em teoria quanto em prática. Realizamos conferências pelo mundo onde ajudamos pessoas a desenvolverem suas próprias técnicas e abordagens, e também publicamos. Se você procurar na internet por Centro de Oxford para a Apologética Cristã [Oxford Center for Christian Apologetics], você conhecerá tudo sobre nós e o tipos de coisas que fazemos.

BA: Ótimo. Agora, mudando de assunto novamente Professor McGrath, gostaria de perguntar-lhe sobre algumas de suas obras de ficção. Isto incluí uma série chamado As Crônicas de Aedyn [The Chronicles of Aedyn]. E, de fato, encontrei o primeiro livro desta série de graça no Kindle, e isto foi hoje. Não sei por quanto tempo estará grátis no Kindle, mas há mais alguns livros nesta série. Você pode me falar mais sobre esta série e o seu objetivo em escrever ficção?

AM: Bem, creio muito fortemente que uma das fraquezas na apologética cristã contemporânea é que somos muito bons de argumentos. Mas o problema real é que, para muitas pessoas, quando elas chegam tarde do trabalho, elas não pegarão um livro que lida com argumentos abstratos sobre a existência de Deus, mas elas lerão romances. E, de muitas formas, a ficção é a porta de entrada à alma para muitas pessoas nesses dias. Tenho dito frequentemente às pessoas que precisamos escrever mais livros cristãos de ficção. Precisamos desenvolver uma apologética da imaginação para alcançar estas pessoas. E acho que eu não poderia continuar dizendo: “Precisamos fazer isto”. E tinha que pelo menos tentar fazer isto por mim mesmo. Então, de muitas formas, estes livros de ficção são uma tentativa da minha parte para dizer: “Olhe, tentarei fazer isto. Agora que tenha tentado fazê-lo, talvez outras pessoas irão também”. E a minha esperança será que poderemos identificar alguns escritores cristãos que são bons e podem desenvolver o tipo de ministério que o C.S. Lewis teve com as Crônicas de Nárnia a 50 anos atrás. Realmente precisamos disto; e eu acho que realmente precisamos encorajar pessoas a tentarem e verem o porquê que a ficção para crianças ou qualquer um, realmente pode exercer um papel importante na tarefa apologética de nossos dias.

BA: De volta ao C.S. Lewis. Você está trabalhando em um projeto que lida com as obras de Lewis. Você se importaria em falar sobre este projeto e quaisquer outros livros mais recentes ou projetos que você possa querer que os nossos ouvintes estejam cientes?

AM: Bem, obrigado. O grande projeto em que estou trabalhando agora é uma biografia do C.S. Lewis. Será publicada em 2013, que é claro, é o quinquagésimo aniversário de sua morte. E, o que estou tentando fazer é realmente falar a pessoas que têm descoberto o Lewis por meio de seus filmes ou a sua reputação, mas não sabem muito bem o porquê que ele é tão significante. E estou tentando explicar quem é este homem, o porquê que ele é tão interessante, explicando suas ideias, seus argumentos, suas histórias e, realmente, penso que tentar introduzi-lo a uma nova geração. É um projeto maravilhoso, e estou gostando enormemente de escrevê-la. Há um livro que será publicado muito em breve na Grã-Bretanha e, daqui a dois meses, nos EUA. Chama-se Why God Won’t Go Away [Por que Deus não vai embora]. E, como se poderia esperar, é uma crítica ao Novo Ateísmo. Este diz que nós já lidamos com as críticas deste contra o cristianismo. Agora, começaremos a perguntar a estes algumas questões difíceis como, por exemplo, quais são as suas crenças positivas? De muitas maneiras, isto leva a crítica do Novo Ateísmo adiante, e eu realmente acho que isto será desconfortável para eles. Isto realmente desafia as abordagens e crenças positivas deles. Penso que isto ajuda-nos a ver que há algo de errado aqui. O subtítulo da edição dos EUA é: Is the New Atheism Running on Empty? [Está o Novo Ateísmo Funcionando Sem Gasolina].

BA: Bem, eu definitivamente aguardo esta obra com expectativa bem como a sua biografia do C.S. Lewis. Muito obrigado por participar junto a mim. Tem sido excelente.

AM: Tem sido um grande prazer.


[1] Inklings eram um grupo de discussão informal literário associado com a Universidade de Oxford do início da década de 1930-1949. Os Inklings eram entusiastas literários que louvavam o valor da narrativa em ficção e encorajavam a escrita de fantasia. Para mais informações acesse: <http://en.wikipedia.org/wiki/Inklings>.

