#ApologéticaParaGlóriaDeDeus

Publicado: 16 de abril de 2016 em Sem categoria

Entenda um pouco mais sobre a proposta do nosso blog lendo a entrevista que segue a abaixo:

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A seguinte transcrição é de uma entrevista com o John Frame da Apologetics 315.

O texto original em inglês pode ser visto aqui.

Áudio original aqui. Índice da transcrição aqui. Se você gosta das transcrições, por favor considere apoiar, o que faz isto possível.

BA: Olá, eu sou o Brian Auten da Apologetics 315. Hoje estou conversando com o Dr. John Frame, Professor de Teologia Sistemática e Filosofia no Seminário Teológico Reformado. O Dr. Frame é um filósofo e um teólogo calvinista, especialmente conhecido por seu trabalho em apologética epistemológica e pressuposicional – também de teologia sistemática e ética. Ele é um dos intérpretes e críticos mais importantes do pensamente de Cornelius Van Til e suas publicações incluem Van Til the TheologianThe Doctrine of the Knowledge of God, Medical EthicsApologetics to the Glory of GodCornelius Van Til: An Analysis of His Thought entre muitos outros. (N.E. alguns livros de John Frame já estão traduzidos para o idioma português como “Apologética para a glória de Deus” e “A doutrina do conhecimento de Deus”. Veja mais obras do autor em português aqui).

Então, hoje estarei perguntando o Dr. Frame sobre um pouco de Apologética Pressuposicional, Praticando Apologética para a Glória de Deus e pedindo o seu conselho para os apologistas Cristãos. Obrigado por estar passando o seu tempo para conversar comigo hoje Dr. Frame.

JF: Estou feliz de estar com você e com os seu ouvintes.

BA: Então, antes de começarmos, você se importaria de dizer aos nossos ouvintes um pouco sobre a sua história e como que você entrou no campo de teologia?

JF: Bem, fui convertido a fé em Cristo por meio do ministério de minha igreja local na área de Pittsburg. Vim a conhecer o Evangelho através do ministério dos jovens e creio que Deus colocou isto em meu coração por meio do ministério de música; então, sempre estive interessado em adoração e música da igreja.

A nossa igreja, por algumas razões, era frequentemente frequentada por professores de seminários e pessoas deste tipo e alguns têm ouvido falar do Professor John Gerstner que ensinou por muitos anos no Seminário Teológico de Pittsburg e ele era um palestrante de jovens frequente naqueles dias. Ele falava em passeatas de Jovens e acampamentos e conferências. Tornei-me bastante fascinado por ele e por seus alunos que frequentemente falavam conosco; e quase a partir do dia de minha conversão tornei-me muito interessado em problemas teológicos e questões teológica e busquei este interesse no decorrer do segundo grau e faculdade e acabei chegando ao Seminário de Westminster na Filadelfia e fiz um pouco de trabalho de graduação e na [Universidade de] Yale e, eventualmente, fui chamado de volta a Westminster para ensinar teologia e, então, basicamente estive fazendo isto por toda a minha vida.

BA: Além de seus estudos e buscas teológicas, você também é um Professor de filosofia. Então, que papel você acha que a filosofia desempenha na prática de apologética e como podem os apologistas hoje usarem-na apropriadamente?

JF: Bem, a filosofia tem sempre sido uma base importante a apologética, se você refletir em pessoas como Agostinho e Tomás de Aquino. Filosofia tem sempre estado por de trás do que eles têm apresentado quando eles têm lidado com questões concernentes a fé cristã e eu sempre tenho sentido que a filosofia nos ajuda a pensar claramente, ajudando-nos a desenvolver bons argumentos, fortes argumentos. A filosofia é uma disciplina incrível para treinar a mente, mas também é claro que os oponentes do cristianismo têm frequentemente estado em seu melhor em confronto filosófico; então, se você quiser conhecer os argumentos mais fortes contra o Cristianismo, você deve ir aos filósofos. Você vai à pessoas como o Spinoza. Pessoas como Nietzsche. Pessoas como Kant. E então você pode conhecer o argumento contra o Evangelho em sua melhor formulação, em sua formulação mais persuasiva e cogente e, então, você pode enfrentar isto de uma forma mais efetiva do que se você nunca tivesse estudado filosofia.