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Retirado do link: http://www.napec.org/apologetica/apologetics315-entrevista-com-alister-mcgrath/

#ApologéticaParaGlóriaDeDeus

Publicado: 16 de abril de 2016 em Sem categoria

Entenda um pouco mais sobre a proposta do nosso blog lendo a entrevista que segue a abaixo:

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A seguinte transcrição é de uma entrevista com o John Frame da Apologetics 315.

O texto original em inglês pode ser visto aqui.

Áudio original aqui. Índice da transcrição aqui. Se você gosta das transcrições, por favor considere apoiar, o que faz isto possível.

BA: Olá, eu sou o Brian Auten da Apologetics 315. Hoje estou conversando com o Dr. John Frame, Professor de Teologia Sistemática e Filosofia no Seminário Teológico Reformado. O Dr. Frame é um filósofo e um teólogo calvinista, especialmente conhecido por seu trabalho em apologética epistemológica e pressuposicional – também de teologia sistemática e ética. Ele é um dos intérpretes e críticos mais importantes do pensamente de Cornelius Van Til e suas publicações incluem Van Til the TheologianThe Doctrine of the Knowledge of God, Medical EthicsApologetics to the Glory of GodCornelius Van Til: An Analysis of His Thought entre muitos outros. (N.E. alguns livros de John Frame já estão traduzidos para o idioma português como “Apologética para a glória de Deus” e “A doutrina do conhecimento de Deus”. Veja mais obras do autor em português aqui).

Então, hoje estarei perguntando o Dr. Frame sobre um pouco de Apologética Pressuposicional, Praticando Apologética para a Glória de Deus e pedindo o seu conselho para os apologistas Cristãos. Obrigado por estar passando o seu tempo para conversar comigo hoje Dr. Frame.

JF: Estou feliz de estar com você e com os seu ouvintes.

BA: Então, antes de começarmos, você se importaria de dizer aos nossos ouvintes um pouco sobre a sua história e como que você entrou no campo de teologia?

JF: Bem, fui convertido a fé em Cristo por meio do ministério de minha igreja local na área de Pittsburg. Vim a conhecer o Evangelho através do ministério dos jovens e creio que Deus colocou isto em meu coração por meio do ministério de música; então, sempre estive interessado em adoração e música da igreja.

A nossa igreja, por algumas razões, era frequentemente frequentada por professores de seminários e pessoas deste tipo e alguns têm ouvido falar do Professor John Gerstner que ensinou por muitos anos no Seminário Teológico de Pittsburg e ele era um palestrante de jovens frequente naqueles dias. Ele falava em passeatas de Jovens e acampamentos e conferências. Tornei-me bastante fascinado por ele e por seus alunos que frequentemente falavam conosco; e quase a partir do dia de minha conversão tornei-me muito interessado em problemas teológicos e questões teológica e busquei este interesse no decorrer do segundo grau e faculdade e acabei chegando ao Seminário de Westminster na Filadelfia e fiz um pouco de trabalho de graduação e na [Universidade de] Yale e, eventualmente, fui chamado de volta a Westminster para ensinar teologia e, então, basicamente estive fazendo isto por toda a minha vida.

BA: Além de seus estudos e buscas teológicas, você também é um Professor de filosofia. Então, que papel você acha que a filosofia desempenha na prática de apologética e como podem os apologistas hoje usarem-na apropriadamente?

JF: Bem, a filosofia tem sempre sido uma base importante a apologética, se você refletir em pessoas como Agostinho e Tomás de Aquino. Filosofia tem sempre estado por de trás do que eles têm apresentado quando eles têm lidado com questões concernentes a fé cristã e eu sempre tenho sentido que a filosofia nos ajuda a pensar claramente, ajudando-nos a desenvolver bons argumentos, fortes argumentos. A filosofia é uma disciplina incrível para treinar a mente, mas também é claro que os oponentes do cristianismo têm frequentemente estado em seu melhor em confronto filosófico; então, se você quiser conhecer os argumentos mais fortes contra o Cristianismo, você deve ir aos filósofos. Você vai à pessoas como o Spinoza. Pessoas como Nietzsche. Pessoas como Kant. E então você pode conhecer o argumento contra o Evangelho em sua melhor formulação, em sua formulação mais persuasiva e cogente e, então, você pode enfrentar isto de uma forma mais efetiva do que se você nunca tivesse estudado filosofia.

Acho que há muitas formas que a filosofia é útil para qualquer pessoa que tem estudado apologética.

BA: Okay. Bem, como eu havia observado anteriormente, um dos focos de seu trabalho tem sido a análise e interpretação das obras de Cornelius Van Til. E até onde eu sei, você foi um estudante de Van Til e tem levado adiante seus pontos de vista sobre apologética. Então, para os nossos ouvintes, você poderia falar-me sobre os seus estudos com Van Til e o que diferencia o pensamento dele.