Acho que há muitas formas que a filosofia é útil para qualquer pessoa que tem estudado apologética.

BA: Okay. Bem, como eu havia observado anteriormente, um dos focos de seu trabalho tem sido a análise e interpretação das obras de Cornelius Van Til. E até onde eu sei, você foi um estudante de Van Til e tem levado adiante seus pontos de vista sobre apologética. Então, para os nossos ouvintes, você poderia falar-me sobre os seus estudos com Van Til e o que diferencia o pensamento dele.

JF: Sim. Quando eu estava na faculdade como um estudante de graduação na [Universidade de] Princeton, os escritos de Van Til foram muito úteis para mim que estava formando em filosofia e, então, eu tive muitas perguntas sobre como a filosofia intersectava com a fé cristã e o que um cristão diria se tentasse expressar a sua fé em um contexto de discussão filosófica; e eu fui introduzido às escritas do Dr. Van Til naquele tempo e tornei-me bastante fascinado por elas e queria estudar com o próprio Van Til. Então, quando concluí minha carreira de graduação, fui ao Seminário de Westminster onde Cornelius Van Til estava ensinando.

O que o diferencia?

Bem, entre todos os apologistas daquela época, ele provavelmente era o melhor versado em história da filosofia e as questões filosóficas contra o cristianismo. Suponho que Gordon Clark e Carl Henry eram um pouco assim também, mas eu sempre pensei que Van Til tinha uma compreensão mais profunda de filosofia do que qualquer um deles; e o que Van Til contribuiu para o diálogo filosófico ou para o diálogo apologético foi que o cristianismo, se for apresentar uma apologética cogente, o cristianismo realmente deve ficar de pé solzinho. Não podemos adotar uma cosmovisão que vem de descrentes.

A Bíblia tem a sua própria cosmovisão. A Bíblia tem a sua própria forma de entender o relacionamento das coisas no mundo, à mente humana, a Deus. A Bíblia tem sua própria maneira de adquirir conhecimento e nós cremos que isto é verdade e nós certamente não iremos fazer qualquer progresso em apologética se assumirmos algo menos do que a verdade desde o princípio. Então, Van Til nos disse para pressupor – é isso que o pressuposicionalismo significa essencialmente – o próprio entendimento da Bíblia sobre o mundo e seu próprio entendimento do conhecimento.

BA: Muito bem. Muitos de nossos ouvintes podem conhecer bem a apologética pressuposicional, mas a outra metade deles provavelmente não têm nem ideia; então de qualquer maneira, você poderia dar uma definição resumida do que é pressuposicionalismo e como esta abordagem seria aprofundada por assim dizer?

JF: Okay. Bem, todo sistema de pensamento tem um ponto de partida, um ponto em que eles definem o que é verdade, o que é falso, o que é certo e o que é errado e isto varia, é claro, de uma filosofia para a outra; mas é claro, como eu disse anteriormente, os cristãos da Bíblia tem o seu próprio entendimento do que é verdade e falso, certo e errado e como eles procedem para aprender o que é verdade; e então, a apologética pressuposicional é primeiramente uma apologética que assume a cosmovisão da Bíblia sobre o mundo. Esta assume o conceito da Bíblia de como conhecer. Há, de fato, duas coisas que são absolutamente fundamentais para a apologética pressuposicional.

A primeira é que, já que somos criaturas de Deus, a forma que nós conhecemos a realidade é pensar os pensamentos de Deus como Ele pensa. Isto é, Deus é a autoridade para o que é certo e errado e precisamos submeter-nos a esta autoridade. Esta é uma proposição que é sempre verdade. Esta foi verdade para Adão e Eva antes da Queda. Esta tem sido verdade em cada era desde aquele tempo.