JF: Sim. Quando eu estava na faculdade como um estudante de graduação na [Universidade de] Princeton, os escritos de Van Til foram muito úteis para mim que estava formando em filosofia e, então, eu tive muitas perguntas sobre como a filosofia intersectava com a fé cristã e o que um cristão diria se tentasse expressar a sua fé em um contexto de discussão filosófica; e eu fui introduzido às escritas do Dr. Van Til naquele tempo e tornei-me bastante fascinado por elas e queria estudar com o próprio Van Til. Então, quando concluí minha carreira de graduação, fui ao Seminário de Westminster onde Cornelius Van Til estava ensinando.

O que o diferencia?

Bem, entre todos os apologistas daquela época, ele provavelmente era o melhor versado em história da filosofia e as questões filosóficas contra o cristianismo. Suponho que Gordon Clark e Carl Henry eram um pouco assim também, mas eu sempre pensei que Van Til tinha uma compreensão mais profunda de filosofia do que qualquer um deles; e o que Van Til contribuiu para o diálogo filosófico ou para o diálogo apologético foi que o cristianismo, se for apresentar uma apologética cogente, o cristianismo realmente deve ficar de pé solzinho. Não podemos adotar uma cosmovisão que vem de descrentes.

A Bíblia tem a sua própria cosmovisão. A Bíblia tem a sua própria forma de entender o relacionamento das coisas no mundo, à mente humana, a Deus. A Bíblia tem sua própria maneira de adquirir conhecimento e nós cremos que isto é verdade e nós certamente não iremos fazer qualquer progresso em apologética se assumirmos algo menos do que a verdade desde o princípio. Então, Van Til nos disse para pressupor – é isso que o pressuposicionalismo significa essencialmente – o próprio entendimento da Bíblia sobre o mundo e seu próprio entendimento do conhecimento.

BA: Muito bem. Muitos de nossos ouvintes podem conhecer bem a apologética pressuposicional, mas a outra metade deles provavelmente não têm nem ideia; então de qualquer maneira, você poderia dar uma definição resumida do que é pressuposicionalismo e como esta abordagem seria aprofundada por assim dizer?

JF: Okay. Bem, todo sistema de pensamento tem um ponto de partida, um ponto em que eles definem o que é verdade, o que é falso, o que é certo e o que é errado e isto varia, é claro, de uma filosofia para a outra; mas é claro, como eu disse anteriormente, os cristãos da Bíblia tem o seu próprio entendimento do que é verdade e falso, certo e errado e como eles procedem para aprender o que é verdade; e então, a apologética pressuposicional é primeiramente uma apologética que assume a cosmovisão da Bíblia sobre o mundo. Esta assume o conceito da Bíblia de como conhecer. Há, de fato, duas coisas que são absolutamente fundamentais para a apologética pressuposicional.

A primeira é que, já que somos criaturas de Deus, a forma que nós conhecemos a realidade é pensar os pensamentos de Deus como Ele pensa. Isto é, Deus é a autoridade para o que é certo e errado e precisamos submeter-nos a esta autoridade. Esta é uma proposição que é sempre verdade. Esta foi verdade para Adão e Eva antes da Queda. Esta tem sido verdade em cada era desde aquele tempo.

Mas então há uma segunda questão que vem à tona e isto é que a mente humana é caída. Genesis 3 mostra como Adão e Eva desobedeceu o mandamento de Deus com relação à fruta proibida e que levou a consequências não somente para eles mas também para todas os seu filhos de geração a geração de forma que todos nós somos pecadores; então o que o Apóstolo Paulo diz em Romanos 1 é que separados de Deus, nós resistimos o conhecimento de Deus. Trocamos a verdade por uma mentira como ele diz. Suprimimos a verdade. Para que a supressão da verdade possa ser lidada e possa somente ser lidada com a graça de Deus. Esta somente pode ser lidada através do sacrifício de Jesus Cristo por meio da obra do Espírito através da renovação de nossos corações para que possamos crer o que Deus diz e quereremos buscar a verdade de Deus do jeito de Deus.

Estão, estas são duas proposições, uma baseada na criação e uma baseada na Queda; e a apologética pressuposicional começa a partir da Bíblia, crê que estas duas coisas são verdadeiras e tenta prosseguir com seu raciocínio de acordo com estas. Ambas proposições levam à conclusão de que nós precisamos pensar de uma forma que agrada a Deus. Precisamos, acima de tudo, pensar de uma maneira que esteja de acordo com a revelação de Deus sobre Si mesmo para nós.