Mas então há uma segunda questão que vem à tona e isto é que a mente humana é caída. Genesis 3 mostra como Adão e Eva desobedeceu o mandamento de Deus com relação à fruta proibida e que levou a consequências não somente para eles mas também para todas os seu filhos de geração a geração de forma que todos nós somos pecadores; então o que o Apóstolo Paulo diz em Romanos 1 é que separados de Deus, nós resistimos o conhecimento de Deus. Trocamos a verdade por uma mentira como ele diz. Suprimimos a verdade. Para que a supressão da verdade possa ser lidada e possa somente ser lidada com a graça de Deus. Esta somente pode ser lidada através do sacrifício de Jesus Cristo por meio da obra do Espírito através da renovação de nossos corações para que possamos crer o que Deus diz e quereremos buscar a verdade de Deus do jeito de Deus.

Estão, estas são duas proposições, uma baseada na criação e uma baseada na Queda; e a apologética pressuposicional começa a partir da Bíblia, crê que estas duas coisas são verdadeiras e tenta prosseguir com seu raciocínio de acordo com estas. Ambas proposições levam à conclusão de que nós precisamos pensar de uma forma que agrada a Deus. Precisamos, acima de tudo, pensar de uma maneira que esteja de acordo com a revelação de Deus sobre Si mesmo para nós.

BA: Quais são os principais equívocos desta abordagem por seus críticos? Algumas pessoas simplesmente rejeitam o pressuposicionalismo completamente. Tenho certeza que você já escutou muitas destas críticas. Então a minha pergunta seria: quais que são os elementos mais comumente mal-entendidos destas críticas que você gostaria de corrigir?

JF: Bem. Pode ser difícil resumir todas elas, mas acho que a coisa básica é de que há muitos Cristãos que não querem crer que o Cristianismo ou a Bíblia tem seu próprio método distintivo de argumentação. Muitos cristãos crescem em escolas e faculdades onde eles são levados a pensar que todos os seres humanos tem os mesmos padrões. Todos os seres humanos pensam de acordo com as leis da lógica. Todos os seres humanos pensam de acordo com suas experiências e que a religião não tem um papel em nosso conhecimento. Isso é um sinal de pensar de uma forma não cristã, mas há muitos cristãos que crescem assim – são levados a pensar desta forma e que preferem continuar fazendo como aprenderam na faculdade e não querem desafiar esta forma de pensar da Palavra de Deus. Então eu penso que isso é a coisa principal. Parece que o pressuposicionalismo soa um pouco extremado, meio fanático, de forma que nós preferiremos ir à Bíblia para aprender a filosofar.

Esta não é muito academicamente respeitável. É basicamente um posição minoritária até mesmo entre apologistas Cristãos. Muitas pessoas não gostam de ser empurradas para esta posição minoritária.  Estes preferem fazer parte de um estilo de filosofia onde receberão mais crédito do estabelecimento acadêmico e de seus colegas filósofos. Então eu acho que estamos em uma situação onde precisamos desafiar nossos colegas cristãos para estarem dispostos a aceitam críticas; estar dispostos a aceitar a marginalização até certo ponto.

BA: Na prática, o que você acha que seria a principal diferença na própria forma de argumentação? Que tipo de abordagem um pressuposicionalista usaria ao invés de alguém que parece ser um apologista clássico?

JF: Bem, realmente não há muita diferença como as pessoas certas vezes pensam. Quando o cristianismo é questionado, um pressuposicionalista certamente apresentaria evidências e também argumentos lógicos que, claro, pessoas sempre têm feito, sejam elas pressuposicionalistas ou não. Mas, frequentemente você sabe se você está sério sobre apresentar um argumento intelectual muito sólido para o cristianismo e fazendo isto não só em um nível popular, mas realmente engajando os filósofos como o próprio Van Til fazia; você chega em um ponto onde as pessoas irão dizer “Ok. Você me deu um pouco de evidência. Você me deu alguns argumentos, mas…”.

Bem, você apresenta este argumento e, para muitas pessoas, isto seria suficiente e para muitos isto seria ok e, até onde conheço, você não precisa ir mais além do que isto desde que as pessoas estão dispostas a aceitar o argumento. Mas, se alguém realmente conhece filosofia; alguém que tem estudado David Hume; alguém que tem estudado Immanuel Kant diria “Bem. Como podemos estar certos de que uma coisa causa outra coisa? E como podemos rastrear estas causa para trás e para trás e como conhecemos se há uma primeira causa? Por que que precisa haver uma primeira causa?”.

Bem, eles fazem perguntas deste tipo e, então, acho que um Cristão tem que mostrar ao não cristão: “Veja, estamos atuando em uma epistemologia diferente de você”. Epistemologia é a teoria do conhecimento. E nós entendemos o conhecimento diferentemente de você – isto é, para nós, não somente saímos pelo mundo e usamos nossos olhos e ouvidos e etc. para determinar qual é a causa. Ao invés, acreditamos que a única forma de conversar inteligivelmente sobre causas é utilizar a Bíblia, considerar Deus como Aquele que declara o que é verdade e o que é falso e é isto que nos dá uma perspectiva mais profunda no processo causal e os outros tupos de processos que os filósofos conversam.

BA: Você escreveu um livro intitulado Apologetics to the Glory of God [Apologética para a Glória de Deus] e neste você escreve muito sobre este tipo de abordagem, mas se alguém quisesse informar-se sobre a abordagem pressuposicionalista, que tipo de livros você recomendaria ou quais 3 principais fontes você indicaria?

JF: Bem, recomendo meus próprios livros. Eu uso-os em minhas classes e Apologetics for the Glory of God [Apologética para a Glória de Deus] é o volume de introdução; e então, se você quiser aprofundar na teoria cristã de conhecimento, então eu recomendaria minha Doctrine of the Knowledge of God [Doutrina do Conhecimento de Deus] que é um livro maior e eu também escrevi um livro grosso sobre Cornelius Van Til. Há outros que são muito bons. Greg Bahnsen escreveu Van Til’s Apologetic [Apologetica de Van Til] e há um livro que foi recentemente publicado. Ele morreu novo, infelizmente, e um destes livros que ele escreveu quando ele era mais novo chamava-se Apologética Pressuposicional e este tem sido publicado recentemente. Há muita a ser dito sobre este livro em particular. E, é claro, há os próprios livros de Van Til; há o panfleto intitulado Why I believe in God [Por que eu acredito em Deus] que está disponível online em vários lugares e há também o livro de Van Til chamado Christian Apologetics[Apologética Cristã] que eu penso que provavelmente é a melhor introdução em sua abordagem distintiva; e também há dez ou vinte outros livros que ele escreveu.

BA: Falamos de alguns equívocos que são comum sobre a abordagem pressuposicional, mas uma das coisas que eu escuto frequentemente é que os pressuposicionalistas estão argumentando circularmente. Como que você sabe que Deus existe? Bem, a Bíblia me diz que Deus existe; e isto é colocado em um pequeno círculo simplista e utilizado imediatamente porque “Ei, você está argumentando em um círculo”. Então, de onde vem esta crítica e como você a responderia?

JF: Bem, em um nível e em um sentido eu me declararia culpado porque quando você está falando sobre um padrão supremo da verdade e falsidade e certo e errado; a única coisa que você pode fazer é argumentar em um tipo de círculo.

“Aqui estou como um cristão. Creio que Deus é o padrão da verdade e falsidade e certo e errado”. Então, se alguém me perguntar porque eu creio na Bíblia sobretudo, eu tenho que apelar a Deus ou pelo menos a minha resposta tem que ser consistente com a crença em Deus – crença no Deus cristão. Então de certa forma estou pressupondo Deus para provar Deus, mas quando você pensa sobre isto, todo mundo está nesta mesma posição. Se sou um racionalista, por exemplo, e eu creio que a razão humana é o padrão final de prova, então como provarei que se eu perguntar a alguém “Como você pode provar que a razão humana é o padrão final da verdade?”.

Bem, a única coisa que esta pessoa poderá fazer é oferecer-me um argumento racional. Este tem que apelar a razão para estabelecer a razão. Veja que para este não há nada superior a razão. Não há nada superior a razão que provará a razão. Então este tem que apelar a razão para estabelecer a razão.