BA: Quais são os principais equívocos desta abordagem por seus críticos? Algumas pessoas simplesmente rejeitam o pressuposicionalismo completamente. Tenho certeza que você já escutou muitas destas críticas. Então a minha pergunta seria: quais que são os elementos mais comumente mal-entendidos destas críticas que você gostaria de corrigir?

JF: Bem. Pode ser difícil resumir todas elas, mas acho que a coisa básica é de que há muitos Cristãos que não querem crer que o Cristianismo ou a Bíblia tem seu próprio método distintivo de argumentação. Muitos cristãos crescem em escolas e faculdades onde eles são levados a pensar que todos os seres humanos tem os mesmos padrões. Todos os seres humanos pensam de acordo com as leis da lógica. Todos os seres humanos pensam de acordo com suas experiências e que a religião não tem um papel em nosso conhecimento. Isso é um sinal de pensar de uma forma não cristã, mas há muitos cristãos que crescem assim – são levados a pensar desta forma e que preferem continuar fazendo como aprenderam na faculdade e não querem desafiar esta forma de pensar da Palavra de Deus. Então eu penso que isso é a coisa principal. Parece que o pressuposicionalismo soa um pouco extremado, meio fanático, de forma que nós preferiremos ir à Bíblia para aprender a filosofar.

Esta não é muito academicamente respeitável. É basicamente um posição minoritária até mesmo entre apologistas Cristãos. Muitas pessoas não gostam de ser empurradas para esta posição minoritária.  Estes preferem fazer parte de um estilo de filosofia onde receberão mais crédito do estabelecimento acadêmico e de seus colegas filósofos. Então eu acho que estamos em uma situação onde precisamos desafiar nossos colegas cristãos para estarem dispostos a aceitam críticas; estar dispostos a aceitar a marginalização até certo ponto.

BA: Na prática, o que você acha que seria a principal diferença na própria forma de argumentação? Que tipo de abordagem um pressuposicionalista usaria ao invés de alguém que parece ser um apologista clássico?

JF: Bem, realmente não há muita diferença como as pessoas certas vezes pensam. Quando o cristianismo é questionado, um pressuposicionalista certamente apresentaria evidências e também argumentos lógicos que, claro, pessoas sempre têm feito, sejam elas pressuposicionalistas ou não. Mas, frequentemente você sabe se você está sério sobre apresentar um argumento intelectual muito sólido para o cristianismo e fazendo isto não só em um nível popular, mas realmente engajando os filósofos como o próprio Van Til fazia; você chega em um ponto onde as pessoas irão dizer “Ok. Você me deu um pouco de evidência. Você me deu alguns argumentos, mas…”.

Bem, você apresenta este argumento e, para muitas pessoas, isto seria suficiente e para muitos isto seria ok e, até onde conheço, você não precisa ir mais além do que isto desde que as pessoas estão dispostas a aceitar o argumento. Mas, se alguém realmente conhece filosofia; alguém que tem estudado David Hume; alguém que tem estudado Immanuel Kant diria “Bem. Como podemos estar certos de que uma coisa causa outra coisa? E como podemos rastrear estas causa para trás e para trás e como conhecemos se há uma primeira causa? Por que que precisa haver uma primeira causa?”.

Bem, eles fazem perguntas deste tipo e, então, acho que um Cristão tem que mostrar ao não cristão: “Veja, estamos atuando em uma epistemologia diferente de você”. Epistemologia é a teoria do conhecimento. E nós entendemos o conhecimento diferentemente de você – isto é, para nós, não somente saímos pelo mundo e usamos nossos olhos e ouvidos e etc. para determinar qual é a causa. Ao invés, acreditamos que a única forma de conversar inteligivelmente sobre causas é utilizar a Bíblia, considerar Deus como Aquele que declara o que é verdade e o que é falso e é isto que nos dá uma perspectiva mais profunda no processo causal e os outros tupos de processos que os filósofos conversam.

BA: Você escreveu um livro intitulado Apologetics to the Glory of God [Apologética para a Glória de Deus] e neste você escreve muito sobre este tipo de abordagem, mas se alguém quisesse informar-se sobre a abordagem pressuposicionalista, que tipo de livros você recomendaria ou quais 3 principais fontes você indicaria?

JF: Bem, recomendo meus próprios livros. Eu uso-os em minhas classes e Apologetics for the Glory of God [Apologética para a Glória de Deus] é o volume de introdução; e então, se você quiser aprofundar na teoria cristã de conhecimento, então eu recomendaria minha Doctrine of the Knowledge of God [Doutrina do Conhecimento de Deus] que é um livro maior e eu também escrevi um livro grosso sobre Cornelius Van Til. Há outros que são muito bons. Greg Bahnsen escreveu Van Til’s Apologetic [Apologetica de Van Til] e há um livro que foi recentemente publicado. Ele morreu novo, infelizmente, e um destes livros que ele escreveu quando ele era mais novo chamava-se Apologética Pressuposicional e este tem sido publicado recentemente. Há muita a ser dito sobre este livro em particular. E, é claro, há os próprios livros de Van Til; há o panfleto intitulado Why I believe in God [Por que eu acredito em Deus] que está disponível online em vários lugares e há também o livro de Van Til chamado Christian Apologetics[Apologética Cristã] que eu penso que provavelmente é a melhor introdução em sua abordagem distintiva; e também há dez ou vinte outros livros que ele escreveu.

BA: Falamos de alguns equívocos que são comum sobre a abordagem pressuposicional, mas uma das coisas que eu escuto frequentemente é que os pressuposicionalistas estão argumentando circularmente. Como que você sabe que Deus existe? Bem, a Bíblia me diz que Deus existe; e isto é colocado em um pequeno círculo simplista e utilizado imediatamente porque “Ei, você está argumentando em um círculo”. Então, de onde vem esta crítica e como você a responderia?

JF: Bem, em um nível e em um sentido eu me declararia culpado porque quando você está falando sobre um padrão supremo da verdade e falsidade e certo e errado; a única coisa que você pode fazer é argumentar em um tipo de círculo.

“Aqui estou como um cristão. Creio que Deus é o padrão da verdade e falsidade e certo e errado”. Então, se alguém me perguntar porque eu creio na Bíblia sobretudo, eu tenho que apelar a Deus ou pelo menos a minha resposta tem que ser consistente com a crença em Deus – crença no Deus cristão. Então de certa forma estou pressupondo Deus para provar Deus, mas quando você pensa sobre isto, todo mundo está nesta mesma posição. Se sou um racionalista, por exemplo, e eu creio que a razão humana é o padrão final de prova, então como provarei que se eu perguntar a alguém “Como você pode provar que a razão humana é o padrão final da verdade?”.

Bem, a única coisa que esta pessoa poderá fazer é oferecer-me um argumento racional. Este tem que apelar a razão para estabelecer a razão. Veja que para este não há nada superior a razão. Não há nada superior a razão que provará a razão. Então este tem que apelar a razão para estabelecer a razão.

Com um muçulmano, ele crê que o Corão é o padrão final da verdade. Por que ele crê nisto? Bem, porque o Corão assim ensina, então este tem que apelar ao Corão para provar o Corão. Se alguém acredita que os sentidos humanos como a nossa visão e audição e assim por diante são o padrão final da verdade, então este tem que provar isto apelando para seus olhos e ouvidos.

Isto é um dilema que não é distintivo ao cristianismo. Na verdade, não é nem distintivo ao pressuposicionalismo. Este dilema está presente em qualquer tipo de pensamento humano. Todo pensamento humano tem um ponto de partida ou pressuposição e nós temos que usar esta pressuposição para provar ou defender a pressuposição. Então, isto é primeira coisa que dever ser dita.

A segunda coisa que deve ser dita é que nós não gastamos todo o nosso tempo construindo argumentos circulares. Se alguém vier a nós dizendo “Bem, por que você acredita na Bíblia?”, normalmente nós não dizemos “A Bíblia é verdade porque a Bíblia é verdade”. Acredito que há uma certa legitimidade nisto, na verdade. Mas dizemos que a Bíblia é verdadeira porque a Bíblia afirma ser verdadeira porque suas afirmações são apoiadas pela arqueologia, porque há uma consistência na Bíblia. É impressionante que há todos estes autores escrevendo em tempos e lugares diferentes e ainda assim eles concordam em apresentar uma mensagem comum; então apresentamos todas esta evidências para apoiar. Estas evidência, é claro, acreditamos serem consistentes com as Escrituras.

Então, de certa forma a Bíblia está testando, até mesmo argumenta sobre evidências, então esta ainda é circular, mas não é um círculo estreito, é um círculo largo. Estamos apresentando fatos na discussão. Estamos apresentando evidências na discussão e é isto que faz o argumento mais persuasivo. Quanto mais fatos, mais evidências, quanto mais relações entre os fatos, mais estas coisas podem ser apresentadas e entendidas, e melhor será o argumento. E, é claro, isto é verdade sobre argumentos não cristãos também. Todos eles são circulares em um nível, mas apresentam fatos para alargarem o círculo para fazerem suas posições mais plausíveis, mais cogentes.