Com um muçulmano, ele crê que o Corão é o padrão final da verdade. Por que ele crê nisto? Bem, porque o Corão assim ensina, então este tem que apelar ao Corão para provar o Corão. Se alguém acredita que os sentidos humanos como a nossa visão e audição e assim por diante são o padrão final da verdade, então este tem que provar isto apelando para seus olhos e ouvidos.

Isto é um dilema que não é distintivo ao cristianismo. Na verdade, não é nem distintivo ao pressuposicionalismo. Este dilema está presente em qualquer tipo de pensamento humano. Todo pensamento humano tem um ponto de partida ou pressuposição e nós temos que usar esta pressuposição para provar ou defender a pressuposição. Então, isto é primeira coisa que dever ser dita.

A segunda coisa que deve ser dita é que nós não gastamos todo o nosso tempo construindo argumentos circulares. Se alguém vier a nós dizendo “Bem, por que você acredita na Bíblia?”, normalmente nós não dizemos “A Bíblia é verdade porque a Bíblia é verdade”. Acredito que há uma certa legitimidade nisto, na verdade. Mas dizemos que a Bíblia é verdadeira porque a Bíblia afirma ser verdadeira porque suas afirmações são apoiadas pela arqueologia, porque há uma consistência na Bíblia. É impressionante que há todos estes autores escrevendo em tempos e lugares diferentes e ainda assim eles concordam em apresentar uma mensagem comum; então apresentamos todas esta evidências para apoiar. Estas evidência, é claro, acreditamos serem consistentes com as Escrituras.

Então, de certa forma a Bíblia está testando, até mesmo argumenta sobre evidências, então esta ainda é circular, mas não é um círculo estreito, é um círculo largo. Estamos apresentando fatos na discussão. Estamos apresentando evidências na discussão e é isto que faz o argumento mais persuasivo. Quanto mais fatos, mais evidências, quanto mais relações entre os fatos, mais estas coisas podem ser apresentadas e entendidas, e melhor será o argumento. E, é claro, isto é verdade sobre argumentos não cristãos também. Todos eles são circulares em um nível, mas apresentam fatos para alargarem o círculo para fazerem suas posições mais plausíveis, mais cogentes.

BA: Você diria que a razão é uma ferramenta que você usaria para chegar ao seu ponto de partida para falar? Como que você chegou ao círculo em um sentido? Estou tendo dificuldade em entender exatamente como você diria que aquilo seria um ponto de partida – talvez um ponto de partida alcançado, por assim dizer, “Hey, eu tenho chegado a esta abordagem para a Apologética baseado na razão; então como que a Bíblia poderia ter sido o meu ponto de partida?” Entende o que estou dizendo?

JF: Sim. Não penso da razão como um ponto de partida ou um tipo de premissa que nós usamos para ir adiante. Penso sobre a razão como uma ferramenta que Deus tem nos dado. Ele tem nos dado muitas ferramentas, muitos equipamentos pelo qual nós conhecemos o mundo. Nossos olhos, nossos ouvidos – todos os nossos sentidos, nossos cérebros e a razão que é um tipo de uma habilidade para entender quando afirmações são consistentes uma com a outra e entender quais argumentos são válidos e sólidos; e portanto a razão é uma coisa muito importante. Nós usamos a razão o tempo todo e certamente usamo-la na apologética, mas a razão funciona muito diferentemente em filosofias diferentes.

Na tradição racionalista, a razão é um tipo de maximum. A razão é meio que auto atestante. Você crê na razão porque a razão diz que tem que crer. Na tradição empirista da filosofia, os filósofos tentam ensinar a verdade através dos sentidos e, a razão, então é uma ferramenta para organizar os dados que vem através dos sentidos. Então a razão funciona diferentemente em diferentes tipos de filosofia. No cristianismo, a razão é uma ferramental que é baseada na revelação de Deus de Si mesmo. Sem esta revelação, a razão não conseguiria chegar a lugar nenhum. A razão tem que começar em algum lugar. A razão tem que ter padrões e critérios para aplicar para determinar o que é verdade ou falsidade. Esta não opera por si só, e você tem que fazer uma escolha no começo.

A razão começa com a revelação de Deus ou a razão funciona autonomamente? Esta começa sem a revelação de Deus? E ai você tem que fazer uma escolha. Você está perguntando como que nós entramos no círculo pressuposicional. É somente um salto arbitrário e a resposta é não? É, principalmente, uma obra de Deus? O pressuposicionalismo é normalmente encontrado em círculos calvinistas em que a ênfase estar na graça de Deus. É a graça de Deus que te faz conseguir crer. É a graça de Deus que tira o seu desejo de suprimir a verdade. E é a graça de Deus que nos faz conseguir raciocinar baseado na revelação de que Deus tem dado ambos no mundo e nas Escrituras. E o que acontece é que quando você está raciocinando baseado na Escritura, você começa a sentir, você começa a reconhecer. O seu pensamento cai no barranco onde a forma Bíblica de pensar faz sentido a você e de um ponto de vista humano, podemos chamar isto de raciocínio, mas do ponto de vista de Deus, Ele pode chamar isto de regeneração, o novo nascimento, mudança nos corações para que vermos as coisas da forma que devem ser.

BA: Eu definitivamente concordaria com o ponto de querer rejeitar a razão autônoma, que não submete-se a Deus. Acho que isto seria o elemento central. Bem, acho que isto é útil para os nossos ouvintes. Então agora uma das coisas que você mencionou foi a utilização de evidência. A outra pergunta seria: como que a evidência atua na abordagem pressuposicional?

JF: Bem. Esta é uma das críticas do pressuposicionalismo de que os pressuposicionalistas não estão interessados em evidência e, é claro, que isto não é verdade. Van Til, Bahnsen e eu mesmo e todos nós que escrevemos semelhantemente, todos nós dizemos que a evidência é boa, a evidência é importante. De fato, a Confissão de Westminster fala sobre como há abundâncias de evidências que mostra que as Escrituras são a Palavra de Deus. É claro que acreditamos que Deus é soberano, para que tudo no mundo presta testemunho a Ele. “Os céus declaram a glória de Deus. O firmamento mostra as obras de Suas mãos”. Então cada fato no mundo constitui evidência para Deus e, novamente, ao passo que estávamos falando sobre a razão, há formas boas e más de utilizar a evidência.

Se alguém diz “Bem, não preciso das Escrituras. Não preciso de pressuposições. Irei e verei a evidência”, significando que eu olharei para os fatos nus e crus que eu posso interpretar solzinho. Posso interpretá-los autonomamente independentemente do que Deus essencialmente diz sobre estes. Acho que isto seria algo errado de fazer-se.

Eles dirão a ele “Bem. Eu entendo. Você não acredita na Bíblia. Então não assumirei que a Bíblia seja verdadeira. Eu virei até você somente com evidência e nós podemos somente interpretar isto de acordo com a nossa própria razão sem levar Deus em conta, sem levar a Bíblia em conta. Nós somente raciocinaremos do nosso próprio jeito, no nosso próprio intelecto”. Eu penso que isto é muito errado por várias razões, mas a razão principal é que isto desencaminha o não cristão sobre o que é o pensamento cristão.

O pensamento cristão nunca é feito autonomamente. Nos é dito que devemos – seja se comemos ou bebemos, qualquer coisa que fizermos, façamos todas as coisas para a glória de Deus e pensar é uma delas e usar evidências é uma delas. E então tentamos usar a evidência de uma forma que reconheça que Deus é o criador de todo fato e a coisa mais importante sobre todo fato é o fato que Deus a tem criado e Deus continua a exercer a Sua providência sobre esta.

Frequentemente podemos dizer as mesmas coisas que os não pressuposicionalistas dizem. Alguém vem a mim e diz “Bem. Você sabe, eu gostaria muito de tornar-me um cristão, mas eu tenho dificuldade em acreditar na ressurreição de Jesus”. Bem, primeiramente eu o levaria a 1 Coríntios 15 e nós revisaríamos as aparições de ressurreição, as testemunhas à ressurreição. Paulo diz que quinhentas pessoas viu-a de uma vez só. Isto implica que estas pessoas podem dar testemunho e, então, eu usaria as mesmas evidências para a ressurreição que encontraríamos no colega não pressuposicional.