BA: Você diria que a razão é uma ferramenta que você usaria para chegar ao seu ponto de partida para falar? Como que você chegou ao círculo em um sentido? Estou tendo dificuldade em entender exatamente como você diria que aquilo seria um ponto de partida – talvez um ponto de partida alcançado, por assim dizer, “Hey, eu tenho chegado a esta abordagem para a Apologética baseado na razão; então como que a Bíblia poderia ter sido o meu ponto de partida?” Entende o que estou dizendo?

JF: Sim. Não penso da razão como um ponto de partida ou um tipo de premissa que nós usamos para ir adiante. Penso sobre a razão como uma ferramenta que Deus tem nos dado. Ele tem nos dado muitas ferramentas, muitos equipamentos pelo qual nós conhecemos o mundo. Nossos olhos, nossos ouvidos – todos os nossos sentidos, nossos cérebros e a razão que é um tipo de uma habilidade para entender quando afirmações são consistentes uma com a outra e entender quais argumentos são válidos e sólidos; e portanto a razão é uma coisa muito importante. Nós usamos a razão o tempo todo e certamente usamo-la na apologética, mas a razão funciona muito diferentemente em filosofias diferentes.

Na tradição racionalista, a razão é um tipo de maximum. A razão é meio que auto atestante. Você crê na razão porque a razão diz que tem que crer. Na tradição empirista da filosofia, os filósofos tentam ensinar a verdade através dos sentidos e, a razão, então é uma ferramenta para organizar os dados que vem através dos sentidos. Então a razão funciona diferentemente em diferentes tipos de filosofia. No cristianismo, a razão é uma ferramental que é baseada na revelação de Deus de Si mesmo. Sem esta revelação, a razão não conseguiria chegar a lugar nenhum. A razão tem que começar em algum lugar. A razão tem que ter padrões e critérios para aplicar para determinar o que é verdade ou falsidade. Esta não opera por si só, e você tem que fazer uma escolha no começo.

A razão começa com a revelação de Deus ou a razão funciona autonomamente? Esta começa sem a revelação de Deus? E ai você tem que fazer uma escolha. Você está perguntando como que nós entramos no círculo pressuposicional. É somente um salto arbitrário e a resposta é não? É, principalmente, uma obra de Deus? O pressuposicionalismo é normalmente encontrado em círculos calvinistas em que a ênfase estar na graça de Deus. É a graça de Deus que te faz conseguir crer. É a graça de Deus que tira o seu desejo de suprimir a verdade. E é a graça de Deus que nos faz conseguir raciocinar baseado na revelação de que Deus tem dado ambos no mundo e nas Escrituras. E o que acontece é que quando você está raciocinando baseado na Escritura, você começa a sentir, você começa a reconhecer. O seu pensamento cai no barranco onde a forma Bíblica de pensar faz sentido a você e de um ponto de vista humano, podemos chamar isto de raciocínio, mas do ponto de vista de Deus, Ele pode chamar isto de regeneração, o novo nascimento, mudança nos corações para que vermos as coisas da forma que devem ser.

BA: Eu definitivamente concordaria com o ponto de querer rejeitar a razão autônoma, que não submete-se a Deus. Acho que isto seria o elemento central. Bem, acho que isto é útil para os nossos ouvintes. Então agora uma das coisas que você mencionou foi a utilização de evidência. A outra pergunta seria: como que a evidência atua na abordagem pressuposicional?

JF: Bem. Esta é uma das críticas do pressuposicionalismo de que os pressuposicionalistas não estão interessados em evidência e, é claro, que isto não é verdade. Van Til, Bahnsen e eu mesmo e todos nós que escrevemos semelhantemente, todos nós dizemos que a evidência é boa, a evidência é importante. De fato, a Confissão de Westminster fala sobre como há abundâncias de evidências que mostra que as Escrituras são a Palavra de Deus. É claro que acreditamos que Deus é soberano, para que tudo no mundo presta testemunho a Ele. “Os céus declaram a glória de Deus. O firmamento mostra as obras de Suas mãos”. Então cada fato no mundo constitui evidência para Deus e, novamente, ao passo que estávamos falando sobre a razão, há formas boas e más de utilizar a evidência.

Se alguém diz “Bem, não preciso das Escrituras. Não preciso de pressuposições. Irei e verei a evidência”, significando que eu olharei para os fatos nus e crus que eu posso interpretar solzinho. Posso interpretá-los autonomamente independentemente do que Deus essencialmente diz sobre estes. Acho que isto seria algo errado de fazer-se.

Eles dirão a ele “Bem. Eu entendo. Você não acredita na Bíblia. Então não assumirei que a Bíblia seja verdadeira. Eu virei até você somente com evidência e nós podemos somente interpretar isto de acordo com a nossa própria razão sem levar Deus em conta, sem levar a Bíblia em conta. Nós somente raciocinaremos do nosso próprio jeito, no nosso próprio intelecto”. Eu penso que isto é muito errado por várias razões, mas a razão principal é que isto desencaminha o não cristão sobre o que é o pensamento cristão.