Se o inquiridor disser “Oh. Bem. Isto era tudo o que eu queria saber. Isto mostra que Jesus foi ressuscitado dentre os mortos e então quero adorá-Lo. Quero ser um cristão”. Tudo bem. Eu não diria nada sobre pressuposições neste ponto. Eu diria “Veja. Vamos conversar sobre isto e esperar que em breve você poderá ser batizado e juntar-se a Igreja. Isto é maravilhoso”. Eu não acho que há algo de errado com isto.

Mas se o não crente vier e dizer “Bem. Não posso crer em todas estas evidências em 1 Coríntios 15 porque eu creio juntamente com David Hume que é impossível ter evidências o suficiente para um milagre. Eventos sobrenaturais – você não pode possivelmente ter testemunha suficiente para estabelecer um milagre”.

Se ele disser algo deste tipo, então temos que falar não sobre evidências, mas sobre os vários conhecimentos. Devemos falar sobre o lugar da testemunha no conhecimento humano. E temos que falar sobre a importância do raciocínio não somente como um empirista autonomista como o David Hume, mas raciocinar de uma forma que dá a devida consideração ao tipo de testemunho que é apresentado em 1 Coríntios 15. Então, todos nós lidamos com evidência e isto é uma coisa boa, mas em alguns pontos, os pressuposicionalistas terão que lidar com a evidência de uma forma diferente daqueles que negam o pressuposicionalismo.

BA: Mais uma questão no sentido do pressuposicionalismo e em seguida eu quero perguntar o seu parecer sobre algumas outras coisas, mas em praticar a apologética da forma que você apresentou, para a glória de Deus, você acha que o não pressuposicionalista faz dano ao Evangelho ou você acha que eles estão fazendo apologética, digamos, não para a glória de Deus? Então eu suponho que o que estou dizendo aqui pode aparentar para alguns que se alguém não argumentar pressuposicionalmente então isto não glorifica a Deus.

JF: Sim. Quando eu inventei aquele título para o meu livro, isto só foi uma expressão. Eu não estava tentando denegrir ninguém e dizer que alguma outra pessoa não pratica apologética para a glória de Deus. Somente foi uma expressão de minhas próprias prioridades teológicas e o que eu quis dizer por meio daquele título é que de qualquer forma que venhamos a praticar apologética, seja como for que formulamos nosso sistema de conhecimento, evidências, de pressuposições e tudo isto, nosso objetivo maior deve ser de glorificar a Deus e, é claro, eu estava confessando que isto era o meu objetivo até agora.

Então, agora é possível que o método de apologética de alguém possa melhorar o prejudicar a claridade do Evangelho? Eu acho que provavelmente sim. E se dermos a impressão às pessoas de que eles somente continuam a pensar da forma que eles tinham pensado como descrentes, eles podem tornar-se um cristão e continuar pensando como um descrente. Não penso que eles entenderam adequadamente o senhorio de Jesus Cristo. O senhorio de Cristo está acima do nosso pensamento. Está sobre todo aspecto da vida humana; e então, parte do Evangelho é que pessoas precisam receber Jesus como Senhor e como Salvador do pecado.

Então, creio que a menos que você apresente Cristo como Senhor do intelecto bem como Senhor de tudo o mais, você estará apresentando algo menos do que o Evangelho como este está estabelecido nas Escrituras. Agora, você sabe que isto não significa que a pessoa que receba Cristo sobre a obra de um não pressuposicionalista não é salvo. Este pode realmente estar salvo mas, como todos nós, ele virá a fé cristã entendendo erroneamente algumas coisas. Nenhum de nós acerto tudo de uma só vez. Mas creio que há uma claridade na apologética pressuposicional que diz que quando você aceita Cristo, você aceita Ele como Senhor sobre tudo. Você aceita Ele como Senhor sobre tudo na sua vida e então, o outro lado dista é, que você recebe a graça de Deus, que você reconhece que você não pode fazer nada para salvar a si mesmo e que isto significa que você não pode fazer qualquer obras para salvar-se e isto também significa que você não tem a sabedoria, você não tem o conhecimento, você não tem o intelecto para salvar a si mesmo.