O pensamento cristão nunca é feito autonomamente. Nos é dito que devemos – seja se comemos ou bebemos, qualquer coisa que fizermos, façamos todas as coisas para a glória de Deus e pensar é uma delas e usar evidências é uma delas. E então tentamos usar a evidência de uma forma que reconheça que Deus é o criador de todo fato e a coisa mais importante sobre todo fato é o fato que Deus a tem criado e Deus continua a exercer a Sua providência sobre esta.

Frequentemente podemos dizer as mesmas coisas que os não pressuposicionalistas dizem. Alguém vem a mim e diz “Bem. Você sabe, eu gostaria muito de tornar-me um cristão, mas eu tenho dificuldade em acreditar na ressurreição de Jesus”. Bem, primeiramente eu o levaria a 1 Coríntios 15 e nós revisaríamos as aparições de ressurreição, as testemunhas à ressurreição. Paulo diz que quinhentas pessoas viu-a de uma vez só. Isto implica que estas pessoas podem dar testemunho e, então, eu usaria as mesmas evidências para a ressurreição que encontraríamos no colega não pressuposicional.

Se o inquiridor disser “Oh. Bem. Isto era tudo o que eu queria saber. Isto mostra que Jesus foi ressuscitado dentre os mortos e então quero adorá-Lo. Quero ser um cristão”. Tudo bem. Eu não diria nada sobre pressuposições neste ponto. Eu diria “Veja. Vamos conversar sobre isto e esperar que em breve você poderá ser batizado e juntar-se a Igreja. Isto é maravilhoso”. Eu não acho que há algo de errado com isto.

Mas se o não crente vier e dizer “Bem. Não posso crer em todas estas evidências em 1 Coríntios 15 porque eu creio juntamente com David Hume que é impossível ter evidências o suficiente para um milagre. Eventos sobrenaturais – você não pode possivelmente ter testemunha suficiente para estabelecer um milagre”.

Se ele disser algo deste tipo, então temos que falar não sobre evidências, mas sobre os vários conhecimentos. Devemos falar sobre o lugar da testemunha no conhecimento humano. E temos que falar sobre a importância do raciocínio não somente como um empirista autonomista como o David Hume, mas raciocinar de uma forma que dá a devida consideração ao tipo de testemunho que é apresentado em 1 Coríntios 15. Então, todos nós lidamos com evidência e isto é uma coisa boa, mas em alguns pontos, os pressuposicionalistas terão que lidar com a evidência de uma forma diferente daqueles que negam o pressuposicionalismo.

BA: Mais uma questão no sentido do pressuposicionalismo e em seguida eu quero perguntar o seu parecer sobre algumas outras coisas, mas em praticar a apologética da forma que você apresentou, para a glória de Deus, você acha que o não pressuposicionalista faz dano ao Evangelho ou você acha que eles estão fazendo apologética, digamos, não para a glória de Deus? Então eu suponho que o que estou dizendo aqui pode aparentar para alguns que se alguém não argumentar pressuposicionalmente então isto não glorifica a Deus.

JF: Sim. Quando eu inventei aquele título para o meu livro, isto só foi uma expressão. Eu não estava tentando denegrir ninguém e dizer que alguma outra pessoa não pratica apologética para a glória de Deus. Somente foi uma expressão de minhas próprias prioridades teológicas e o que eu quis dizer por meio daquele título é que de qualquer forma que venhamos a praticar apologética, seja como for que formulamos nosso sistema de conhecimento, evidências, de pressuposições e tudo isto, nosso objetivo maior deve ser de glorificar a Deus e, é claro, eu estava confessando que isto era o meu objetivo até agora.

Então, agora é possível que o método de apologética de alguém possa melhorar o prejudicar a claridade do Evangelho? Eu acho que provavelmente sim. E se dermos a impressão às pessoas de que eles somente continuam a pensar da forma que eles tinham pensado como descrentes, eles podem tornar-se um cristão e continuar pensando como um descrente. Não penso que eles entenderam adequadamente o senhorio de Jesus Cristo. O senhorio de Cristo está acima do nosso pensamento. Está sobre todo aspecto da vida humana; e então, parte do Evangelho é que pessoas precisam receber Jesus como Senhor e como Salvador do pecado.

Então, creio que a menos que você apresente Cristo como Senhor do intelecto bem como Senhor de tudo o mais, você estará apresentando algo menos do que o Evangelho como este está estabelecido nas Escrituras. Agora, você sabe que isto não significa que a pessoa que receba Cristo sobre a obra de um não pressuposicionalista não é salvo. Este pode realmente estar salvo mas, como todos nós, ele virá a fé cristã entendendo erroneamente algumas coisas. Nenhum de nós acerto tudo de uma só vez. Mas creio que há uma claridade na apologética pressuposicional que diz que quando você aceita Cristo, você aceita Ele como Senhor sobre tudo. Você aceita Ele como Senhor sobre tudo na sua vida e então, o outro lado dista é, que você recebe a graça de Deus, que você reconhece que você não pode fazer nada para salvar a si mesmo e que isto significa que você não pode fazer qualquer obras para salvar-se e isto também significa que você não tem a sabedoria, você não tem o conhecimento, você não tem o intelecto para salvar a si mesmo.

A verdade que leva a salvação vem da graça de Deus assim como a própria salvação vem da graça de Deus. Isto é o argumento de Paulo em 1 Coríntios 1 e 2, que a sabedoria do mundo é tolice para Deus e que a sabedoria de Deus é tolice para o mundo. Ambos estão indo para direções opostas; então, se você for receber o Evangelho, você precisa recebe-lo pela sabedoria de Deus. Imagine quem poderia ter pensado na ideia que nós podemos ser salvos de nossa culpa e salvos do nossos pecados por meio de alguém que morreu na cruz a dois mil anos atrás. Ninguém teria pensado nisto autonomamente. Ninguém teria pensado: Bem, esta é uma boa ideia. Vamos fazer uma religião baseado nisto. Se isto for verdade, isto vem de Deus. Isto vem da revelação de Deus e somente da revelação de Deus. Então, é melhor começarmos a acostumar a pensar os pensamentos de Deus como Ele pensa do próprio começo da vida cristã.

BA: Bem. Creio que isto é útil. Agora você ensina no Seminário Teológico Reformado e, as suas palestras sobre apologética podem ser encontradas no iTunes no RTS online. Então, para as pessoas que estão escutando, isto é um grande recurso e eu quero aponta-las a isto para receberem um entendimento mais completo sobre a sua abordagem apologética. Tendo dito isto, como um Professor de apologética, qual conselho você gostaria de dar à próxima geração de apologistas cristãos?

JF: Bem. Claro que número um, eu penso que nós precisamos voltar à Bíblia de novo e de novo para ver que o que Deus diz é relevante ao nosso pensamento ou filosofia ou raciocínio e a forma como apresentamos o Evangelho às pessoas que perguntam, é claro que 1 Pedro 3:15, tipo o tema da minha Apologética para a Glória de Deus, mas há certamente muito mais na Bíblia que Deus tem a dizer a nós com relação ao raciocínio e com relação a apresentar o Evangelho às pessoas que tem perguntas. Além disto, penso que nós precisamos investigar o mundo que Deus tem feito para obter mais evidências, para ter mais argumentos que faz a verdade clara e, de novo, não há nada de errado em buscar evidências em um contexto pressuposicinoal. De fato, espero que os meus sucessores entre os apologistas pressupocionalistas – tenho 71 anos, então não irei fazer isto silenciosamente, mas espero que outros apologistas pressuposicionalistas se reúnam e façam um tipo de enciclopédia das evidências da fé cristã e mostrem como eles podem ser usados e mostrem quanto cogente eles são e como estes fazem a diferença para tratar estes de uma forma pressuposicional.

Ademais, penso que – eu espero que a próxima geração não estará tão preocupada com o método como nós temos estado e eu tenho esta impressão hoje entre os pressuposicionalistas e estou criticando o meu próprio movimento aqui e estou criticando a mim mesmo também. Gastamos tanto tempo argumentando contra os oponentes do pressuposicionalismo. Não fizemos o suficiente do que a apologética é realmente destinada. Deveríamos estar argumentando com os descrentes, não argumentando com outros cristãos sobre o método apologético.

Há uma certa medida disto que tem que ser feito, mas acho que nós precisamos de voltar a realmente lidar com o pensamento não cristão. Van Til certamente fez isto com a filosofia e outros movimentos. Devemos lidar com cada aspecto da filosofia, religião e cultura que está contrário ao Evangelho e isto é o que podemos fazer de melhor para o Reino de Deus. Se tivermos tal método tão bom de apologética, então precisamos mostrar que este dá bons frutos.

BA: Bem, Dr. Frame, eu realmente aprecio o fato que você usou o seu tempo para falar comigo. Isto tem sido um prazer real.

JF: Bem, obrigado Brian; isto tem sido um prazer de verdade.

johnframe

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Retirado do link: http://www.napec.org/apologetica/apologetics315-entrevista-com-john-frame/