A verdade que leva a salvação vem da graça de Deus assim como a própria salvação vem da graça de Deus. Isto é o argumento de Paulo em 1 Coríntios 1 e 2, que a sabedoria do mundo é tolice para Deus e que a sabedoria de Deus é tolice para o mundo. Ambos estão indo para direções opostas; então, se você for receber o Evangelho, você precisa recebe-lo pela sabedoria de Deus. Imagine quem poderia ter pensado na ideia que nós podemos ser salvos de nossa culpa e salvos do nossos pecados por meio de alguém que morreu na cruz a dois mil anos atrás. Ninguém teria pensado nisto autonomamente. Ninguém teria pensado: Bem, esta é uma boa ideia. Vamos fazer uma religião baseado nisto. Se isto for verdade, isto vem de Deus. Isto vem da revelação de Deus e somente da revelação de Deus. Então, é melhor começarmos a acostumar a pensar os pensamentos de Deus como Ele pensa do próprio começo da vida cristã.

BA: Bem. Creio que isto é útil. Agora você ensina no Seminário Teológico Reformado e, as suas palestras sobre apologética podem ser encontradas no iTunes no RTS online. Então, para as pessoas que estão escutando, isto é um grande recurso e eu quero aponta-las a isto para receberem um entendimento mais completo sobre a sua abordagem apologética. Tendo dito isto, como um Professor de apologética, qual conselho você gostaria de dar à próxima geração de apologistas cristãos?

JF: Bem. Claro que número um, eu penso que nós precisamos voltar à Bíblia de novo e de novo para ver que o que Deus diz é relevante ao nosso pensamento ou filosofia ou raciocínio e a forma como apresentamos o Evangelho às pessoas que perguntam, é claro que 1 Pedro 3:15, tipo o tema da minha Apologética para a Glória de Deus, mas há certamente muito mais na Bíblia que Deus tem a dizer a nós com relação ao raciocínio e com relação a apresentar o Evangelho às pessoas que tem perguntas. Além disto, penso que nós precisamos investigar o mundo que Deus tem feito para obter mais evidências, para ter mais argumentos que faz a verdade clara e, de novo, não há nada de errado em buscar evidências em um contexto pressuposicinoal. De fato, espero que os meus sucessores entre os apologistas pressupocionalistas – tenho 71 anos, então não irei fazer isto silenciosamente, mas espero que outros apologistas pressuposicionalistas se reúnam e façam um tipo de enciclopédia das evidências da fé cristã e mostrem como eles podem ser usados e mostrem quanto cogente eles são e como estes fazem a diferença para tratar estes de uma forma pressuposicional.

Ademais, penso que – eu espero que a próxima geração não estará tão preocupada com o método como nós temos estado e eu tenho esta impressão hoje entre os pressuposicionalistas e estou criticando o meu próprio movimento aqui e estou criticando a mim mesmo também. Gastamos tanto tempo argumentando contra os oponentes do pressuposicionalismo. Não fizemos o suficiente do que a apologética é realmente destinada. Deveríamos estar argumentando com os descrentes, não argumentando com outros cristãos sobre o método apologético.

Há uma certa medida disto que tem que ser feito, mas acho que nós precisamos de voltar a realmente lidar com o pensamento não cristão. Van Til certamente fez isto com a filosofia e outros movimentos. Devemos lidar com cada aspecto da filosofia, religião e cultura que está contrário ao Evangelho e isto é o que podemos fazer de melhor para o Reino de Deus. Se tivermos tal método tão bom de apologética, então precisamos mostrar que este dá bons frutos.

BA: Bem, Dr. Frame, eu realmente aprecio o fato que você usou o seu tempo para falar comigo. Isto tem sido um prazer real.

JF: Bem, obrigado Brian; isto tem sido um prazer de verdade.

johnframe

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Retirado do link: http://www.napec.org/apologetica/apologetics315-entrevista-com-john-frame/

 

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